Gramming & Marbles (MotoGP): “DesmoDovi” vence no fim de semana espetacular em Mugello

andrea-dovizioso-italian-gp-motogp-2017_827x510_81496601159

Dovizioso venceu e fechou com chave de ouro o domingo da MotoGP… e da Ducati, naturalmente (Reprodução)

(Douglas Sardo)

A MotoGP nos proporcionou mais um espetáculo em Mugello. A pista italiana com sua grande reta colocou as Ducati na briga e após uma prova extremamente disputada, Andrea Dovizioso venceu pela terceira vez na carreira.

Não bastasse isso a Moto3 e a Moto2 foram igualmente fantásticas com duelos incríveis e vitórias consagradoras de Andrea Migno e Mattia Pasini. E tudo isso coincidentemente no fim de semana em que tivemos a final da UEFA Champions League, o jogo 2 das finais da NBA, Roland Garros e a rodada dupla da Indy em Detroit.

E sim, a MotoGP ofuscou todos eles em termos de qualidade.

MotoGP melhor que Champions?

Ás vezes uma empresa bate de frente com uma concorrente e se dá mal por diversas razões. Escolha equivocada de estratégia, marketing, ou o produto simplesmente não é tão bom assim.

No Brasil por exemplo. Durante muitos anos o SBT tentou competir de igual para igual com a Globo. Não funcionou e hoje eles lutam para ser a segunda força, muito atrás da emissora carioca. O marketing deles também mudou por conta disso. Antes tentavam se comparar à banda dos Marinho em tudo, hoje tentam focar mais em suas próprias virtudes.

Fim de semana em Mugello, daqueles bem empolgantes que só a MotoGP consegue fazer. Isto num fim de semana que finais e eventos importantes do esporte não a ofuscaram em matéria de emoção (Reprodução)

Nas últimas semanas tivemos situações similares no automobilismo. Em um mesmo domingo tivemos as 500 Milhas de Indianápolis e o GP de Mônaco. A F1 insiste em colocar sua prova mais tradicional e pomposa no mesmo dia da lendária corrida americana. O resultado saltou aos olhos de todos: as 500 Milhas foram mil vezes melhor.

Uma semana depois, tivemos uma situação menos polarizante, porém muito chamativa. A MotoGP correu no último domingo em Mugello no mesmo fim de semana em que tivemos a alardeada final da UEFA Champions League, o jogo 2 das finais da NBA, Roland Garros e a rodada dupla da Indy em Detroit. E o que saltou aos meus olhos pelo menos, foi que a MotoGP proporcionou, DE LONGE, o melhor espetáculo.

Pausa justa: Destaque também para as homenagens a Hayden no fim de semana. O espetáculo presta reverencia a uma estrela caída a acelerar no firmamento com exatos 69 segundos de silêncio (Reprodução)

Final da Liga dos Campeões? Hmmmm… 4 a 1 para o Irreal Madrid que segundo os caras da revista Forbes é o clube mais valioso do planeta, enquanto que a Juventus é apenas o nono, três vezes menor e com apenas metade da receita dos merengues. Jogo de um time dominante, mais rico e com muito mais poder de fogo, contra outro que se vale de organização tática, defesa e raça. A final passou longe de ser um grande embate. Só valeu, claro, para os torcedores do Real e os fãs de Cristiano Ronaldo.

Finais da NBA? Golden State Warriors atropelou o Cleveland Cavaliers no primeiro jogo, e atropelou de novo no segundo. Vai seguindo rumo a uma varrida. A qualidade dos dois times é inquestionável mas os fãs esperavam uma série mais acirrada.

Roland Garros? Esse ano tem desfalques do calibre de Roger Federer e Serena Williams. Além de um Novak Djokovic completamente apagado. Rafael Nadal é a única grande estrela do torneio.

A rodada dupla da Indy? Sem ilusões. Detroit foi um belo remédio para insônia. Nenhum desses eventos tiveram a emoção fantástica da MotoGP em Mugello. Não vou nem colocar o decadente futebol brasileiro nessa conversa.

Hoje a MotoGP é o pacote completo. Tem um ídolo atemporal que é adorado em todos os lugares do mundo em Valentino Rossi. Tem os vilões Marc Márquez e Jorge Lorenzo, que são uma oposição fantástica para o ícone; uma nova geração de talentos incrível com Maverick Viñales, Johann Zarco; e coadjuvantes capazes de aprontar surpresas como Pedrosa em Jerez, e agora Dovizioso em Mugello. Tudo isso em corridas que trazem duelos espetaculares em grandes circuitos ao redor do mundo.

