Gramming & Marbles (F1): Hamilton fecha fim de semana mítico com vitória no Canadá

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Rolou pela net essa sugestão de dia dos namorados: ache alguém que te ame da forma como o Hamilton ama esse capacete. (Reprodução)

(Douglas Sardo)

O GP do Canadá de 2017 pode não entrar na galeria das maiores corridas do circuito Gilles Villeneuve, mas os fãs da F1 com certeza não vão esquecer alguns dos momentos dessa edição. A começar é claro, pela estrela do show: Lewis Hamilton viveu um momento mágico no treino classificatório ao igualar o recorde de 65 poles de Ayrton Senna, seu grande ídolo.

Graças à essa nova cara da F1 com o Liberty Media, tivemos a chance de acompanhar ao vivo o britânico recebendo uma réplica do capacete verde e amarelo usado em 1987 que representa tanto para o esporte e para todos os fãs. Me arrisco a dizer que esse é um dos momentos mais marcantes da carreira de Lewis.

Se a prova não foi lá essas coisas, a vitória do britânico embolou o campeonato após um quarto lugar suado de Sebastian Vettel. E de quebra tivemos alguns lances impagáveis. O quê dizer de Fernando Alonso indo para a galera após abandonar? E o ator Patrick Stewart, o Professor Xavier, bebendo champanhe da sapatilha de Daniel Ricciardo? A ação fora das pistas fez esse fim de semana em Montreal valer a pena.

Hamilton iguala 65 poles de Senna e domina no Canadá

Desde sempre, Lewis Hamilton era o favorito para a prova canadense. O circuito Gilles Villeneuve, com suas freadas fortes, casa à perfeição com as melhores virtudes do piloto britânico e não é por acaso que ele já tinha cinco vitórias nessa pista.

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O britânico andou como ninguém neste fim de semana, da pole à vitória. Agora são seis vitórias de Hamilton em Montreal. Casamento perfeito entre piloto e pista. (Reprodução)

A Ferrari bem que tentou. Andou rápido durante o fim de semana e liderou os treinos livres. A pole-position parecia possível.Mas Hamilton mostrou a categoria de um dos maiores pilotos em voltas lançadas da história da F1 e garantiu o lugar de honra com um tempo sensacional, três décimos mais rápido que Sebastian Vettel. Assim, Lewis alcançou o número mágico de 65 poles de Ayrton Senna, seu ídolo maior.

A comemoração do feito não poderia ter sido mais sublime: na entrevista diante do público implementada pelo Liberty Media, o ás da Mercedes é surpreendido com um presente da família Senna: o capacete de Ayrton, caracterizado como o elmo usado em 1987. A reação de Hamilton foi sensacional. Boquiaberto, o bretão chegou a deixar óculos e squeeze caírem no chão. Entre lágrimas e agradecimentos, Lewis não largou mais o elmo com o qual voltou para os boxes no carro da FIA em cena muito bonita.

A corrida foi uma barbada. Com Vettel largando muito mal e tendo parte da asa dianteira danificada, Hamilton passeou no parque e ganhou com quase 20 segundos de vantagem sobre o apagadíssimo Valtteri Bottas na primeira dobradinha da Mercedes do ano. De lambuja, Lewis reviveu no campeonato e agora está apenas a 12 pontos de Vettel.

Não há dúvidas: Hamilton sai muito fortalecido do Canadá.

Os 10 Mais – Corrida

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Valtteri Bottas (Mercedes)
3 – Daniel Ricciardo (Red Bull-Tag Heuer)
4 – Sebastian Vettel (Ferrari)
5 – Sérgio Pérez (Force India-Mercedes)
6 – Estean Ocon (Force India-Mercedes)
7 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
8 – Nico Hulkenberg (Renault)
9 – Lance Stroll (Williams-Mercedes)
10 – Romain Grosjean (Haas-Ferrari)
AB – Felipe Massa (Williams-Mercedes) – Acidente na primeira volta

Os 6 Mais – Campeonato

1 – Sebastian Vettel (141)
2 – Lewis Hamilton (129)
3 – Valtteri Bottas (93)
4 – Kimi Raikkonen (73)
5 – Daniel Riccardo (67)
6 – Max Verstappen (45)
10 – Felipe Massa (20)

MENINO DE MUZAMBINHO – Daniel Ricciardo (e Sr. Patrick Stewart)

Assim como Reginaldo Leme, também tivemos dificuldades para escolher o melhor piloto da prova. Regi acabou optando por Esteban Ocon. Os fãs da F1 votaram em Sebastian Vettel.

