Timbó pergunta: Cadê o secretário?

Secretário estadual de Defesa Civil, Rodrigo Moratelli. A comunidade de Timbó e região lhe aguarda para algumas perguntas (Agência AL)

Faz algumas semanas que o Vale do Itajaí passou por outra cheia em sua bacia. A consequência clássica da chuva em excesso que fez com que olhássemos com atenção e certa preocupação para os rios que nos cercavam: Itajaí-Açu, Itajaí-Mirim, Benedito, Dos Cedros, por ai vai…

Houveram alagamentos, Rio do Sul sofreu mais com a cheia e, por provento do tempo, as águas baixaram e tudo voltou ao normal. Nada que assustasse tanto como em outras vezes, muito mais tensas e que, pela qual, fomos nos calejando até chegar ao ponto de sermos experts neste tipo de situação. Isto apesar dos estragos doidos no Alto Vale.

No entanto, uma prevenção ou amenização consistente dos danos das cheias passa por investimentos vindos do governo do estado, coordenados mais precisamente pela Secretaria de Estado da Defesa Civil. Algo que quer um sabe bem como funciona sem muita explicação.

Desde que cheguei em Timbó, uma das coisas que mais ouvi do colega de projeto e jornalista Carlos Henrique Roncalio foi a ausência e esquivas do responsável pela pasta no estado, Rodrigo Moratelli, quanto aos compromissos firmados pela secretaria para com a questão das cheias na região do Médio Vale, da qual a Pérola é a principal cidade.

Cheia em Timbó, em 2014 (Debutuca)

Mas, pelo que pude tomar de conhecimento sobre a situação, as coisas entre a cidade e a secretaria não andam muito bem. Há algum tempo, a região carece, no mínimo, de respostas sobre estas ditas obras nos rios da região – Benedito e Dos Cedros. Compromissos grandes que fizeram Moratelli prometer, há algum tempo atrás nos microfones da Rádio Cultura, que rasgaria o CPF caso estas obras não saíssem do papel.

Frase de efeito que soa meio cômica, vamos lá conver que é. Clássica de um homem público ou secretário que quer mostrar força no discurso.

E mais, no mesmo dia afirmou que, com estas ações, as enchentes grandes seriam médias, as médias, pequenas, e as pequenas nem aconteceriam. Interessante escala positiva, concorda?

Pois bem, o prazo final de conclusão passava em torno deste ano e do ano que vem. As cheias continuam, alagam, as incertezas sobre quais serão seus estragos também. E Timbó, aguardando uma resposta, se prendeu numa pergunta nesta última terça-feira: Cade o secretário?

Cheia em Timbó, em 2014 (Gilmar de Souza/RBS)

Por vezes, Moratelli foi convidado (ou, ao menos, tentaram convida-lo) para explicar por que, até agora, nada foi feito ou foi visto ser feito para o controle preventivo e amenização dos danos das cheias no Médio Vale. A última foi nesta última terça (28/06), quando era para ser atendido o convite que partiu, desta vez, do presidente da Câmara de Vereadores da cidade, vereador Douglas Marchetti, há alguns dias.

Mas, adivinhe… para decepção dos que estiveram na Câmara naquela noite (e não sabiam de antemão), Moratelli não veio como tinha agendado, se é que foi ele ou sua equipe que agendou esta vinda.

As tantas perguntas a se fazer, outra vez, ficaram no ar: Ainda é prioridade a dita abertura da foz do Rio Benedito? Há outras obras complementares para as bacias dos rios da região? A obra do canal extravasor em Rio dos Cedros foi realmente embargada? Os recursos que estavam garantidos ainda existem? E, se ainda estão garantidos, por que nada foi feito ainda?

E o Projeto JICA? Ainda está de pé ou a cabeça está numa ideia vinda da Alemanha? (Reprodução)

E ainda mais, num parenteses, a parceria com os japoneses do JICA ainda está de pé? E os boatos sobre um projeto de origem alemã para esta ação preventiva e amenizante das cheias é verídico?

Mas o secretário não veio. E quando que ele virá? Obviamente, alguém deverá dar alguma resposta sobre sua ausência. Seja algum compromisso, questão de saúde ou (pode acontecer) esquecimento. Não é possível que não haja motivo para tantas esquivas nestes últimos tempos.

E não me diga que não achou a cidade. Talvez não, já que ela não está incluída nos seminários promovidos pelo estado durante os últimos episódios climáticos. Ai não há GPS que ajude, creio.

Bem, mas eu, vindo de Blumenau e sabedor de como é importante todo o trabalho na prevenção e administração de um período de cheia, sei que ações como esta são de vital importância para que Timbó e toda a região não sofra com danos vindos nas águas lodosas de seus dois rios. Há ações, mas não são suficientes, e uma tragédia de grandes proporções, como foi a de 2008, geralmente não espera para acontecer. Acontece e pronto.

E olha que Blumenau e todo o Vale, inclusive (e muito inclusive) Timbó, sabem bem o que é um período de cheia, seus danos, complicações e as ações que devem ser tomadas para tal.

De currículo, a região está bem calejada. Vamos lá: 1880, 1911, 1961, 1983/1984, a catástrofe de 2008, a grande cheia de 2011 e por ai afora, isto citando só as mais marcantes.

A reunião com a comunidade indígena diante da barragem de José Boiteux, na cheia deste ano. Assim como a demanda em Timbó e região, outro problema que não pode ficar para trás. E este é antiquíssimo (Marcos Fernandes / Informe Blumenau)

Englobar municípios e dar uma panorâmica não resolve muito o problema em questão. Timbó quer é uma resposta para si e para sua região, e que ela venha logo, assim como as ações que estão há tempos feitas de compromisso e que, até agora, são desenhos visionários e bem vistos nos papeis.

E garanto: não é só Timbó que deve passar por isso. Nem preciso falar da questão de José Boiteux, que não deve jamais ser esquecida, fora a questão dos impactos nas cidades onde devem ser erguidas as novas barragens e onde ações mais enérgicas devem ser tomadas.

Espero que o senhor não me leve a mal, secretário. Afinal, Timbó ficou, como se diz nas esquinas, no vácuo. Está se perguntando, e muito, onde o senhor está. E conhecendo a turma aqui da Pérola como estou conhecendo, não haverá sossego enquanto as perguntas não tiverem respostas.

Fica o recado e estamos no aguardo.

(Agência AL)

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