E para melhorar ainda mais a Moto3 e a Moto2 funcionam muito bem como categorias de base, trazendo corridas muitas vezes mais disputadas que a principal. A vitória de Andrea Migno por exemplo, foi mais uma dos páreos de jockey club da Moto3. E até a Moto2 – que vinha sendo dominada por Morbidelli – entregou uma corrida disputadíssima com uma vitória espetacular de Mattia Pasini.

A MotoGP vive um momento muito especial, e somos privilegiados por estar acompanhando.

Sendo assim, desfrutemos!

Mugello-2017

A linda festa em Mugello (Reprodução)

Dovizioso vence em Mugello

Por um momento até pareceu que Jorge Lorenzo poderia triunfar com a Ducati em pleno solo italiano. O Espartano atacou muito no início e chegou a liderar a prova. Mas seu rendimento foi despencando à medida que a peleja avançou e ele fechou em discreto oitavo lugar.

Mas com Andrea Dovizioso a história foi diferente. O italiano tratou de se manter perto dos líderes e travou um duelo sensacional com Viñales. Após despachar a Yamaha #25 com o canhão da Ducati nas retas, Dovi só precisou administrar uma vantagem segura para vencer pela terceira vez na MotoGP.

É verdade que a torcida italiana que fez impressionante presença em Mugello preferia um triunfo de Valentino Rossi. O #46 trouxe como de costume um capacete especial para sua prova caseira, homenageando Nicky Hayden e Francesco Totti da Roma. Mas as dores provocadas pelo acidente de Motocross no início da semana parecem ter atrapalhado e o italiano ficou para trás na parte final da prova fechando apenas em quarto lugar. Não deu para Rossi, mas pelo menos o público local pôde ouvir o belo Fratelli dItalia.

Resta saber agora até onde pode ir essa Ducati. Seria essa vitória apenas circunstancial, devido as grandes retas de Mugello que favorecem o pacote italiano? Ou a Desmosedici está realmente evoluindo?

579-6-Dream-Italian-GP-for-Ducatis-Andrea-Dovizioso-at-Mugello-Pictures-courtesy-Ducati-Media-Room

A Ducati roubou a cena em Mugello. Na foto, Lorenzo tenta se manter à frente de Dovizioso e Petrucci, mas não foi possível (Repodução/Ducati)

Petrucci no pódio

Não foi só Dovizioso que garantiu a festa italiana em Mugello. Danilo Petrucci mostrou que a tarde era mesmo das Ducati e levou sua Desmosedici da Pramac ao pódio. E se ele não tivesse que escalar de nono no grid até os primeiros lugares, provavelmente lutaria pela vitória.

Esse é o segundo pódio da carreira de Petrucci, o primeiro havia sido em Silverstone 2015, na chuva, onde o italiano costuma se apresentar muito bem.

Motorcycling Grand Prix of Italy 2017

A emoção de Petrucci no pódio (Reprodução)

Os 10 Mais – Corrida

1 – Andrea Dovizioso (Ducati)
2 – Maverick Viñales (Yamaha)
3 – Danilo Petrucci (Pramac-Ducati)
4 – Valentino Rossi (Yamaha)
5 – Álvaro Bautista (Aspar-Ducati)
6 – Marc Márquez (Honda)
7 – Johann Zarco (Tech 3-Yamaha)
8 – Jorge Lorenzo (Ducati)
9 – Michele Pirro (Ducati)
10 – Andrea Iannone (Suzuki)

Os 6 Mais – Campeonato

1 – Maverick Viñales (105)
2 – Andrea Dovizioso (79)
3 – Valentino Rossi (75)
4 – Marc Márquez (68)
5 – Dani Pedrosa (68)
6 – Johann Zarco (64)

O one-off do fim de semana. Michele Pirro deu sua contribuição e somou bons pontos para o time de fábrica… (Reprodução)

…e outra Ducati em destaque: Alvaro Bautista levou a Desmosedici da Aspar a um honroso quinto posto. O espanhol do #19 incorporou Gandalf e não deixou passar a poderosa Honda do compatriota afortunado Marquez Reprodução)

Portanto Dovizioso agora é o vice-líder. Belo momento para o italiano e para a Ducati como um todo, já que cinco delas pontuaram. Inclusive Michele Pirro, piloto de testes da equipe que fez um one-off nesse GP em Mugello. Vale destacar também a vantagem de Viñales, que segue aumentando e agora já é de mais de 25 pontos.

