Gramming & Marbles (Indy): Rahal domina rodada dupla em Detroit

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Detroit tem um novo rei: Graham Rahal sobrou na turma durante a rodada dupla nas bandas de Michigan (Reprodução)

(Douglas Sardo)

Desde que começou a ser disputada em 2013 a rodada dupla na cidade motor nunca havia tido um mesmo vencedor nas duas corridas. Mas eis que Graham Rahal saiu das trevas de onde estava escondido desde o início do ano para arrebatar tanto a corrida de sábado quanto a de domingo.

O resultado também estabeleceu o sétimo vencedor diferente da temporada em oito etapas. Como Rahal venceu as duas corridas, ele também se tornou o primeiro a vencer duas provas esse ano. Estritamente em termos de resultados, essa temporada da Indy é muito interessante. Porém, com a honrosa exceção das 500 Milhas de Indianápolis, até aqui não tivemos grandes duelos pela vitória.

O típico campeonato que é mais interessante de se acompanhar pela tabela de pontuação do que pela tela da TV, ou de um lugar na arquibancada.

Foi só mais um brilhareco de Rahal?

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Após várias provas sumido, Rahal detonou em Detroit. Será que ele pode lutar pelo título dessa temporada? (Reprodução)

Até essa rodada dupla em Detroit, Graham Rahal sequer havia ido ao pódio na temporada 2017 da F-Indy. Pior, somente em Long Beach e no mistão de Indianápolis ele conseguiu ficar no top-ten. Foi décimo na Costa Oeste e sexto em Indiana. Mas de repente ele aproveita a superioridade flagrante da Honda em pistas de rua para tomar de assalto Detroit e faturar as duas provas. Surpreendente. Do cara que mal chegava entre os dez melhores ao primeiro piloto a vencer duas vezes no ano.

Apesar de simpatizar demais com Bobby Rahal e sua empreitada, preciso reconhecer que Graham não é exatamente o herdeiro dos sonhos. Inconstante demais, comete muitos erros e some em diversos momentos. Não creio que essas vitórias sejam o início de uma reação que o levará a lutar pelo título. De qualquer forma, a próxima etapa será no Texas, onde ele venceu de forma espetacular ano passado. Será que ele consegue um hat-trick?

Hélio derrubado pela estratégia novamente

A derrota em Indianápolis foi dura, mas Hélio Castroneves não demonstrou abatimento ao ser o único carro da Chevrolet com reais possibilidades de vitória na prova de sábado. O brasileiro costuma ser muito forte no circuito de Belle Isle e estava na cola de Graham Rahal na primeira parte da corrida.

Mas aí apareceu um velho inimigo dos últimos anos: as estratégias de Roger Penske… Parece que o Capitão não dá uma dentro quando o assunto é tática. Dessa vez ele colocou Helinho para fazer três paradas… E ele não só perdeu a chance de lutar pela vitória como ainda terminou apenas em sétimo, graças ao pit extra.

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Tio Roger fazendo um churrasco calculando a estratégia de Hélio no computador da Penske (Reprodução)

A corrida de domingo foi ainda pior para o brasileiro, que furou um dos pneus em tentativa mal sucedida de ultrapassagem sobre Ryan Hunter-Reay logo na volta nove. Pelo menos dessa vez Hélio e Roger acertaram a tática e o brasileiro saiu de um baita buraco para fechar em nono. Por tabela, Castroneves ainda manteve a vice-liderança do campeonato, 8 pontos atrás de Scott Dixon.

Os 10 Mais – Corrida 1 (Sábado)

1 – Graham Rahal (RLL-Honda)
2 – Scott Dixon (Ganassi-Honda)
3 – James Hinchcliffe (Schmidt Peterson-Honda)
4 – Josef Newgarden (Penske-Chevrolet)
5 – Alexander Rossi (Andretti Herta-Honda)
6 – Mikhail Aleshin (Schmidt Peterson-Honda)
7 – Hélio Castroneves (Penske-Chevrolet)
8 – Takuma Sato (Andretti-Honda)
9 – Ed Jones (Dale Coyne-Honda)
10 – Spencer Pigot (Carpenter-Chevrolet)
15 – Tony Kanaan (Ganassi-Honda)

Os 10 Mais – Corrida 2 (Domingo)

1 – Graham Rahal (RLL-Honda)
2 – Josef Newgarden (Penske-Chevrolet)
3 – Will Power (Penske-Chevrolet)
4 – Takuma Sato (Andretti-Honda)
5 – Simon Pagenaud (Penske-Chevrolet)
6 – Scott Dixon (Ganssi-Honda)
7 – Alexander Rossi (Andretti Herta-Honda)
8 – Charlie Kimball (Ganassi-Honda)
9 – Hélio Castroneves (Penske-Chevrolet)
10 – Tony Kanaan (Ganassi-Honda)

