Você conhece (mesmo) as pontes de Blumenau?

Você sabe onde elas se localizam, você passa por elas quase todo o dia, mas conhece sua história? E quem as denomina isto se elas tem nome)? Então, se isso mexeu com a sua curiosidade, A BOINA recorda um pouco da história e importância de algumas das principais pontes de Blumenau, no Centro e nos bairros, partindo da antiguidade até os dias atuais (Montagem A BOINA)

(Fotos: Adalberto Day / Jornal de Santa Catarina / Jaime Batista / O Blumenauense)

Todos os meses comemorativos, aqueles representados por cores, Blumenau se colore. Vários pontos da cidade são especialmente pintados da cor respectiva a do mês para manter acesa a lembrança que traz o tema daquele período: epilepsia, câncer de mama, trânsito, meio ambiente, água, tem de tudo e todas as cores, como bem sabemos.

Na cidade, apenas um único ponto é pintado de verdade: A famosa ponte da Rua XV de Novembro, próxima a Thapyoka e a entrada da Beira-Rio. Esta tradição vem há algum tempo, dentro das atividades do Outubro Rosa, mês especial de conscientização sobre o câncer de mama. Outros meses como março (da epilepsia), maio (trânsito) e outros adotaram a ideia e a ponte cinza assume outras cores durante o ano.

Mas, depois de alguns meses pintando e pintando, me veio a mente uma curiosidade que talvez seja a de algumas pessoas: Qual o nome da ponte da Rua XV? É notável que muitas das pontes de Blumenau foram batizadas com nomes de figuras importantes da história da cidade, do estado ou, simplesmente, de moradores conhecidos das regiões onde estão. No entanto, alguns foram esquecidos com o tempo, ficando apenas os apelidos ou os referenciais, como o da ponte da Rua XV.

Ponte da Rua XV se colorindo para o Outubro Rosa. Uma das mais antigas pontes de Blumenau que tem nome e história. E você sabe qual é? Veja abaixo (Jaime Batista)

E não é difícil encontrar resposta para esta curiosidade. No blog do memorialista e amigo de A BOINA, Adalberto Day, uma postagem já ajuda muito para matar essa curiosidade. O texto é de autoria do jornalista e Cid Moreira blumenauense, Carlos Braga Muller, que detalha os nomes das principais pontes além de algumas outras passagens nos bairros com nomes muitas vezes esquecidos, as vezes por vandalismo, já que as placas de fundação são as primeiras a sumir.

Sendo assim, A BOINA reproduz a lista de Braga Muller e Day e revisita algumas das 304 pontes regulares da cidade, as principais e algumas ilustres escondidas no centro e nos bairros.

Nem todas estarão aqui, mas a gente se esforça e se você conhece alguma que não está aqui, pode deixar o nome e a localização nos comentários.

– Ponte Desembargador João Pedro da Silva

A famosa ponte colorida na Rua XV também é uma das mais antigas da cidade, com relatos de construção vindos de 1856. A construção veio sendo modificada e ampliada com o tempo até a estrutura atual, oriunda da década de 40.

Ganhou a denominação apenas nos anos 40, homenageando o desembargador com destacada atuação no poder judiciário citadino entre 1915 e 1919.


– Ponte Engenheiro Udo Deeke

Assim como a rua no Salto do Norte, a ponte é mais uma homenagem ao famoso engenheiro e ex-interventor federal do estado, cargo correspondente ao de governador, assumido por ele entre fevereiro de 1946 a março de 1947, no período de transição do governo de Getúlio Vargas.

A construção, na curva da Rua 7 próxima ao Angeloni, data de 1965 e, nos últimos tempos, tem se destacado de forma negativa por conta dos acidentes que nela acontecem.


– Ponte Aldo Pereira de Andrade

Lembrada por vezes pelo nome pomposo pelo apresentador do Jornal do Meio-Dia, Alexandre José, a popular Ponte de Ferro foi uma das peripécias da engenharia dos tempos da Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC) nos primeiros anos da ferrovia. Ela faz menção ao ex-deputado lageano Aldo Pereira de Andrade, atuante na política catarinense entre 1959 e 1987.

Sua construção foi iniciada em 1929, sendo terminada em 1931 e passando a servir as composições que chegavam no centro da cidade. Depois da erradicação da EFSC, em 1971, a ponte permaneceu fechada e abandonada no Centro até 1991, quando a estrutura foi restaurada por completo em parceria com a Fundação Roberto Marinho, sendo modificada para o uso de veículos e voltando a ser um belo cartão postal.


– Ponte Engenheiro Antônio Vitorino Ávila Filho

Talvez o nome mais desconhecido entre as principais pontes da cidade, a estrutura inaugurada em 1951 e aberta apenas em 1954 para o uso tanto da EFSC como também o de veículos, a passagem se destaca pelos Arcos que a adornam, sendo conhecida apenas pela carinhosa alcunha de Ponte dos Arcos, desde os tempos do trem até hoje.

