Gramming & Marbles (Indy): Power vence em meio ao caos Texano

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A Indy no Texas foi um samba do crioulo doido. E feliz foi Will Power, que saiu vivo do terreiro (Reprodução)

(Douglas Sardo)

Após uma rodada dupla desinteressante em Detroit, máquinas e pilotos da F-Indy desembarcaram em Forth Worth, Texas, para a prova oval mais esperada do ano depois das 500 Milhas. O circuito Texano tem uma tradição fortíssima de grandes corridas, com acidentes impressionantes e principalmente disputas roda a roda até a linha de chegada.

E mais uma vez a pista de 1,455 milhas (cerca de 2,3 km) fez valer sua reputação. A prova foi insana, com vários acidentes, disputas incríveis, manobras arrojadas e surpreendente desempenho da Penske, que fez com que Will Power vencesse após apenas OITO carros sobreviverem.

Uma pena que a disputa tenha ocorrido num horário pouco interessante para o público brasileiro, sem contar o fato de a Band não ter transmitido a prova em canal aberto, apenas em seu pouco popular canal fechado. De qualquer forma, quem conseguiu ficar acordado das 21h da noite de sábado e varar a madrugada com certeza ficou satisfeito.

E fica a pergunta: porque essa corrida do Texas não é colocada imediatamente após as 500 Milhas, como era antigamente?

Power vence no Texas e Penske confirma vantagem em ovais curtos

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Você não está vendo coisas. É Charlie Kimball na pole mesmo, e a foto que parece ter vindo de uma realidade alternativa. Felizmente o carro dele quebrou e não houve sequer a chance de termos o desprazer de uma vitória desse gênio (Reprodução)

Com a Honda dominando a rodada dupla em Detroit e com a conhecida vantagem dos japoneses em pistas ovais, essa corrida no Texas era tida quase como uma barbada para o clã nipônico.

E essa previsão se confirmava com os resultados dos treinos classificatórios, onde Charlie Kimball levou a Ganassi para a pole-position. O barbeiro a serviço do velho Chip era seguido por outros sete carros da Honda. Somente em nono lugar aparecia um Chevrolet, com Will Power. Tudo indicava que seria mais uma prova frustrante para o time do Capitão. Mas não demorou muito tempo para a Penske virar a mesa…

Durante a prova, os carros de Tio Roger mostraram um ritmo surpreendente, e logo Josef Newgarden e Simon Pagenaud estavam lutando pela ponta. Will Power e Hélio Castroneves também mostravam excelentes desempenhos. O brasileiro porém, foi atrapalhado por James Hinchcliffe em lance bizarro nos boxes. Mesmo assim, Hélio fez recuperação estupenda e estava na luta pelo pódio quando um problema no pneu dianteiro direito o fez bater.

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Hinchcliffe falaria cobras e lagartos sobre Kanaan mais tarde. Mas olha a barbeirada que o próprio canadense deu para cima de Hélio Castroneves: rodada no pit-lane, prejuízo para o brasileiro (Reprodução)

Newgarden também foi acometido pelo azar em um pit-stop ruim que o jogou para o fundão. O piloto do #2 também fazia recuperação quando exagerou no fim da prova e acabou batendo, gerando uma das muitas amarelas que apareceram durante a tarde-noite texana.

Como Pagenaud não é um piloto conhecido por sua técnica em pistas ovais, não foi difícil para Will Power se manter a frente de seu companheiro de time, que na verdade fazia um trabalho de escudeiro. Com as Penske andando muito, a preocupação dos dois passou a ser sobreviver aos vários incidentes da corrida, incluindo o big-one causado por Tony Kanaan, onde 7 pilotos foram eliminados de uma vez só.

No fim, Power ainda se viu às voltas com os ataques de Scott Dixon, só que o neozelandês foi eliminado da prova após uma lambança de Takuma Sato. Esse acidente acabou jogando a bandeira amarela até o final da prova, estragando o que parecia ser um final espetacular.