Os 6 Mais – Campeonato

1 – Scott Dixon (303)
2 – Hélio Castroneves (295)
3 – Takuma Sato (292)
4 – Simon Pagenaud (278)
5 – Josef Newgarden (259)
6 – Graham Rahal (251)

Mesmo de ressaca da Indy 500, Sato faz pole no domingo

Takuma Sato chegou literalmente pregado para a rodada dupla em Detroit. Também pudera, o japonês acabou de se consagrar na história do automobilismo mundial ao vencer as 500 Milhas de Indianápolis e a galera já manda ele correr de novo no fim de semana seguinte? E duas vezes ainda? Até o Jiraiya precisa de descanso ás vezes!

Mas se você pensa que Takuma ficou longe dos holofotes está enganado. No sábado ele realmente não fez grande coisa e terminou apenas em oitavo lugar. Mas no domingo, depois de toda a farra regada a leite e saquê da semana, o cara arranja uma pole-position!  A vitória não veio, é verdade, mas o quarto lugar foi um belo resultado depois dessa semana maluca que ele viveu.

E quer saber? Sato é o terceiro colocado do campeonato!

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Movido a saquê (e leite). Ninguém segura o Samurai Voador! (Reprodução)

Dixon e Ganassi: liderança, mas sem vitórias

Falando em campeonato, a liderança continua nas mãos de Scott Dixon. O neozelandês faz uma campanha extremamente consistente até aqui. O segundo lugar no sábado em Detroit foi o quarto pódio do #9 em oito etapas.

Porém, o veterano segue com um certo incômodo: apesar de toda essa regularidade, Dixon ainda não venceu em 2017. Ele tinha boas chances em Indianápolis com a pole-position mas tudo acabou naquele tenebroso acidente. Em Detroit ele também lutou, mas Rahal aguentou a pressão e venceu no sábado. Na prova de domingo Dixon teve que se contentar com o sexto lugar.

No próximo fim de semana a Indy corre no oval do Texas, onde os Honda devem ser muito fortes novamente. Mais uma chance para o tetracampeão vencer pela primeira vez em 2017, fortalecendo ainda mais sua excelente campanha.

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Dixon e aquele olhar desconfiado de quem é líder, mas ainda não viu a cor da vitória esse ano. (Reprodução)

O duro caminho para a Chevrolet

A marca da gravatinha vive um momento complicado na temporada. Com a Honda tomando conta dos ovais e das pistas de rua em 2017, só sobrou os mistos para a montadora americana. Portanto a sequência de provas agora é extremamente desfavorável à Penske e outras equipes com motor Chevy.

500 Milhas, Rodada dupla em Detroit, Texas, Road America, Iowa, Toronto, Mid-Ohio, Pocono, Gateway. De todas essas 10 etapas, apenas em Road America e Mid-Ohio eles serão favoritos a meu ver. As outras ou são pistas de rua ou ovais.

Somente no final da temporada teremos uma sequência de duas provas favoráveis ao kit da Penske: Watkins Glen e Sonoma são mistos que devem casar muito bem com os carros do capitão. Se Simon Pagenaud quiser manter seu título ele vai ter que minimizar muito bem os prejuízos nessa sequência e chegar em condições competitivas nas duas últimas provas. O mesmo vale para Castroneves, melhor piloto da Chevrolet até aqui.

Outro fator que pode salvar o barco da fabricante é a briga interna na Honda. Enquanto na Chevy só a Penske tem mostrado serviço (a Foyt até aqui não disse a que veio e a Carpenter só corre bem em ovais, onde de qualquer forma a Honda dá as cartas) nas bandas nipônicas vários times lutam pela supremacia: a Ganassi ainda não venceu mas Dixon é extremamente consistente. A Andretti faturou as 500 Milhas e têm sido muito forte nos ovais. A Dale Coyne venceu com Sebastien Bourdais no começo do ano e se não fosse o acidente em Indy ele estaria lutando na frente. A Schmidt Peterson já ganhou com James Hinchcliffe e agora a RLL dominou a rodada dupla em Detroit.

Para a Chevrolet, quanto mais os Hondas dividirem as vitórias entre eles, melhor.

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Nas bandas da Chevrolet, faltam uns cavalinhos nos ovais…e alguma coisa nos circuitos de rua (Reprodução)

Gutiérrez convocado pela Dale Coyne

Foi com certa surpresa que o paddock reagiu a notícia de que o mexicano Esteban Gutiérrez é o novo contratado da Dale Coyne. Após o acidente de Sébastien Bourdais o time teve que se desdobrar para achar uma opção. Como mostramos aqui no post sobre os one-offs, a escolha de James Davison não agradou muita gente que acompanha a categoria.

