Gramming & Marbles (MotoGP/Le Mans): Depois da Catalunha, Dovizioso briga pelo título?

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Dovi vai para Assen com duas vitórias seguidas, mas se diz fora da briga pelo campeonato. Será mesmo depois da baita prova em Barcelona? (Reprodução)

(Douglas Sardo)

O italiano da Ducati diz que não, mas após sua segunda vitória consecutiva Andrea Dovizioso está apenas 7 pontos atrás de um Maverick Viñales às voltas com a Yamaha um tanto perdida, um Valentino Rossi baleado e especulações de um retorno para a M1 de 2016. A Honda também não vive um grande momento com Marc Márquez 23 pontos atrás do líder.

Em um campeonato onde os desempenhos estão bastante condicionados a adaptação aos polêmicos pneus Michelin, não é impossível que um azarão chegue forte na reta final da temporada.

Sendo assim, analisamos as chances de Dovi nessa maluca temporada de 2017. E, de quebra, uma nota especial sobre o que foi as 24h de Le Mans deste ano, com mais uma vitória da Porsche para o quadro de troféus da casa de Stuttgart e um triunfo brasileiro em uma das categorias da mais antiga e desafiadora das corridas.

Dovizioso – título possível

O riso anda solto pelos lados vermelhos. Mesmo com um inicio de temporada difícil, a Ducati é uma das cabeças do campeonato, e o mais surpreendente: com quem, teoricamente, seria o coadjuvante. Mas, será que é pra valer? (Reprodução)

A temporada 2017 da MotoGP se tornou imprevisível. Antes das motos roncarem no Catar em Março, a batalha entre Maverick Viñales e Marc Márquez se anunciava. E agora, chegando na metade do ano, Márquez está 23 pontos atrás de Viñales e a Honda não parece na melhor forma. E a bem da verdade, o próprio Viñales não vive um grande momento.

Se você não viu a prova na Catalunha, as Yamaha passaram a tarde capinando sentadas, jamais tiveram ritmo para sonhar com o pódio e tiveram que administrar uma situação problemática de desgaste de pneus. Rossi fechou em oitavo, Viñales em décimo e algumas pessoas começam a se perguntar se não está na hora dos comandados de Lin Jarvis trazerem a moto de 2016 de volta à ativa, diante dos problemas do modelo 2017.

Nas garagens da Honda o clima também não é excepcional. Marc Márquez caiu incontáveis vezes durante o fim de semana tentando achar o ritmo ideal, e apesar de tanto esforço nunca esteve plenamente satisfeito com os pneus. Por sua vez, Dani Pedrosa fez a pole e parecia em condições de vencer novamente. O próprio Márquez apontava certo favoritismo para seu companheiro de equipe… mas alguém da Ducati tinha outras ideias.

Andrea Dovizioso largou do sétimo lugar, fez uma corrida perfeita e escalou até o segundo posto, de onde esperou pacientemente a oportunidade certa para ultrapassar Pedrosa. Ela veio após nove voltas de estudo e a partir de então Dovi tratou de cuidar dos pneus (fator crucial) para vencer pela segunda vez consecutiva em 2017.

Do piloto que ficou mais de seis anos sem vencer, para o cara que ganha duas provas a fio. O mundo dá voltas interessantes…

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Dovizioso estragou a festa espanhola na Catalunha. (Reprodução)

Nas entrevistas, o italiano fez questão de tirar qualquer pressão sobre si com o típico discurso do não temos chance de título, foram duas corridas atípicas. De certa forma, Dovizioso tem razão. As vitórias da Ducati tiveram a ver com a melhor adaptação dos pneus (especialmente na Catalunha) onde o calor gritante da Espanha somado com as péssimas condições do circuito colocaram a Michelin contra a parede. As gomas francesas não estavam dando conta do recado e por conta disso ninguém pôde realmente andar no limite, apenas no limite do pneu.

A Desmosedici é uma moto com grande potência graças ao canhão V4 da Ducati. Mas eles tem grandes dificuldades nas curvas de média velocidade pois a entrega de potência é muito brutal em baixas rotações, deixando os seus pilotos sem a mesma fluidez de uma Yamaha, por exemplo.

Mas num cenário em que a aderência das curvas era baixíssima por conta da degradação da borracha, ninguém conseguia uma diferença de performance relevante nas curvas, logo a potência em linha reta falou mais alto. Isso explica também porque as Ducati andaram tão bem na chuva ano passado.