De qualquer forma, vitória importante de Power, renascido no campeonato após um início de ano muito azarado. O abandono de Dixon foi bom negócio para todos, especialmente Castroneves.

Power cruzando a linha de chegada com o pelotão seguindo em ritmo de precaução. Corrida infelizmente terminou em bandeira amarela (Reprodução)

Os 10 Mais – Corrida

1 – Will Power (Penske-Chevrolet)
2 – Tony Kanaan (Ganassi-Honda)
3 – Simon Pagenaud (Penske-Chevrolet)
4 – Graham Rahal (RLL-Honda)
5 – Gabby Chaves (Harding-Chevrolet)
6 – Marco Andretti (Andretti-Honda)
7 – Conor Daly (Foyt-Chevrolet)
8 – Max Chilton (Ganassi-Honda)
9 – Scott Dixon (Ganassi-Honda)
10 – Takuma Sato (Andretti-Honda)
AB – Helio Castroneves (Pesnke-Chevrolet) – Acidente

Os 6 Mais – Campeonato

1 – Scott Dixon (326)
2 – Simon Pagenaud (313)
3 – Takuma Sato (312)
4 – Hélio Castroneves (305)
5 – Will Power (286)
6 – Graham Rahal (283)
8 – Tony Kanaan (264)

Kanaan massacrado

Pois é, como as coisas são engraçadas. Quando Lewis Hamilton deu suas alfinetadas no nível da Indy, Tony Kanaan foi um dos primeiros a se levantar e defender a honra da categoria…e agora ele é detonado.

Durante a prova no Texas o baiano esteve ligado no modo agressivo e atacou com manobras arriscadas. Até que durante uma luta com Hinchcliffe, o brasileiro mudou sua linha repentinamente, ensanduichando o canadense contra o russo Mikhail Aleshin. O resultado foi um big one que eliminou sete pilotos no ato.

E foi muito curioso ver a reação de algumas pessoas durante esse lance. O que mais se leu na vastidão da net foram coisas do tipo: lance de corrida, não vejo culpados. Bom, pergunte para os outros pilotos da Indy se eles concordam. Aliás, pergunte a Tony Kanaan, já que o próprio assumiu a culpa pela lambança.

Mas quando Takuma Sato exagerou no final da prova e provocou outro acidente (que não eliminou metade do grid, diga-se), imediatamente se viu coisas do tipo: Sato voltou ao normal. A boa e velha patriotada brasileira.

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Idiota, estúpido, imbecil…é, a lista de elogios para Tony Kanaan após o acidente no Texas foi grande (Reprodução)

Corrida de 2 Milhões de dólares

Ainda sobre a carnificina que houve no Texas, o grande Robin Miller, que segue a Indy há mais de 50 anos, fez uma estimativa de quanto prejuízo as equipes tiveram apenas nessa prova. Para você, caro leitor, ter uma ideia, o orçamento de um time de ponta da F-Indy está em torno de 15 Milhões de dólares, por baixo. Miller estimou que o prejuízo de todas as equipes somado chegou a 1,8 Milhões.

Claro, vários times estavam envolvidos e ninguém amargou toda o pacote sozinho. Mas se você pensar no caso da Dale Coyne, por exemplo, que teve o carro de Bourdais destruído em Indianápolis e agora vê seus dois carros envolvidos nessa confusão… Dá até para entender a postura do chefe de equipe, que durante a interrupção da prova chegou a ir até o carro de Tony para tirar satisfação com o #10 da Ganassi.

O chefe do time revelou que não fazia ideia de como eles iriam participar do teste agendado para a semana seguinte. E para aumentar o desgosto de Dale e de todos que foram prejudicados no lance, Kanaan se beneficiou das imprevistas paradas obrigatórias por conta do desgaste dos pneus, recuperou as duas voltas de atraso que tinha por conta das punições que sofreu e fechou a prova em segundo lugar!

Mas ele com certeza saiu com suas orelhas bem quentes…

O excelente desempenho de Tristan Vautier

Se a prova no Texas foi mais um dia de azar na temporada da Dale Coyne, pelo menos o carro mostrou novamente que tem pedigree de vencedor. Tristan Vautier chegou de supetão para correr pela equipe e por incrível que pareça o francês ficou boa parte da prova na luta pela vitória!