Duas opções consideráveis mas Ocon não conseguiu passar Sergio Pérez (apesar de dizer no rádio que se a equipe invertesse posições ele conseguiria até o pódio). Por sua vez o alemão da Ferrari fez uma largada muito ruim e apesar de uma brilhante recuperação, é fato que o início claudicante jogou fora uma chance de lutar pela vitoria. Hamilton, apesar de ter seus méritos, viveu tarde muito tranquila e sem uma oposição real.

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A F1 tem um novo herói: Sr. Patrick Stewart mitou no pódio com Ricciardo. Ator mostrou muita afinidade com as coisas da F1 durante as entrevistas. Já o australiano de mil dentes jogou num tabuleiro de xadrez perfeito para acertar as pontas e chegar ao pódio, o máximo que a Red Bull o permite por hora (Reprodução)

Daniel Ricciardo teve que fazer uma corrida sem erros para chegar ao pódio. Ele pode não ter tido a largada sensacional de Max Verstappen (e se o holandês não quebrasse talvez ele estaria neste espaço) mas foi preciso e aproveitou mais uma chance para botar a Red Bull no top-3.

E vale lembrar, tudo isso numa estratégia difícil, pois a turma dos energéticos decidiu trocar um pouco mais cedo os ultra-macios, tentando garantir posicionamento na pista. Só que para completar a corrida com apenas uma parada tão precoce era necessário apostar no composto mais duro disponível, o pneu macio (banda amarela). Só que esse composto não tinha a mesma aderência da outra opção (supermacio). Fora que a vantagem do pneu amarelo, que seria a resistência, acabou sendo anulada numa prova em que claramente os compostos extremos não apresentavam muito desgaste.

Ricciardo aguentou a pressão das Force India, viu a ameaça de Vettel crescer em alguns momentos, mas manteve a cabeça fria e pilotou sem erros para levar o pódio. E que pódio! Dessa vez o Liberty Media trouxe para a cerimôna o ator Patrick Stewart (X-Men, Star Trek e outros).

O britânico estava entrevistando Ricciardo quando a galera no Canadá pediu que o australiano fizesse o famoso Shoey. Daniel atendeu ao clamor do povo e depois de jogar a sapatilha para o público, perguntou ao ator se ele queria fazer a brincadeira também. O resultado foi épico!

Até onde vai a paciência do Clã Verstappen?

Como todos sabem, Max Verstappen se estabeleceu como uma estrela da F1 no ano passado ao vencer na sua estréia pela Red Bull e fazer outras performances memoráveis como a do GP do Brasil. Tudo isso após uma polêmica transferência da Toro Rosso para o time principal, em que ficou evidente uma certa influência política do seu pai e de quem quer que seja ligado a ele na equipe Red Bull.

Todos achavam que Verstappen carregaria aquele momento incrível do fim de 2016 para essa nova temporada. Bom, tirando a excelente exibição na China, a verdade é que não está acontecendo. E não é culpa do piloto. Max tem feito sua parte, mas novamente foi traído por problemas de equipamento quando tinha chances reais de lutar pelo pódio.

Nas entrevistas após a prova, uma expressão do holandês chamou minha atenção: I’m fed up. Ou seja, estou de saco cheio!. A frustração é evidente, ainda mais depois de carregar tantas expectativas.

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Verstappen fez ultrapassagem incrível sobre Vettel na largada, e administrava um excelente segundo lugar quando uma pane elétrica minou sua prova após dez voltas. Holandês começa a demonstrar irritação com os seguidos problemas do equipamento (Reprodução)

Em Monaco, Verstappen reclamou veementemente sobre o que chamou de uma droga de estratégia, onde ele acabou sendo superado por seu companheiro de time. Nas últimas três provas, três pódios para Ricciardo, nenhum para o holandês.