Portanto essa é a janela de vitória para a Ducati, pelo menos por enquanto. Mesmo com Dovizioso dizendo que não tem chances, a verdade é que ele está apenas sete pontos atrás na tabela. Não dá para dizer que ele é carta fora do baralho. A questão agora é quais as chances dele nas próximas provas.

Olhando para o calendário, podemos dizer que os italianos podem ser otimistas sobre pelo menos quatro das 11 provas restantes. Pode parecer pouco, mas se colocarmos nessa balança o fato de que Honda e Yamaha vão se digladiar por vitórias onde os Ducatistas não serão tão fortes, podem acontecer combinações de resultados favoráveis a Dovizioso.

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Em outras épocas poderíamos cravar Rossi como o favorito para a corrida na Holanda. Mas o Doutor não está em suas condições físicas ideais. (Reprodução)

As próximas três corridas serão cruciais. Assen, na Holanda, é uma das provas favoritas de Valentino Rossi, mas o Doutor não está em grande forma, ainda se recuperando do acidente de Motocross. Pensando no campeonato, seria bom para Dovizioso uma vitória de Rossi com ele chegando na frente de Viñales, ou próximo.

Na Alemanha, Sachsenring é território de Marc Márquez. La Hormiga não perde uma corrida lá desde 2009 quando ainda guiava na 125cc. Esse também foi o último ano que um piloto não-Honda venceu lá, com Rossi arrebatando a prova com a Yamaha.

Brno, na República, Tcheca deve ser uma briga entre Yamahas e Hondas. Se Dovizioso pontuar bem nessas provas e Viñales não ganhar nenhuma delas, o italiano chega na Áustria em boas chances, e numa pista onde a Ducati sobrou no ano passado e deve sobrar de novo esse ano graças as retas em abundância do Red Bull Ring. Depois teremos novamente uma sequência de três provas onde Honda e Yamaha devem dar o tom, Silverstone, Misano, e Aragon. E aí uma trinca favorável à Ducati, com Suzuka (retas longas), Phillip Island (desgaste de pneus) e Sepang (Retas).

A última prova é em Valência, novamente mais para Hondas e Yamahas. É difícil, mas não é impossível. E é bom lembrar: foi nessa fase do campeonato que tivemos várias corridas com chuva no ano passado. Até aqui tivemos pista molhada apenas no Catar, e somente antes da prova começar. Mesmo assim, Dovizioso lutou até o final pela vitória naquele dia. Ou seja, se chover em alguma dessas provas, ele vai ser muito forte.

Podemos estar fazendo uma matemática simples aqui, mas a Ducati está viva e muito bem nesse campeonato, e pode lutar pelo título, quem diria, sem depender de Jorge Lorenzo para tanto.

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Luigi Dall’lgna e Dovizioso: é melhor ficar de olho nessa dupla. (Reprodução)

Os 10 Mais – Catalunha

1 – Andrea Dovizioso (Ducati)
2 – Marc Márquez (Honda)
3 – Dani Pedrosa (Honda)
4 – Jorge Lorenzo (Ducati)
5 – Johann Zarco (Tech 3-Yamaha)
6 – Jonas Folger (Tech 3-Yamaha)
7 – Álvaro Bautista (Aspar-Ducati)
8 – Valentino Rossi (Yamaha)
9 – Héctor Barberá (Avintia-Ducati)
10 – Maverick Viñales (Yamaha)

Os 6 Mais – Campeonato

1 – Maverick Viñales (111)
2 – Andrea Dovizioso (104)
3 – Marc Márquez (88)
4 – Dani Pedrosa (84)
5 – Valentino Rossi (83)
6 – Johann Zarco (75)

A pressão é grande, mas Lorenzo vai se encontrando na Ducati

Duas vitórias seguidas de Dovizioso. E duas provas seguidas em que Jorge Lorenzo liderou no início para perder rendimento no final. Pois é, o espartano viveu na Catalunha um roteiro parecido com o de Mugello, só que com um final um pouco diferente dessa vez. Após despencar para o oitavo lugar, o #99 conseguiu um ritmo incrível no fim da prova e recuperou várias posições. O espanhol parece ter cuidado melhor dos pneus no miolo da corrida e tinha alguma sobra para um ataque derradeiro. Funcionou.

É cedo para dizer que Lorenzo está sentindo algum tipo de pressão pelo sucesso de Dovizioso nas últimas etapas, mas não dá para negar que o espanhol vem melhorando a cada corrida, buscando se entender com uma moto que exige uma reeducação de sua pilotagem. Como o próprio Lorenzo disse: você não aprende um novo idioma em duas semanas.

Começo a achar que ele ganha uma corrida até o final do ano. Porém, não há duvidas de que um hipotético título de Dovizioso nessa temporada seria ruim demais para a reputação de Jorge.