Porém, se Davison não foi um sucesso de público, ninguém pode negar que ele fez uma prova razoável. Até liderar duas voltas ele conseguiu. Por isso todos imaginavam que ele poderia ficar no lugar de Bourdais até o fim do ano.

Mas parece que o velho Dale Coyne está a fim de frustrar as expectativas da galera. Eis que ele anuncia Esteban Gutierrez, de passagens tenebrosas pela Sauber e Haas, onde adquiriu a lamentável alcunha de Guti-Erros.

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Será que eu botei o cara certo dentro dessa bagaça? Pensa o velho Dale (Reprodução)

Dale Coyne declarou que gostaria de tê-lo em todas as provas até o fim do ano, mas ele não poderá participar, por exemplo, do oval do Texas, já que não tem experiência nesse tipo de pista e a Indy está com as sessões de treinos fora do fim de semana de corrida bloqueadas. Sendo assim, em Forth Worth veremos o francês Tristan Vautier com o carro #18. Ele que foi campeão da Indy Lights em 2012 e fez a temporada de 2013 da Indy pela Schmidt Peterson além de ter corrido em 2015 para o próprio Dale Coyne.

Veremos então se Gutierrez consegue alguma coisa na Indy, ele que até então corria na Fórmula E, pela equipe Techeetah. Em Detroit ele conseguiu apenas um 19º e um 14º lugares.

O ano da Dale Coyne, que parecia tão promissor, segue ladeira abaixo, infelizmente.

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Tirando as provas ovais, Gutierrez vai comandar o bólido de Sebastian Bourdais. Escolha de qualidade duvidosíssima de Dale Coyne. (Reprodução)

Melhor novato da Indy 500 gera polêmica

A poeira das 500 Milhas de Indianápolis baixou, mas alguns assuntos continuam rendendo. Além de contratar pilotos que desagradam o público, Dale Coyne também não concorda com a opinião da mídia.

Todo ano acontece a votação do Rookie of the Year e os jornalistas escolheram Fernando Alonso como o melhor novato da prova, apesar de o espanhol ter abandonado. Dale Coyne não curtiu. Ele achou injusto pois Ed Jones, o novato de seu time, fez uma boa prova também e completou a corrida em terceiro lugar.

O assunto dividiu opiniões. Algumas pessoas ficaram com a impressão de que a escolha acabou sendo influenciada pelo massivo impacto de marketing que a participação de Alonso trouxe. Para essas pessoas o resultado de Jones não poderia ser menosprezado na votação.

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Ed Jones, para muitos, foi o melhor novato das 500 Milhas. (Reprodução)

Por outro lado, Jones alcançou o pódio de forma meio fortuita, no meio de tantas confusões que a corrida teve e jamais se aproximou do ritmo dos líderes ou da performance que Bourdais tinha com o carro antes de seus acidente. Além disso, Alonso mostrou um ritmo fantástico durante a prova, e parecia ter chances de lutar até por uma vitória.

E você, achou a escolha justa?

Lewis Hamilton é o piloto predileto de nove entre nove pilotos da Indy

Se Alonso irritou Dale Coyne ao ganhar o prêmio de Rookie of the Year, tem outro piloto na F1 que está irritando o grid inteiro da Indy. As declarações de Lewis Hamilton sobre o nível da categoria chegaram aos ouvidos dos pilotos nos EUA. E teve resposta.

Tony Kanaan foi o primeiro a se manifestar. Durante a cerimônia de premiação das 500 Milhas o baiano elogiou a humildade de Alonso, e aproveitou para alfinetar: ao contrário de um outro companheiro seu de lá. E ainda mandou essa alfinetada: ele (Hamilton) perdeu um campeonato de dois pilotos ano passado.

No fim de semana de Detroit, foi a vez de Graham Rahal aproveitar os microfones de sua vitória para disparar contra o britânico:

Eu tive que me controlar para não falar nada antes e concluiu: posso imaginar como deve ser chegar no fim de semana de corrida sabendo que tudo que eu tenho que fazer é derrotar meu companheiro de time, mas isso não acontece aqui (na Indy), então foi gratificante ter um dia como o de hoje. E pra ser bem sincero: se eu colocar Scott Dixon numa Mercedes, Lewis vai ter mais trabalho do que ele gostaria, com certeza. Talvez não comigo, mas com Dixon sim.

Nesse clima maroto de provocações, vamos nos despedindo. Ainda hoje, o relato da última etapa da Indy no Texas, pista onde geralmente temos disputas acirradíssimas.

Até lá (ou melhor, Até daqui a pouco)!

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