Verstappen é jovem e tem plena confiança de que é championship material, logo, não vai se contentar por muito tempo com essa situação da Red Bull. Vamos ver que tipo de pressão ele e seus pares vão exercer sobre a equipe daqui para frente, e quem sabe até comecem a rolar conversas dele saindo da Red Bull.

Vai ser um longo ano para Christian Horner…

O clima esquentou na Force India

Mas se o negócio é falar de equipes rachadas, a Red Bull está só começando e ainda precisa aprender muito com a Force India.

Pois é, a equipe do infame carro rosa confia desde 2014 nos serviços do mexicano Sergio Pérez, que se tornou claramente uma liderança e desbancou o paparicado e superestimado Nico Hulkenberg. Bom, Hulk foi para a Renault e a Force India acabou trazendo o jovem francês Esteban Ocon.

Se você acha que os ânimos só estão exaltados na Red Bull é porque você não viu o clima que está na Force India, especialmente depois do dia no Canadá. Ocon abriu as asas em Montreal (Reprodução)

A princípio Perez parecia ter certo controle da situação, especialmente na tabela de pontos. Mas no Canadá Ocon mostrou um pouco mais do seu potencial. Enquanto Pérez estava na frente no começo e teve a prioridade de parar primeiro, o francês ficou na pista por muito mais voltas (Pérez parou na 18, Ocon na 32) e principalmente, mantendo excelente ritmo (chegou a estar em segundo e se manteve a frente de Bottas nessa fase da prova).

Após sua parada, o francês volta atrás de seu companheiro de time, mas o pressiona o tempo todo. Ciente da ameaça de Kimi Raikkonen, da remontada de Vettel, e vendo seus dois carros presas atrás de Ricciardo, o time sugeriu a Perez que invertesse posições, pois Ocon tinha pneus melhores e mais ritmo, e parecia ser capaz de tomar o pódio de Daniel.

Pérez não aceitou e o clima começou a ficar tenso. Raikkonen ficou para trás com problemas de freios, mas Vettel chegou rapidamente enquanto a dupla driblava retardatários. Era tudo ou nada e Ocon tentou um ataque, mas Perez se defendeu de forma dura. No fim, Seb superou os dois e restou uma disputa acirrada entre eles pelo quinto lugar.

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As Force India brigavam entre si e Vettel se aproveitou disso. Equipe de Vijay Mallya desperdiçou uma chance de pódio (Reprodução)

Melhor para o mexicano, mas o golpe psicológico claramente foi do francês. Ainda mais após a prova, quando Esteban questionou nas entrevistas o que considerou manobras defensivas desleais de seu companheiro de time. Para Ocon, Perez botou em risco todo o esforço do time naquele fim de semana. Ficaremos de olho nos próximos capítulos dessa briga.

Raikkonen não é mais um grande piloto (e as pessoas não querem enxergar isso)

Duas semanas atrás a F1 passou por Mônaco e um dos grandes assuntos daquela corrida foi uma suposta inversão de posições da Ferrari através da estratégia para prejudicar Raikkonen e favorecer Vettel.

Mas a verdade é que o finlandês não se ajudou muito, era mais lento do que Vettel e por isso sua estratégia não funcionou. No Canadá, algo parecido aconteceu. Seb largou mal e foi superado por manobra arrojadíssima de Verstappen. Só que o holandês não foi perfeito em seu ataque: sobrou uma lasquinha de pneu na asa dianteira do alemão que se viu obrigado a parar nos boxes logo nas primeiras voltas. Parecia uma corrida condenada.

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Vettel chega aos boxes com o lado direito da asa dianteira quebrado.  Alemão partiria rumo a ótima recuperação, enquanto Kimi tropeçava em suas próprias pernas novamente. (Reprodução)

Por sua vez, Raikkonen errava e era superado por Pérez, ficando atrás do mexicano até que a Ferrari lhe chamasse aos boxes para uma tentativa de undercut. Não adiantou, pois o mexicano fez sua troca duas voltas depois e retornou a frente do homem de gelo. Preso novamente, Kimi perdia tempo enquanto Vettel recuperava várias posições e se aproximava.