Constitui numa das importantes ligações entre o Vorstadt (Rua Itajaí) com a Ponta Aguda (Rua República Argentina). Tem a denominação oficial em homenagem ao engenheiro que muito batalhou para a sua construção. No entanto, o nome de Ávila Filho passa batido até mesmo na placa de identificação na entrada da ponte, onde consta apenas o apelido comum.


– Ponte José Ferreira da Silva

Importante ligação entre a Rua República Argentina (Ponta Aguda) e a Rua Antônio Treis (Vorstadt), a passagem foi inaugurada em 1975 e é uma das principais estruturas que compõem o anel viário norte, instalado naquela região.

Seu nome homenageia a memória do ex-prefeito da cidade entre 1938 a 1941 e que também denomina o Arquivo Histórico da cidade.


– Ponte Lauro Muller

O nome do ex-governador catarinense por quatro mandatos entre 1889 e 1902 está estampado na história de uma das mais importantes pontes da cidade. A estrutura teve os imponentes pilares erguidos em 1896 mas só seria inaugurada em junho de 1913, constituindo-se na segunda ligação sobre o Itajaí-Açu no Vale e a primeira em Blumenau.

Grande parte do metal que a constituía foi trazida diretamente da Alemanha e, logo, a ponte tornou-se uma importante ligação entre a Rua Bahia, no Salto Weissbach, à Rua Pomerode, no Salto do Norte. Foi reformada duas vezes, sendo que a primeira, em 1982, só foi possível graças a pressão de uma campanha jornalistica que rendeu um Premio Esso ao jornalista Luiz Antônio Soares, que destacou a importância da preservação histórica e reconstrução da estrutura, reconstruída e reinaugurada em 1983.


– Ponte Adolpho Konder

Junto da Ponte de Ferro, esta passagem é uma das importantes ligações do Centro com a Ponta Aguda. Inaugurada em 1957 depois de três anos de construção, a ponte foi edificada de uma ponta a outra (do projeto a conclusão) com recursos oriundos da própria cidade, sendo modificada apenas nos anos 60 para a passagem da Avenida Beira-Rio na cabeceira do Centro.

A denominação homenageia o ex-governador catarinense entre 1926 e 1930 e não é exclusividade da ponte na cidade, denominando também a escola estadual localizada na Rua Uberaba, no bairro Velha. É um dos melhores panoramas da Beira-Rio da cidade, sendo fundo de fotos de turistas e curiosos. Curiosamente, a placa de fundação ainda está lá, apenas desgastada com o tempo.


– Ponte Irineu Bornhausen

 

Inaugurada em 1953, a estrutura foi aberta pelo homem que a denomina, o então governador catarinense de esteve a frente do estado de 1951 a 1956. A ponte se localiza na Rua Santa Catarina e liga os dois pontos da via, entre a Itoupava Seca e a Itoupava Norte.

Muitas vezes é denominada como ponte Santa Catarina, confundida com o nome da rua.


– Ponte Emma Hemmer

A simpática Ponte da Rua Arnold Hemmer, no Testo Salto, tem como nome uma das ilustres moças da família Hemmer, de grande história na região. Infelizmente, os tempos modernos foram demais para a velha ponte de madeira, sofrendo com acidentes e a insegurança. Em 2016, foi optado pela desmontagem e substituição (Jaime Batista)

Este é um dos atalhos mais populares da cidade, muito mais pela simpática ponte de madeira que o acompanha. Localizada na Rua Arnold Hemmer, no Testo Salto, a ponte construída no início do século levava o nome de uma ilustre moradora da região, integrante (notadamente) de uma das famílias mais tradicionais da cidade e, especialmente, daquela região. Era a última construída na técnica enxaimel na cidade e sua denominação foi dada apenas em 1996.

Por tempos, o movimento na região tinha na ponte um atalho útil em dias de transito intenso. No entanto, constantes acidentes, insegurança e uma estrutura já deficiente para o tráfego fizeram a prefeitura optar pelo desmonte da ponte e construção de uma nova estrutura no local. Ela deve ser aproveitada em outro local ainda não definido.


– Ponte da Rua Paraíba

A simples estrutura que liga a Rua 7 a Rua Paraíba não tem nome, mas chama atenção pela forma estreita e pela bela murada. Foi construída em 1925 e ainda hoje é um bom atalho aos motoristas que passam pela região (Reprodução)

Esta pitoresca construção no bairro Victor Konder por sobre o Ribeirão da Velha, é uma mão na roda para quem escapa do trânsito da Rua 7 em busca da Rua XV ou do retorno a Beira-Rio. Foi construída em 1925 e se destaca pela estrutura estreita e pela beleza da murada que a cerca.