E olha que muito se falou sobre essa escolha. Alguns achavam que James Davison deveria ficar como piloto interino do time até o retorno de Bourdais. E você se lembra bem, Davison também teve um desempenho interessante nas 500 Milhas de Indianápolis.

Parece que esse carro é bom mesmo, e qualquer piloto que senta ali anda bem. Bem, quase todos. Infelizmente, Dale Coyne contratou Estéban Gutierrez como piloto fixo do carro #18, e nas provas em Detroit ele mal pegou top-10. Com tantos caras interessantes por aí…

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Vautier fez excelente corrida em Forth Worth. Infelizmente sua prova acabou como a de tantos outros, destruída na carambola criada por Tony Kanaan (Reprodução)

Oficina Mecânica Ed Carpenter

No meio de tanta destruição, um time se destacou. A equipe Carpenter teve seus dois pilotos envolvidos na carambola gerada por T.K. e parecia tudo acabado para Ed Carpenter e J.R. Hildebrand. Mas não é que depois de uma tapeada excelente dos mecânicos nos carros, os dois conseguiram completar a prova?

Tudo bem que eles fecharam com várias voltas de atraso por conta do tempo perdido nos boxes, mas não deixa de ser louvável o trabalho dos mecânicos desse time! Os caras operaram milagres no Texas, bem que eles podiam abrir uma rede de oficinas. Ou pelo menos receberem um aumento de salário…

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Ed Carpenter e aquele sorriso amarelo de quem sabe que vai ter que dar um aumento para esse batalhão ali atrás (Reprodução)

Gabby Chaves e a pequena Harding Racing

Se foi surpresa ver os carros da Carpenter fechando a prova, o quê dizer do quinto lugar de Gabby Chaves com a recém-criada equipe Harding? O time comandado por Mike Harding e dono do espólio da antiga KV Racing apostou no colombiano para suas primeiras participações na F-Indy e até aqui valeu a pena. Na estréia em Indianápolis, um nono lugar. E agora, após uma prova de sobrevivência no Texas, Chaves trouxe um belo quinto lugar para o time.

O começo é realmente promissor e a equipe deve participar também da prova no oval de Pocono, além de estar estudando a possibilidade de participar da temporada completa da Indy em 2018. Seria uma ótima notícia para aumentar em um ou dois carros o grid.

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Lá vem o Chaves! O Roberto Bolaños americano vai muito bem obrigado em sua empreitada com a novíssima Harding. No Texas, um bom quinto lugar sem querer querendo (Reprodução)

Foyt no buraco

A equipe de Dale Coyne tem muito a lamentar por conta dos azares texanos. Porém, eles ainda tem o alento de que o carro tem demonstrado excelente performance. Não se pode dizer o mesmo da equipe Foyt.

Mesmo numa corrida de tanto atrito, tudo que Conor Daly conseguiu foi um sétimo lugar. É uma lástima, pois no início do ano falamos aqui no G&M sobre como a temporada dessa equipe era promissora, agora que eles haviam trocado para o motor Chevrolet. Erramos feio (como em vários dos nossos chutes naquele texto de pré-temporada)!

Para começar, a Chevrolet nem de longe tem o mesmo domínio do ano passado e está sendo massacrada em pistas de rua, onde era bem competitiva em 2016. Além disso, tudo indica que a equipe do velho A.J. não se entendeu com o kit da montadora americana. Com um carro longe das regulagens ideais, Conor Daly e Carlos Muñoz, que até formam uma dupla interessante, viraram coadjuvantes de quinto escalão no grid.

Vamos ver se o time consegue uma reação em Road America, onde teoricamente os Chevrolet devem ser muito fortes.