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JL99 está crescendo de produção na Ducati. Só não contava com o sucesso absurdo de Dovizioso para complicar ainda mais sua vida em Bologna. (Reprodução)

Reação da Honda frustrada

Tinha tudo para ser um dia da Honda na Catalunha. Correndo em casa, Marc Márquez esperava conseguir a reação necessária para voltar ao campeonato. A chance apareceu, com as Yamaha tendo mais um fim de semana de apagão.

Só que logo de cara La Hormiga percebeu que seria difícil, pois quando o desgaste de pneus é um fator relevante a balança se vira para a outra Honda. Dani Pedrosa é sempre muito forte nessas condições graças a seu estilo mais suave, além de ser um dos pilotos mais leves do grid. Márquez arriscou tudo para conseguir a pole, sofrendo no processo uma série incrível de quedas. No fim, Pedrosa levou a melhor.

Mas a corrida reservava uma história diferente, com Marc conseguindo ultrapassar seu companheiro pelo segundo lugar no fim da prova. A vitória porém, não veio. Pelo menos Márquez mostrou bom humor ao sofrer tombos propositais no pódio para ironizar seu fim de semana.

Se os pneus Michelin continuarem apresentando esse nível de desgaste, ele vai precisar de bastante bom humor por sinal…

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Rindo da própria desgraça: após cair 793 tombos em Barcelona, Márquez fingiu uma queda durante o pódio. (Reprodução)

Folger sofre nas mãos de Zarco

Parecia que o fim de semana da Catalunha seria diferente para Jonas Folger. Após várias corridas na sombra do fenômeno francês Johann Zarco, eis que o alemão andou na frente nos treinos, além de ver o francês ficar no Q1. Na prova, a história seguia a favor do tedesco até que Zarco conseguiu se aproximar na reta final. O francês levou a melhor no duelo e mais uma vez terminou como a melhor Yamaha da Tech 3.

Folger não causou grande impacto na Moto2, mas foi bem nos testes de pré-temporada e parecia ter potencial para rivalizar um pouco nesse momento. Mas Zarco vai se revelando um fora de série, daqueles que consegue um bom resultado mesmo quando não faz uma grande corrida.

Será difícil para Folger se destacar se as coisas seguirem nesse ritmo.

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Vida dura: Folger vem sendo sistematicamente massacrado por Zarco. (Reprodução)

Yamaha nega retorno a moto de 2016

Após a desastrosa corrida em Barcelona, a Yamaha vive um momento de certa confusão. Olhando pelas declarações dos pilotos, é perceptível que Viñales e Rossi tem ideias diferente sobre o desenvolvimento da moto: o espanhol parece mais satisfeito com o conjunto, apesar de reconhecer as sérias dificuldades que o time enfrentou em pistas como Jerez e Catalunha. Já o italiano está num tom mais crítico. Uma frase em especial de Rossi chamou a atenção: Viñales gosta dessa moto porque não conhece outra Yamaha.

Com a M1 2017 apresentando sérias dificuldades no trato dos pneus em certas pistas, alguns consideram possível que a fábrica retorne para a moto de 2016, a mesma usada pela equipe Tech 3. Engenheiro de Rossi, Silvano Galbusera desmentiu essas especulações, mas as declarações do doutor deixam uma certa duvida no ar.

O fato é que a Yamaha tentou corrigir um problema de falta de tração na roda traseira na parte final das provas, mas parece que o tiro saiu pela culatra. A nova moto está moendo os pneus. E Rossi já deixou bem claro em outras oportunidades que para ele, a moto da Tech 3 é melhor.

É bem possível que já estejamos vendo Rossi a pressionar o time para voltar com a M1 2016.

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Galbusera e Rossi: piloto italiano não está nada contente com a Yamaha 2017. (Reprodução)

Michelin ou circuito da Catalúnia, quem foi o culpado?

O quê mais se ouviu após o fim de semana em Barcelona foram pilotos criticando a Michelin. Alguns, como Cal Crutchlow, chegaram a apontar que a fábrica tem problemas com seu controle de qualidade. O britânico ainda postou foto debochada no Instagram. Marc Màrquez foi outro que criticou os pneus dianteiros de Clermont. Rossi também não mostrou muita satisfação após suar para conseguir apenas um oitavo lugar.

Olhando assim de fora, a impressão que dá é que os pilotos estão se aproveitando de algumas circunstâncias para pressionar a fabricante e conseguir vantagens. Semanas atrás, Jorge Lorenzo apontou esse tipo de prática. E agora, Cal Crutchlow diz que a Michelin favoreceu a Ducati.

