A volta d’Os Trapalhões: Bem-vinda ou desnecessária?

Ultimamente, a TV brasileira anda tomada de nostalgia. E não se sabe até que dose isso é saudável, até aonde isso tudo dá certo. É claro que pelo mundo afora, clássicos da TV de outros tempos tem virado filmes ou voltado a vida como novos seriados. Arquivo X, Hawaii 5-0 são bons exemplos.

No Brasil, o filão do humor é o mais explorado nessa volta ao passado. Não só programas antigos são revividos, como o Sai de Baixo nos sábados, como revivals de atrações icônicas surgiram nos últimos tempos. A nova Escolhina do Professor Raimundo, naturalmente, é a grande representante desta onda, colhendo relativo sucesso no renascimento de personagens icônicos na sala mais louca da TV nacional.

Agora, a nova expectativa cerca em torno da volta do quarteto mais louco do humor nacional. Totalmente em nova formação, revivido por outros atores e buscando reviver na nova geração as sensações de quatro décadas atrás: São Os Trapalhões, que regressam a tela do Canal Viva (da Rede Globo) a partir de 17 de julho.

Mussum, Dedé, Didi e Zacarias, numa pose informal nos anos 70. Depois de 23 anos, uma nova trupe dá vida ao quarteto, com Lucas Veloso, Mussunzinho (Antônio Carlos), Gui Santana e Bruno Gissoni (nesta ordem) na formação de 2017 (Reprodução | Globo)

Nascidos como Os Insociaveis na Record, em 1973, a trupe que, alguns anos mais tarde teria definitivamente Didi (Renato Aragão), Dedé (Manfried Sant’Anna), Mussum e Zacarias passou ainda pela Rede Tupi até alcançar o sucesso maior nas telas da Globo, onde chegaria em 1977 para nunca mais sair. Até 1994, o brasileiro tinha no quarteto a risada garantida no domingo, aquele reforço cômico para aguentar a viração para a segunda-feira.

Clique aqui e leia o VTnaB especial dos 40 anos d’Os Trapalhões

Agora, depois de quase um ano de espera, a Globo começa a soltar na programação as vinhetas que avisam o que tanto esperava-se: a volta d’Os Trapalhões em 2017, celebrando os 40 anos da estreia do quarteto na emissora dos Marinho. A trupe tem outro caminho para jogar humor, contando com um quadro de atores todo novo, sem esquecer os personagens periféricos e, claro, os mentores da nova turma: Didi e Dedé.

A nova trupe com Didi e Dedé, seus mentores. Agora, os sobreviventes tem a missão de transformar, na série, o novo quarteto em legítimos trapalhões. Esta fórmula vai dar certo? (TV)

Formada por Lucas Veloso, Bruno Gissoni, Mussunzinho (Antônio Carlos) e Gui Santana – respectivamente Didico, Dedeco, Mumu e Zaca – a nova formação terá em Didi e Dedé os mentores para serem legitmos trapalhões. Até mesmo Tião Macalé e o Sargento Pincel serão reconstituídos, nas peles de Nego do Borel e Ernani Morais, respectivamente. Fora a turma, até mesmo quadros icônicos, como a reunião de super-heróis, o quartel general e os musicais, ganharão releituras modernas.

Tudo muito bonito nos planos, é verdade. Mas será que esta volta d’Os Trapalhões dará certo? Pela internet, a desconfiança é geral e não é por menos. Quando, em 1990, Didi disse que Zacarias é insubstituível depois da morte do humorista ele não poderia estar mais certo, as qualidades de cada um faziam o quarteto ser especial como era, e famoso como tal.

Mussum e Zacarias, os ditos insubstituíveis e saudosos pelos fãs. Essa questão se torna um desafio para os novos atores, que tem que conquistar o sucesso por si mesmo  (Reprodução)

No entanto, a história do insubstituível pode deixar os puristas furiosos se, por acaso, esta nova trupe “escorregar no tomate”, como diria Mussum. Alias, o papel de Mussunzinho é, na minha opinião, o mais difícil. Lucas Veloso parece ter enquadrado bem Zacarias, embora não se sabe se a imitação será suficientemente boa, mas Antônio Carlos, o herdeiro do tagarela dos Originais do Samba, terá um desafio descomunal. Afinal, 10 entre 10 fãs do quarteto assinalam o Kid Mumu como o mais cômico.

Outra também são as jogadas cômicas a ser usadas. Naqueles idos, o quarteto não conhecia o tal do politicamente correto e tocava o terror com as piadas de duplo sentido e pejorativas (que, verdade seja dita, não tinham nada de errado, a não ser para os novos conservadores de hoje). O engessamento do humor atual teve que encontrar outros caminhos para ser atraente, o que não pode casar com a atual formação.

Para Mussunzinho, o desafio de fazer um bom trabalho para honrar as risadas naturais do pai (Reprodução)

A Nova Escolinha conseguiu seu sucesso driblando esses rótulos e apostando nesse humor atual e que segue em outro caminho. Deu certo para eles, mas pode não dar certo para Os Trapalhões, que podem perder um pouco da identidade cômica que era deles. Fora que esta de pupilos aprendendo com os mestres não é lá uma ideia, digamos, confiável.

Mas, não dá para tachar estas coisas todas sem ver a nova atração. A reverencia é justa e, vinda da Globo, espanta por conta do retrospecto de esquecimentos e reconhecimentos de quem a construiu grande. Exemplo não faltaram

É esperar pra ver se eu mordo a língua ou se minha aposta de fracasso é certa. E tudo isso se responderá dia 17 de julho, quando Os Trapalhões ressurgem nas telas do Brasil. Oremos.

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