A Ferrari tentou  uma mudança na estratégia e fez uma nova troca de pneus para o finlandês, imaginando que com um jogo novo ele poderia bater os rosados. Só que essa manobra desagradou em cheio o narrador Sérgio Maurício, que considerou a tática um erro proposital. Segundo o locutor, a Ferrari estaria apenas tirando Raikkonen da frente de Vettel com um pit-stop desnecessário. Quando Sebastian fez uma nova troca, desmentindo sua teoria, Sérgio ficou visivelmente embaraçado (como de costume).

Não demorou para as Ferrari se aproximaram da dupla Force-Indica, mas Vettel era claramente mais rápido. De repente, Kimi passa reto ao errar uma freada e perde a posição para seu companheiro. Novamente a equipe do Sportv emanou ironias, alegando que era evidente que Raikkonen errou de propósito a pedido do time.

Mas o que se ouviu na sequência foram rádios do finlandês tentando resolver com o time um problema nos freios. O diálogo envolvia uma sequência de botões que deveria ser apertada por Kimi. Enfim, a maior prova de que Raikkonen realmente teve problemas é o fato de que ele despencou de rendimento e terminou a prova apenas dois segundos a frente de Nico Hulkenberg. Mais uma volta e provavelmente ele perderia essa posição.

Será que a Ferrari iria prejudicar Kimi a ponto dele correr o risco de ser superado pela Renault? Óbvio que não. Raikkonen é um dos pilotos mais populares da F1, um personagem caricato que destoa do politicamente correto. Por isso muitos torciam por sua vitória no principado e se sentiram enganados após a pole não se confirmar em vitória.

Mas a verdade é que já faz alguns anos que o Ice Man está fazendo hora extra na F1 e seus fãs não querem enxergar essa realidade. Como ele é superado por Vettel em praticamente todas as provas, essas pessoas começam a inventar essas teorias por não aceitarem os fatos.

Alonso joga todas as cartas e ensaia até um flerte com a Indy

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Alonso de novo, com a força do povo! Espanhol, mais uma vez conseguiu ser atração da prova mesmo correndo na frágil McLaren-Honda. E não se assuste, ele está ali no meio mesmo, basta procurar o capacete azul na galera (Reprodução)

Foi mais um fim de semana de frustração no cotidiano de Fernando Alonso e da McLaren. Logo no primeiro treino livre o carro quebrou rapidamente. O espanhol bateu na trave ao tentar passar para o Q3. Na corrida, chegou a estar em quarto por conta do andamento das paradas nos boxes. Lutava por um décimo lugar quando a duas voltas do fim, seu motor abriu o bico mais uma vez…

A reação do espanhol não poderia ter sido melhor: Fernando foi para a arquibancada, no meio da galera. Lá ele jogou suas luvas para o público e passou um trabalhão para voltar e pegar carona de volta para os boxes. Só que durante a prova as coisas não foram tão divertidas. Em diversos momentos o espanhol reclamou de forma acintosa com os engenheiros, alegando que estes não estavam lhe passando as informações realmente importantes. Também questionou a estratégia de pneus do time. Estava puto, em suma.

Durante o fim de semana no Canadá, Alonso revelou que pretende esperar até setembro, e se até lá a McLaren não ganhar uma corrida ele vai procurar outra equipe. A declaração chamou ainda mais atenção quando no sábado, ele participou da transmissão do GP do Texas da F-Indy, e conversou com Paul Tracy e Townsend Bell sobre suas possibilidades.

Quando perguntado pelos comentaristas se havia uma chance dele participar da temporada inteira da Indy, Alonso inicialmente hesitou, mas acabou respondendo: bom, porque não? Estou aberto a todas as possibilidades. Essa resposta empolgou bastante algumas pessoas, mas, sinceramente, não vejo qualquer chance de Alonso sair da F1 agora para ganhar um salário substancialmente menor na Indy. O espanhol está sim a usar todas as armas que tem para pressionar sua equipe.