Em enchentes com cota de oito a nove metros, é uma das primeiras estruturas da região central a ficar alagada. Ainda assim, um pequeno recorte do passado preservado num cantinho do centrão, mesmo no meio do tráfego constante do dia a dia. Ela não possui denominação até hoje, assim como outras 154 pontes inominadas na cidade.


– Ponte Governador Vilson Pedro Kleinubing

Por vezes citada como uma das mais importantes obras do trânsito blumenauense dos últimos tempos, a estrutura faz a ligação da Itoupava Seca (pela Rua São Paulo) à Itoupava Norte (diretamente na Via Expressa), passando por sobre a Rua 2 de Setembro. Ela é nominada em homenagem ao ex-prefeito de Blumenau (1989-1990), ex-governador do estado (1991-1994) e pai do também ex-prefeito blumenauense (2004-2008 e 2009-2012) e, hoje, deputado federal João Paulo Kleinubing.

Sua construção teve o projeto aprovado em 1977 e empregou técnicas de execução vindas da Alemanha. No entanto, a obra arrastou-se por anos, sofrendo até com uma queda de parte da estrutura e até a transferência de local da árvore que lhe apelida: o pé de tamarindo plantado pela filha do ambientalista Fritz Muller há muitos anos. Então conhecida como Ponte do Tamarindo, a estrutura foi aberta, enfim, em 1999, e foi fator vital para o atual desenvolvimento do norte da cidade, além de outra ligação com o bairro Fortaleza e com a BR-470.


– Ponte Bernardo Wolfgang Werner

A última grande ponte inaugurada no município era um antigo sonho dos moradores do Badenfurt e do Passo Manso, que viram encurtado o caminho rumo a BR-470, a Pomerode ou a Rua Bahia. A ponte, como todo o complexo, levam o nome do ex-presidente do Fiesc, que também denomina o Complexo do Sesi, no Vorstadt (Reprodução / PMB)

Assim como a Ponte do Tamarindo, a estrutura também é uma das mais importantes obras viárias do município nos últimos tempos, além de ter sido uma das mais esperadas na região do Badenfurt, uma das saídas da cidade. Liga de ponta a ponta a Rua Bahia, no Passo Manso, ao trevo de Pomerode, na BR-470, passando pela Rua Arnold Hemmer.

A denominação não é, exatamente, da ponte. Ela dá nome a todo o complexo inaugurado em 2014, depois de três anos de construção. É mais uma das homenagens da cidade ao ex-presidente da Fiesc no período de 1971 a 1986, responsável pela ampliação das atividades do Sesi e do Senai no estado. A outra construção que leva o nome de Bernardo é o Complexo do Sesi, no Vorstadt.


– Ponte Acácio Bernardes

Esta você não conhece, nunca viu, mas sempre está em debate, especialmente em tempos de eleição. Denominada pela lei nº 6239, de 01 de agosto de 2003, homenageia o advogado criminalista e pai do atual prefeito Napoleão Bernardes, morto em um acidente automobilístico em 1996.

Na lei de denominação, a ponte estava projetada para ligar a Rua Rodolfo Freygang, no Centro, à Rua Chile, na Ponta Aguda, mas a sua localização definitiva ainda gera debates e polêmicas. O atual projeto em debate liga a Rua Itajaí, no início do Vorstadt, à Rua Paraguai, entre a Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB) e o Moinho do Vale, na Ponta Aguda. No entanto, a ponte do pai do prefeito segue sendo um assunto espinhoso e está longe de sair do papel.

Para mais nomes de pontes da cidade, não é preciso muito suor. Eles podem ser encontrados na matéria de Carlos Braga Muller no blog de Adalberto Day. Só clicar e continuar a pesquisa.

3 comentários sobre “Você conhece (mesmo) as pontes de Blumenau?

  1. André,
    As Nossas Pontes!
    Muito importante e esclarecedora esta postagem falando de nossas pontes em Blumenau. São muitas histórias sobre cada uma e também os sacrifícios, tempo de duração e outras politicagens que acaba sempre atrapalhando. Conforme você relata, também já publicamos em nosso Blog http://www.adalbertoday.blogspot.com juntamente com o grande amigo Carlos Braga Mueller.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

  2. ANDRE muito bom seu trabalho e de grande valia para futuras pesquisas que irão fazer em cima de seus conhecimento;não é da minha parte ser criticador;nunca jamais,so percebi que uma das pontes que voçê relata ser da Adolfo Konder na verdade é a ponte que liga a Itoupava Norte a Itoupava Seca a ponte Irineu Bornhausen na enchente de 1983;grato de sua compreenção poder ajudar o amigo no valioso documentário.

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