Rossi não tem muito o quê comemorar. O Doutor ainda se recupera das dores causadas pelo acidente de Motocross, e pode ter perdido pontos cruciais nessa prova em Mugello por conta disso.

Mas o alerta vermelho está ligado mesmo é nas bandas da Repsol…

Honda precisa reagir

Até aqui não tem sido um grande ano para a Honda. Apenas uma vitória de Márquez nos EUA e uma de Pedrosa em Jerez. Tirando sua vitória,  La Hormiga só subiu ao pódio em Jerez quando fechou a dobradinha com Dani. O Samurai de Borracha por sua vez foi terceiro em Austin e na França. Na conta ainda, ambos contabilizam dois abandonos. O mais recente tombo foi de Pedrosa, na última volta de Mugello ao tentar ultrapassar Cal Crutchlow.

Empatados em 68 pontos, os ases da Honda são carta fora do baralho no momento. Mas os resultados são só uma parte do drama. Em termos de desempenho, a Honda têm deixado muito a desejar. Dificuldades muito grandes com os pneus têm causado prejuízos para o time, que nas duas últimas provas foi apenas coadjuvante de luxo.

pedrosa-crutchlow

Enquanto a Ducati celebrava a vitória de Dovizioso, Pedrosa arranjava essa pancada com Crutchlow na última volta (Reprodução)

Vale lembrar que no ano passado foi em Mugello que se iniciou aquela sequência maluca de vencedores diferentes e, naquele período, Márquez só venceu na Alemanha e Pedrosa faturou em Misano.

A próxima corrida é em Barcelona, no já tradicional circuito da Catalunha, em Montmeló. Será vital para a Honda vencer nessa pista onde, em 2016, Márquez foi batido por Rossi.

O desastre da Suzuki

Ianonne e a Suzuki… A marca de Hammamatsu está sendo vitima das escolhas infelizes e faz, até aqui, uma temporada vexaminosa (Reprodução)

Falando em equipe que precisa se recuperar… o que dizer da temporada patética da Suzuki em 2017? A equipe vinha de um 2016 bastante sólido com direito a vitória e pódios. Mas tomou algumas das decisões mais idiotas da história do automobilismo e agora se encontra em franca decadência.

Tudo começou com a saída de Maverick Viñales. O time de Hammamatsu escolheu o atrapalhado Andrea Iannone como substituto. Iannone é rápido, mas não parece ser nem de longe a pessoa mais indicada para liderar qualquer projeto de desenvolvimento para uma fábrica.

Mas o pior veio para a outra vaga. De olho nos talentos disponíveis na Moto2, a equipe não renovou com Aleix Espargaró. Para o seu lugar, negociavam com o francês Johann Zarco, então a caminho de um inédito bicampeonato na categoria intermediária. O gaulês chegou a testar com a moto da fabricante japonesa.

Só que o time mudou de ideia e decidiu contratar outro piloto da Moto2. Alex Rins. O espanhol que foi derrotado por Zarco na Moto2 e que tinha um histórico de ser um piloto de certa inconstância. Para piorar, Rins se machucou e participou de apenas três provas na temporada até aqui.

51872846_wide-3d19bd2523ee7a0c9bf290796c8e89d9eb4ec824

Sam Bowie arremessa marcado por Kareem Abdul-Jabbar. Em 1984, Bowie foi recrutado pelo Portland Trail Blazers como a segunda escolha do draft da NBA. A escolha seguinte foi do Chicago Bulls, que selecionou um tal de Michael Jordan. O resto é história, enquanto Bowie passou sua carreira se arrastando com lesões e o Portland não ganha um título desde 1977, Jordan… bom, deixa pra lá. Vamos ver se a Suzuki não vai pagar caro por sua escolha da mesma forma que os Blazers. (Reprodução)

O resultado de tudo isso é catastrófico: a Suzuki somou míseros 28 pontos até aqui. Para se ter uma ideia, a Aprilia tem 19 e a KTM 12. Só essas duas ficam atrás. A Suzuki tem menos pontos do que as equipes satélites.

Para piorar, Zarco vai de vento em poupa. O francês fez uma corrida espetacular em Le Mans e apesar de ter sido muito discreto em Mugello, segue em sexto lugar no campeonato, poucos pontos atrás dos pilotos da Honda. Tudo isso na competente Tech3, equipe satélite da Yamaha. Zarco parece ser uma joia rara a ser lapidada enquanto Rins lembra casos de promessas que não vingaram.