Veremos o que ele vai ganhar com isso…

Correndo em casa, Stroll consegue os primeiros pontos

Muita gente pensou que não iria acontecer. Mas eis que Lance Stroll, diante de sua torcida, conseguiu pontuar pela primeira vez na F1. E temos que admitir, ele fez uma prova bem razoável. O canadense realizou algumas ultrapassagens, brigou com carnes de pescoço como Kevin Magnussen e fechou em nono lugar, a frente do muito mais badalado Romain Grosjean.

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Enquanto Stroll operava milagre e fazia seus primeiros pontos….(Reprodução)

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…Massa perdia a chance de somar os tais bons pontos num acidente na largada (TV)

Já o companheiro de Stroll, Felipe Massa, teve mais uma típica tarde no Canadá. O brasileiro parece ter um sapo enterrado só pra ele na pista, pois sempre que corre lá algum azar lhe acomete. Dessa vez a prova de Massa durou meia dúzia de curvas, nem isso.

Felipe tratava de evitar qualquer acidente no começo quando do nada foi acertado por um desgovernado Carlos Sainz, algo que acionou o Safety-Car inclusive. Eliminado da prova, Massa não escondeu sua frustração em ver uma corrida promissora (a Williams sempre demonstra competitividade nessa pista) destruída antes mesmo de começar.

Sainz fora de controle, Toro Rosso amadora

Falando no acidente de Massa, vamos ao causador do salseiro inicial…Carlos Sainz Jr. alegou que foi tocado por alguém quando perdeu o controle do seu carro na primeira volta. Como resultado, ele acabou batendo em Grosjean, rodou e se perdeu até o muro. No caminho, ele acertou Felipe Massa:

Após a prova, Grosjean foi até mais crítico sobre a atitude de Sainz do que o próprio Massa, maior vítima do incidente. Mesmo fechando a prova em décimo, o francês mostrou ressentimentos por um incidente do passado. Ele comparou a manobra de Sainz com seu acidente em Spa 2012. Na época, Romain foi suspenso por uma corrida pela manobra.

Quando questionado se estava sugerindo que Sainz também fosse suspenso ele desconversou:

– Não disse isso…mas foi a mesma manobra que eu tentei sobre Lewis, se ele me viu ou não, isso não importa, eu estava lá. Não estou dizendo que ele deveria ser suspenso, nem receber a grande multa que eu recebi. Estou dizendo que não gostei do comportamento dele e que foi muito perigoso, e ele deu sorte de não acertar ninguém na curva 3.

Não é o primeiro incidente de Carlos Sainz esse ano. Ele acertou Lance Stroll na saída dos boxes no Bahrein alguns meses atrás. Não sei se é o caso de uma suspensão, mas o espanhol realmente precisa colocar a cabeça no lugar.

O outro piloto da Toro Rosso também teve um domingo cheio de histórias. Danill Kvyat teve problemas na partida para a volta de apresentação e por conta disso, teria que largar dos boxes. Portanto foi uma grande surpresa ver o piloto andando em 10º nas primeiras voltas. Como ele havia conseguido?

Pois é, Kvyat não só NÃO largou dos boxes, como partiu do 11º lugar do grid! Ele passou os pilotos na volta de apresentação! O piloto ficar irritado com um problema antes mesmo da volta de apresentação, vá lá, é compreensível. Agora, como a Toro Rosso permitiu algo assim? Eles não avisaram seu piloto sobre a situação?

A regra é clara, já diria o universal Arnaldo Cesar Coelho. Kvyat tinha que partir dos boxes, jamais sair ultrapassando a turma e pegar seu lugar no grid. Durante a prova, por conta dessa Malandragem, o russo tomou duas punições: primeiro ele teve que cumprir um Stop & Go. Depois a direção de prova achou que ele deveria tomar dez segundos no tempo de prova, algo que o russo cumpriu em outra parada.

No fim, Danill abandonou com problemas no carro e xingou Deus e o mundo. Sobrou para todos os comissários, que segundo Kvyat: não tem um trabalho muito difícil, deveriam fazer melhor. E ainda sugeriu que eles andam dormindo durante a prova: acho que eles precisam tomar mais café.