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Muñoz e Daly: a dupla da Foyt talvez seja a mais apagada do grid até aqui (Reprodução)

Matheus Leist na transmissão

Quem acompanhou a corrida do Texas pelo Bandsports teve uma grata surpresa. Enquanto Felipe Giaffone marcava a pole-position na etapa de Campo Grande da Copa Truck, Téo José narrava a corrida da Indy ao lado do super Matheus Leist.

Pois sim, o guri gaúcho que é a grande promessa brasileira para entrar na Indy nos próximos anos fez uma ponta como comentarista na transmissão. E não é que ele mandou bem? Leist chamou atenção de quem assistiu a prova pelo seu jeito honestão. Por exemplo, ao traduzir os comentários dos pilotos após o big-one, ele não hesitou em repetir os xingamentos que Tony Kanaan estava recebendo por parte dos seus pares.

Além disso, o jovem piloto mostrou grande conhecimento técnico, especialmente no que tange às práticas de pilotagem em ovais.  Também pudera, o gaúcho se destacou na Indy Lights esse ano ao fazer a pole e vencer a prova no oval em Indianápolis! No momento, no campeonato de acesso da Indy, Leist aparece em sexto lugar no campeonato, com 121 pontos. O líder é o americano Kyle Kaiser, com 151.

Ficaremos de olho nesse que pode ser o continuador do legado brasileiro nas pistas americanas.

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Leist é a nova esperança do automobilismo brasileiro, tanto nas pistas, quanto na cabine dos comentaristas (Reprodução)

Indy vs. Hamilton Round 3

Parece que os fãs mais xiitas da Indy não vão esquecer tão cedo a desfeita de Lewis Hamilton por conta daquele comentário sobre o níve da categoria.

Durante o fim de semana no Texas os torcedores levaram um cartaz com os debochados dizeres: Hamilton gosta de Nickelback e chá sem açúcar. Caso o leitor não saiba, os caras do Nickelback tem a indesejável fama de serem a pior banda de rock do mundo, e vivem sendo trollados por todos os lugares onde tocam.

Melhor do que a faixa em si foi a resposta bem-humorada de Lewis. Parece que o britânico passa longe da turma que despreza o som do grupo canadense, e comentou no post do Instagram da IndyCar Series: How You remind me é um petardo.

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Os fãs da Indy tinham razão: Hamilton realmente gosta de Nickelback (Reprodução)

Emma Barraqueira Dixon

Mas nesses tempos de redes sociais, nem todo mundo anda contente. Algumas pessoas às vezes perdem um pouco a compostura, exageram na dose e acabam pegando pesado. É o caso da esposa de Scott Dixon, a sra. Emma Davies Dixon.

Faltando poucas voltas para o fim, Dixon lutava pela vitória contra Power, Pagenaud, Kanaan…e Sato. Só que o Samurai abusou da confiança após os sucessos recentes e acabou passando reto na grama em uma das curvas.

O resultado você acompanha no vídeo a partir de 2:30min:

Se alguns comentaristas trataram de dizer que o japonês tinha voltado ao normal, a esposa de Dixon foi muito menos polida. Ao ver o maridão sendo eliminado no final da prova a moça perdeu as estribeiras e foi correndo para o twitter, chamando o japonês de palhaço, e acusando-o de eliminar Dixon constantemente.

Emma já tem um certo histórico de aparições bombásticas na rede. Ficaremos de olho nos posts dela.

editado-Mulher do Dixon chama Sato palhaco

Com um pé quebrado e o palhaço do Sato constantemente batendo na gente…se conseguirmos o título nós vamos dar uma Rave Muito Quente e Tentadora! *(PHAT significa Pretty Hot and Tempting. Essa gíria é mais velha que o Chip Ganassi e ninguém mais usa, só a mulher do Dixon) (Twitter)!

E você achando que o clima entre os pilotos da Indy era muito melhor que o da F1. Zueiras à parte, a F-Indy retorna no dia 25 de Junho, na querida etapa de Elkhart Lake, na pista de Road America.

Promessa de grandes emoções, muitas ultrapassagens, muitos cartazes zuando Hamilton, muitos tweets da mulher do Dixon… Enfim, até lá!

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