Essa escolha pode determinar tempos muito difíceis no futuro do time. Iannone parece ser o tipo de piloto que nunca vai evoluir de sua pilotagem ultra-arrojada para algo menos errático, mais controlado. Rins parece ser um fiasco.

Dos caras consolidados da MotoGP hoje, quem é que iria para a Suzuki? Rossi vai se aposentar na Yamaha, Viñales acabou de chegar lá. Dovizioso e Pedrosa são bons coadjuvantes em seus respectivos times e poderiam ajudar na questão de acerto caso fossem para a Suzuki, mas jamais teriam o impacto de um Zarco. Márquez e Lorenzo estão fora de cogitação. Outros pilotos são talentosos, como Crutchlow, mas inconstantes demais.

Recrutar talento na Moto2 agora é complicado. O único piloto que parece pronto é Franco Morbidelli. Mas ele guia para Marc VDS e duvido muito que ele deixe o italiano escapar de sua equipe na MotoGP. Alex Marquez não passa muita confiança. Thomas Luthi já tem 30 anos e está encalhado na Moto2. Miguel Oliveira é da KTM. Os outros ou são muito crus ou estão na situação de Luthi.

Essa escolha da Suzuki pode ter determinado o fracasso da montadora pelos próximos anos na categoria.

motogp-mugello-press-zarco-iannone

Nada é tão ruim que não possa piorar. Iannone teve que abandonar as pressas uma entrevista coletiva para ir ao banheiro. Piloto esteve com problemas estomacais durante o fim de semana em Mugello (Reprodução)

Mattia Pasini venceu de forma espetacular na Moto2

Veterano de 31 anos, Mattia Pasini teve uma performance absolutamente estrondosa na Moto2. Ele estragou os planos de Alex Márquez que largava na pole liderou praticamente todas as voltas da prova, resistindo aos ataques do espanhol e de Thomas Luthi. Os três lutavam de forma frenética enquanto Franco Morbidelli fazia prova discreta e fora do ritmo dos líderes.

Abrindo a última volta, Pasini é superado pelos dois e parecia tudo perdido. Mas ele conseguiu recuperar tudo no giro derradeiro e venceu a melhor prova da Moto2 até aqui. Me arrisco a dizer que foi o grande nome do fim de semana.

Com isso, Morbidelli vê sua vantagem reduzir para 13 pontos. Ele tem 113 e Luthi 100, enquanto Márquez está com apenas 78. Miguel Oliveira aparece com 70.

Moto2_mugello_2017-16

Pasini lidera Márquez segunda divisão e Luthi na grande jornada da Moto2 em Mugello (Reprodução)

Jockey Club italiano: A Moto3 segue imperdível

Como sempre, valeu muito o esforço de acordar mais cedo para acompanhar a corrida da Moto3. Dessa vez a categoria se superou e proporcionou uma prova onde praticamente o grid inteiro formava um pelotão único, com infinitas ultrapassagens e duelos roda a roda.

Fico imaginando o trabalhão que não dá fazer um Lap Chart de uma prova da Moto3. A cada volta tudo muda! É surreal o negócio!

Dessa vez o vencedor foi Andrea Migno, primeira vitória do jovem italiano de 21 anos e que corre na categoria desde 2013. Fabio Di Giannantonio chegou em segundo e Juan Francesco Guevara impediu o que poderia ser um pódio totalmente italiano.

Joan Mir fechou em sétimo e segue líder do campeonato com 108 pontos. Aron Canet é o segundo com 74 e Di Giannantonio é o terceiro com 71.

Moto3_Mugello2017-10

Parece até foto de primeira volta, mas não é. Essa foi a chegada da Moto3 em Mugello, com quase todo mundo na foto da bandeirada. Coitado do cara que gerava os Lap Chart das voltas… (Reprodução)

A MotoGP segue rolando no próximo domingo com o GP da Catalunha, no manjadíssimo circuito de Barcelona, aquele em que a F1 testa desde os tempos  de Bertrand Gachot.

E falando em F1, vale lembrar que neste domingo a tarde, a categoria máxima pousa em Montreal, para o sempre imprevisível (ou não) GP do Canadá. Infelizmente, quem tem Globo só verá a corrida horas depois, já que a emissora priorizou o futebol no horário (que novidade!). Sendo assim, quem quiser se antecipar e ver ao vivo, a saída é aguentar Sérgio e seus Maurícios na Sportv.

Até lá!

Deixe uma resposta