Quis dar rasteira e acabou arrastado. Kvyat abusou da malandragem e se viu perdido em punições. Depois de abadonar, disparou contra quem visse, só não contra Putin, porque senão… (Reprodução)

Para recordar: Canadá, 2007

Bom, o para recordar de hoje poderia ser sobre a vitória de Jean Alesi em Montreal, 11 de Junho de 1995, exatamente 22 anos atrás. Só que a FOM acabou fazendo uma matéria bem legal sobre essa corrida, inclusive com Peter Windsor entrevistando o carismático francês:

Diante disso, optamos por uma corrida que também fez aniversário por esses dias. No clima da sexta vitória de Hamilton no Canadá, voltamos 10 anos no tempo para o dia 10 de Junho de 2007, quando o britânico fez sua primeira pole e venceu pela primeira vez na categoria máxima. Eram os dias de Alonso na McLaren, e todos apostavam no tricampeonato do espanhol, que acabara de vencer dois títulos consecutivos pela Renault.

Mas havia um jovem britânico, protegido de ninguém mais ninguém menos que Ron Dennis no caminho. Hamilton fazia um campeonato de estréia interessante até ali e liderava a tabela junto do espanhol após um polêmico GP de Mônaco, onde surgiram especulações de ordens de equipe para que o britânico não atacasse seu companheiro de time.

De qualquer forma, mesmo na liderança, faltava a vitória para Lewis. E ela veio no circuito Gilles Villeneuve. E de quebra o britânico conseguiu sua primeira pole também.

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Hamilton dividindo curva com Alonso em Montreal, 2007. Depois de um começo de ano surpreendente, faltava a vitória para Lewis, e ela viria no Canadá, depois de grande corrida (Reprodução)

Alonso partiu do segundo lugar no grid e tentou um ataque logo na primeira curva, mas passou reto e perdeu posição para Nick Heidfeld. O espanhol ainda danificou seu carro no processo, e teria uma longa tarde, passando reto outras três vezes na mesma curva para terminar em sétimo após uma punição.

Enquanto Hamilton dominava rumo a uma vitória tranquila, Robert Kubica sofria uma das pancadas mais impressionantes da história da F1. Ao chegar na curva que leva ao famoso hairpin, a BMW tocou na traseira da Toyota de Jarno Trulli e passou reto. Na grama, chegou a decolar indo diretamente contra o muro. O carro foi rebatido de volta para a pista e terminou destruído no muro do lado oposto, quase de cabeça para baixo.

De forma inacreditável, o polonês saiu praticamente ileso, apenas uma concussão e um tornozelo torcido. Por conta disso, esse acidente é considerado por muitos o grande teste superado pela célula de proteção criada para os carros.

Enfim, tudo que era para ser dito e re-dito, a F! tem novo compromisso nas estreitas ruas de Baku, para o GP do Azerbeijão, no próximo dia 23 de julho. É hora das férias da F1, e a esperança é de que a volta nas ruas azegues sejam bem melhores que as do último ano. Lembrando que a F-Indy tem encontro marcado na bela pista de Road América, em Elkhart Lake, no dia 25/06. E, no mesmo dia, as feras da MotoGP vão a Assen, para o GP da Holanda.

De volta a loucura aquática

E, para fechar o G&M, imagens da volta de uma antiga tradição do GP do Canadá. Depois de alguns anos, a cômica corrida de botes na antiga raia de remo da Ilha de Notre Dame voltou a ser promovida, trazendo aqueles risos perdidos entre os mecânicos e chefes de equipe nos tempos do ditador Ecclestone. A volta da competição foi uma bela cartada do diretor comercial do Liberty Media, Sam Bratches e que teve a coordenação de prova do, claro, do amado cabeça-branca Charlie Whiting.

Entre as equipes, apenas Ferrari, Force India e Mercedes não participaram (os limões do dia). E, acredite, a McLaren se reencontrou com as vitórias em uma temporada de F1, ao menos na água. Ela foi a vencedora da corrida maluca, seguida da Toro Rosso e da Sauber (melhor resultado do ano!) no pódio.

Se as coisas não vão bem na pista, ao menos nas águas a McLaren é uma força considerável. Eric Boullier até soltou uma brincadeira do tipo vencemos, agora o Alonso pode ficar na equipe. Que fase! Só rindo para não chorar.

Vamos a corrida… e até o próximo G&M!

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