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Bibendum em apuros: pneus da Michelin ainda não caíram nas graças do pessoal da MotoGP e são alvos de críticas novamente. (Reprodução)

A fabricante de pneus não deixou barato. O diretor Nicolas Goubert rebateu as críticas de Crutchlow dizendo que o piloto britânico sempre reclama.

Talvez o problema não sejam exatamente os pneus. Quem acompanhou de perto o fim de semana em Barcelona lamentou o estado da pista. O asfalto estava detonado, pedindo arrego mesmo. E esse possivelmente foi o grande problema dos pneus. A própria Michelin declarou que a pista da Catalunha virou o maior desafio da temporada, mais difícil até do que Phillp Island.

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Crutchlow no Instagram: com foto de sua bicicleta, testando o novo pneu dianteiro da Michelin. (Reprodução)

Ânimos ruins na Aprilia

A equipe mais querida do G&M vive um momento complicado. A Aprilia apostou em Aleix Espargaró para conduzir o desenvolvimento da moto e trouxe Sam Lowes da Moto2 como jovem promessa.

Até aqui, podemos dizer que o desempenho evoluiu com Espargaró. Mas problemas de confiabilidade impedem vôos mais altos. Já são três abandonos consecutivos. Nos treinos a equipe tem seguidos problemas com o motor. A paciência do espanhol começa a se esgotar. Ainda mais quando ele vê o tratamento que o time vem dando a Lowes.

O britânico de 26 anos é uma das grandes decepções da temporada. Vindo de um ano com duas vitórias e o quinto lugar geral na categoria intermediária, Lowes tem apenas 2 pontos até aqui e a Aprilia já começa a ventilar possíveis substitutos. Espargaró reagiu ao que considerou falta de respeito com um piloto que venceu no ano passado.

Aleix brabo ou não, já se fala em Andrea Iannone rompendo com a decadente Suzuki e desembarcando na Aprilia para a próxima temporada.

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Sam Lowes vive péssimo momento na Aprilia. (Reprodução)

Álex Márquez vence e domínio de Morbidelli vai desaparecendo na Moto2

O que parecia impossível está acontecendo. Franco Morbidelli era o favorito indiscutível na Moto2, com uma larga vantagem na tabela e vivendo um momento excelente no início do ano com quatro vitorias em cinco corridas, incluindo três triunfos seguidos.

Mas nas últimas duas provas o italiano conseguiu apenas um quarto e um sexto lugares. A vantagem que chegou a ser de 21 pontos agora é de apenas 7 para o suíço Franco Luthi, que faz um campeonato de pura regularidade, sem nenhuma vitória e tendo liderado poucas voltas até aqui. E não é apenas Luthi que incomoda. Álex Márquez, companheiro de Morbidelli na equipe de Marc VDS, venceu de forma dominante em Barcelona e parece cada vez mais rápido e confiante.

Morbidelli pode ter complicado algo que parecia fácil.

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Enquanto Morbidelli parece não se achar mais nos acertos da moto, o Márquez 2.0 vai ganhando força. Vitória dominante na Catalunha. (Reprodução)

Mir segue soberano na Moto3

A Moto3 vive um paradoxo. O campeonato mais previsível com as corridas mais imprevisíveis. O espanhol Joan Mir venceu pela quarta vez em sete provas no ano e já acumula uma vantagem de 45 pontos para Romano Fenati.

Mir caminha a passos largos rumo ao título. Olhando pela tabela de classificação, você diria que se trata de um campeonato chato. Mas quando você olha as corridas…

É inacreditável o que os rapazes das motinhos fazem. Em Barcelona, para se ter uma ideia, os seis primeiros chegaram separados por menos de um segundo. Um festival de ultrapassagens de pilotos extremamente arrojados. Dá gosto de ver a Moto3. É o oposto da F-Indy, que é um campeonato legal na tabela de classificação, mas sem grandes corridas.

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Joan Mir liderando na Moto3: a única coisa previsível da categoria. (Reprodução)

24 Horas de Le Mans – Porsche pela 19ª vez após várias surpresas

Mais uma vez os corações pulsaram de emoção em La Sarthe para viverem a mais tradicional prova de Endurance do automobilismo. E mais uma vez o sonho da Toyota foi adiado. De nada adiantou a pole fantástica do sushiman Kamui Kobayashi, quase dois segundos mais rápida que o recorde de 2015. Os Corollões morreram na praia novamente.

