Pica-Pau: Enfim, a merecida chegada aos cinemas

Demorou, demorou muito, mas enfim o pássaro mais louco das animações vai ganhar seu primeiro filme em longa-metragem, e ainda por cima, em live-action. Em outubro, chega aos cinemas Pica-Pau – O Filme, versão para as telonas do clássico de Walter Lantz que conquista gerações desde o fim da década de 30 pelo mundo afora.

No Brasil, a produção chega no dia 5 de outubro e promete causar alvoroço entre as crianças e os adultos que cresceram assistindo e rindo com as loucuras do pássaro, aprontando todas com seus amigos e vilões. Dirigida por Alex Zamm, a produção é americana, mas conta com parcerias canadense e – acredite – brasileira.

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A lição de Francielle

(Arquivo Pessoal)

Era uma jovem, na flor da idade, sonhadora, com ar de guerreira e vivendo o que tanto trabalhou para um dia viver. O mesmo que nós todos, amigos-irmãos do jornalismo, vivemos intensamente nessa ciranda de informações da notícia.

Foi aluna, acadêmica, estagiária, jornalista. Seguiu a cartilha, permitiu-se ir além do padrão, e tudo isso acompanhado de um belo e sincero sorriso de satisfação daquela que segue a máxima que já dizia que “quem trabalha com o que gosta não trabalha, se diverte”.

Nesta carreira curta ainda – cinco anos de jornalismo apenas – pouco me recordo dela. Sinceramente aos amigos, se a encontrei em algum momento não me recordo com clareza. Mas nestes dias derradeiros de sua passagem em nosso meio não pude ficar indiferente a lição que ela nos deixava: Dentro das paredes frias de um hospital, em volta de máquinas inanimadas, homens e mulheres de branco e luzes alvas, na maior de suas guerras, ela procurava nos inspirar com suas mensagens e recados para a vida: eu não desisto, a luta continua, vamos sorrir.

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Som n’A BOINA #23: Elvis em 10 momentos

Foi na manhã de 16 de agosto de 1977 que o mundo do Rock tomou um tranco violento, talvez ao qual jamais poderia ter tomado igual em tanto tempo. Encontrado pela sua então namorada naqueles idos, Ginger Alden, no banheiro da majestosa Graceland, em Memphis, estava desfalecido no banheiro aquele que, há cerca de 20 anos atrás, escandalizava e embalava o mundo com a música energética e o rebolado hipnotizador de brotos. O filho de Gladys e Vernon estava morto: Elvis Aaron Presley.

A música não queria ter acordado na manhã seguinte com esta notícia que, tão logo surgiu, fez surgir do nada uma multidão de fãs desolados nos portões da magnífica mansão cartão-postal do Tennessee. Artistas, empresários do mundo fonográfico, parentes, amigos, de tudo um pouco aparecia naquela calçada que ficou pequena diante do que havia acontecido naquela grande casa.

Passaram-se 40 anos, os reflexos do que Elvis era e representou continuam vagando pelo mundo da música e pela cultura pop. A vasta cabeleira, a dança contagiante, a voz ora melodiosa ora energética, o senso de humor e a rebeldia, o pacote completo de um roqueiro pioneiro que vinha junto do jovem de Tupelo, Mississipi, que mal tinha deixado um coral da igreja que frequentava para conquistar outros corações: os de fãs desesperadas que faziam de tudo para levar uma nasca das vestimentas do ídolo para seus lares e corações.

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Índia e Paquistão: Sete décadas de vizinhança, tensão e rivalidade

De um lado, hindus. Do outro, muçulmanos.  Na Ásia Meridional, uma antiga rivalidade, marcada por anos de guerras, tensões e embates, tem seus momentos de fascínio e confraternização, por incrível que pareça. É a relação curiosa entre Paquistão e Índia, que completam sete décadas de independência e história (AFP)

Eles podem ser ditos como os verdadeiros Irmãos Karamazov entre os países da comunidade internacional. Há exatas sete décadas dividem praticamente o mesmo canto da Asia Meridional desde que sairão do julgo da Grã-Bretanha. De um lado, os muçulmanos, do outro, os hindus. Dois países que, se não é a maior, talvez seja uma das maiores, mas complicadas e, ainda assim, mais curiosas rivalidades de todas.

Neste ano, apesar do aumento das tensões, Índia e Paquistão estão em grande festa, embora ela esteja permeada pela constante tensão que ronda as duas nações por conta de suas disputas territoriais. Apesar das guerras e dos embates entre as duas nações, indianos e paquistaneses cultivam uma curiosa rixa, que por incrível que pareça não se leva em sua maioria para a briga corporal, mas sim no esporte e numa curiosa demonstração militar onde quem ganha é a história e o grito de cada lado.

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Um antigo Brasil nas lentes de Jean Manzon

Nas lentes deste francês, uma revolução no fotojornalismo brasileiro, retratando momentos da história de um ainda jovem país, como muito se falava naqueles tempos. Em destaque em A BOINA, a produção cinematográfica e histórica do imortal Jean Manzon (Reprodução)

As matas brasileiras, o progresso econômico, indústrias, cotidiano, outros tempos. Nas lentes de um francês o Brasil foi se vendo e se conhecendo, desde os confins mais distantes até as grandes empresas e pessoas que, segundo os filmes históricos, estavam fazendo a sua parte na construção do Brasil Grande, como fraseava, vez em quando, Adolpho Bloch.

Este francês é Jean Manzon, franco-brasileiro que, nas lentes da sua objetiva ou das velhas máquinas de filmagem, registrou fotos e imagens preciosas de tempos distantes do país. Nascido em 1915 e ex-fotógrafo de três importantes revistas da imprensa francesa (Paris Match, VU e Paris Soir), Manzon veio para o Brasil em 1940, mesmo ano em que seu país natal era dominado e dividido pelos nazistas durante a segunda guerra.

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Antigamente: O “rancho do mês” nos tempos do Carlos Koffke

Imponente na esquina da Rua XV com a Rua das Palmeiras, nem de longe lembra o atual prédio da Câmara de Vereadores. Na história, muitos consideram-no como o primeiro supermercado de Santa Catarina. Uma breve história da Casa Carlos Koffke e de sua presença marcante no comércio blumenauense (Reprodução)

Em junho último, a Câmara de Vereadores de Blumenau discutiu uma possível mudança de suas instalações do atual prédio para uma nova estrutura que seria construída atrás do que hoje é a Fundação Cultural, a antiga prefeitura para os que conhecem. A ideia, rechaçada por este blog, também foi criticada por muitos outros leitores e com razão, afinal, a velha casa da administração municipal, que pena há tempos por uma restauração decente e completa, fere o patrimônio histórico da cidade, já tombado e de uso necessário da classe artística da cidade.

No entanto, você que conhece Blumenau e, claro, sua história e lugares marcantes, se desviar o olhar da antiga prefeitura para a atual sede do parlamento vai saber que os vereadores estão exercendo suas funções em um prédio recheado de memórias do comércio da cidade. Ele não está lá desde ontem, são 74 anos marcando o ponto na área mais nobre da história da cidade. E para os antigos, ele sempre será o prédio da Casa Carlos Koffke, um armazém que foi além dos secos e molhados.

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