Com a Toyota fora do páreo, a Porsche parecia a favorita, mas eles também tiveram vários problemas. Em determinado ponto da prova, parecia que a zebra máxima iria acontecer com a vitória de um carro da categoria LMP2 (Protótipo de Le Mans 2), o que seria mais ou menos o equivalente a um carro da GP2 ganhar uma corrida de F1.

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Stéphane Sarrazin, Kamui Kobayashi e Mike Conway recebem a placa comemorativa das mãos de Marine Métairie, a Miss Le Mans 2017. A pole histórica de Kobayashi vai ser a única recordação positiva de 2017 para a Toyota. Foi mais um dia de quebras e frustrações para a montadora que segue sua sina de não vencer em Le Mans. (Reprodução)

O mais legal é que o carro em questão, guiado por Thomas Laurent, Ho-Pin Tung, e Olivier Jarvis era da equipe de ninguém mais ninguém menos do que o super Jackie Chan, ator, acrobata e um faz-tudo diante das câmeras que está se aventurando no mundo das corridas de endurance.

Mas a vitória do trio Timo Bernhard, Brendon Hartley e Earl Bamber não foi menos impressionante do que essa possível zebra. O Porsche #2 chegou a estar 19 voltas atrás do líder após um problema no motor que o fez ficar parado nos boxes por uma hora. Os três pilotos não desistiram e foram em busca de uma recuperação histórica.

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Chase Carey deu a partida em Le Mans. Sinal de paz entre a F1 e o Endurance? Parece que sim. (Reprodução)

É verdade que foram bafejados pela sorte quando o Porsche #1 de Nick Tandy, André Lotterer e Neel Jani quebrou na liderança, cedendo a ponta para o carro da equipe de Jackie-senpai. Mas não diminuiu o tamanho do feito de uma equipe que chegou a estar nas últimas posições e teve que andar 10s mais rápido por volta para passar e vencer. Um grande feito.

O time de Jackie Chan saiu felicíssimo com o segundo lugar geral e a vitória na LMP2. E ficou ainda mais contente com a posterior desclassificação do trio Nelson Piquet Jr, Mathias Beche, e David Heinemeier Hansson da prova, cedendo mais um lugar no pódio geral para a Jackie Chan DC Racing com o trio David Cheng, Tristan Gommendy e Alex Brundle (filho do piloto-comentarista Martin Brundle). Restou aos brasileiros o quarto lugar geral e o pódio na LMP2 com André Negrão e os franceses Nelson Panciatici e Pierre Ragues.

O Brasil e a Toyota seguem em busca dessa vitória.

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O mitológico Jackie Chan sobre a vitória em Le Mans: é como ganhar um Oscar. (Reprodução)

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Hartley, Berhard e Bamber, o trio vencedor de 2017. Foi a 19ª vitória da Prosche, a terceira consecutiva da marca mais vitoriosa de La Sarthe. (Reprodução)

Sylvain Guintoli viajando

Pra encerrar, uma nota curiosa. Durante os treinos de sábado a Suzuki não mandou Sylvain Guintoli (substituto de Alex Rins) para a pista. Suspeitava-se de uma infecção estomacal. Mas não se tratava bem disso…

O piloto francês explicou que teve inflamação no tendão. Nesses casos o procedimento é aplicação de anestésicos, mas com todo cuidado para não passar do tendão e acabar aplicando diretamente na corrente sanguínea. Foi o que aconteceu com Guintoli:

Eu dei uma volta no TL4 e foi um completo desastre. O branco das zebras eram como lanternas, parecia que eu estava numa casa noturna. Eu estava passando mal, mas apesar de estar puto por perder o treino classificatório, eu estava sorrindo, estava feliz! Por sorte, no dia seguinte eu me sentia melhor…

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E você achando que Ayrton Senna teve uma experiência extra-pista em Monaco 1988. Guintoli visitou o cosmos enquanto guiava sua Suzuki em Barcelona…(Reprodução)

É isso pessoal. A MotoGP está de volta nesse fim de semana com a corrida na catedral Assen. GP da Holanda imperdível. No domingo a ação começa 6h com a Moto3. E a MotoGP começa mais cedo, 8h, para evitar conflito de horário com a F1, que vai ao empolgante (só que não) circuito de rua de Baku, no Azerbaijão, para mais um embate Hamilton-Vettel em 2017, a partir das 10h.

Por fim e não menos importante, a F-Indy corre no clássico circuito de Road America, em Elkhart Lake, a partir das 14h15 com transmissão da Band e do Bandsports.

Até lá!

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Reconstituição dramática de Guintoli saindo da moto após o teste em Barcelona (Reprodução)

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