Mirelo, um (histórico) personagem

A cidade tem seus personagens, uma comunidade tem seus personagens, e entrar para a história é permissível para todos, independente do que fazem. Wilson Seidler, o Mirelo, é um exemplo disso, e por muitos não será esquecido, mesmo com seu passamento inesperado ocorrido no último 28/10 (Reprodução)

Algum fidalgo disse certa feita que se você faz o que gosta, não é mais trabalho, é diversão. E não poderia estar mais certo… Alguns gostam de escrever, como eu, outros gostam de jogar bola e, por isto, são grandes jogadores de futebol ou destes que levantam a poeira nos campos de várzea. Outros são políticos, e muitos deles estão fazendo o que gostam nos roubando a crença num país melhor dia a dia…

Agora, tem quem goste, simplesmente, do ofício simples. Tem quem goste de ser apenas um vendedor de picolés. E que mal há nisso? Por alguns trocados você refresca-se com uma delícia gelada que não tem o mesmo gourmet de uma paleta, mas é tão gostosa e simples quanto.

E neste mundão de Deus, não é preciso ser um gigante para fazer história ou ficar marcado numa comunidade. Tem quem, com a modéstia que lhe é característica, consegue deixar seu vulto impresso na memória de muita gente. Tão bem impresso que, quando se vai para outro lugar, sente-se muito mais que saudade, mas sim uma impressão nostálgica de um personagem de sua infância ou juventude.

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Gramming & Marbles (F1): Vela trai Vettel e Hamilton põe mão na taça em Suzuka

O maior vencedor de Suzuka. Mesmo apertado por Verstappen, Hamilton teve sangue frio e fechou o fim de semana com a 71ª vitória no bolso e assistiu o rival Vettel sair mais cedo por conta de uma vela. O tetra está próximo (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Sabe, vamos começar a falar do GP em Suzuka começando com uma dica preciosa para os motoristas: nunca deixe de revisar o sistema de velas do seu carro. Responsável por criar a fagulha elétrica que causa a explosão propriamente dita junto da gasolina, uma falha neste sistema pode prejudicar o desempenho do veículo, fazendo-o consumir muito combustível e prejudicando outros componentes. A troca de velas deve ser feita ao mínimo sinal de desgaste para manter a saúde e economia do motor.

Bom, e por que comecei dessa forma? Simples, porque em qualquer lugar onde houver um carro, as velas são necessárias para a explosão do combustível mesmo que o carro seja hibrido e elas tenham outra função. Velas sem manutenção prejudicam o desempenho da máquina e causam problemas maiores se não trocadas. Essa dica preciosa para qualquer motorista foi literalmente esquecida pela Ferrari em Suzuka, e por conta de uma peça tão insignificante porém tão importante, Sebastian Vettel viu-se no pesadelo e assistiu de fora o triunfo de Lewis Hamilton diante dos japoneses.

Vitória categórica para um virtual campeão. E não é exagero, é fato que deixa faltar apenas um misero detalhe para ser verdade.

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No bistrô…

(André Bonomini)

(Imagens: Bistrô Entre Parênteses, Timbó-SC)

Sob as luzes recortadas disfarçadas de penumbra, seus reflexos cortinados pelas estrelas da noite, eis a vida quente e corrida pelas vozes do andantes da noite. Estes seres, criaturas reveladas ao cair noturno, encontram-se entre bochichos e goles com sorrisos na dobração escondida entre Aracaju e Recife, num canto perdido dos mapas do Verde Vale barriga-verde.

Sua esquina decorada, por veleiros sinalizada, convida os transeuntes a abrir a portaria ornada de metais em voltas barrocas, tendo como coroa um vitral tal como nas casas nobres das curvas parisienses. De dia, discreto, escondido. A noite, ferve, borbulha entre risos, negócios, piadas e mágoas apagadas. Em suas mesas, dispostas ao acaso universal, casas se amam, amigos riem, amigas tricotam e ternos e gravatas balançam no sacudir de mãos apertadas por um acordo que gere dividendos ao fim do mês.

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(Licença, Oktober!) Precisamos conversar sobre a Festa do Imigrante

Nem só de Oktoberfest vivem as festas de outubro em SC. No Médio Vale, um exemplo dos melhores para compreender a mistura de celebração familiar e reverencia histórica: A Festa do Imigrante, em Timbó (PMT)

Então… Outra vez, assistimos a temporada nacional de Festas de Outubro abrir outra vez em Santa Catarina. Todos os caminhos levam ao estado e, claro, ao Vale do Itajaí, onde o agito festeiro mescla-se com o som das bandinhas e a tradição secular dos colonizadores em celebração. Não chega a ser uma zorra, mas é motivo de festa para quem gosta de badalação e motivo de lazer em sociedade para as famílias.

Mas, se você está pensando em encontrar algo sobre a Oktoberfest aqui n’A BOINA este ano… bem, lamento desaponta-lo. Mesmo com três anos de atividades apenas no blog, a maior festa alemã das Américas por vezes não tem mais o que se explorar de assunto ou experiência. A imagem consolidada a duras pernas desde 1984 a tornou uma grife, um rótulo indelével que vem de carro-chefe a frente das várias coirmãs do calendário. Os desfiles, os shows, a gastronomia e, claro mais do que tudo, o chopp abundante que faz sorrir alguns e preocupar outros.

Só que neste ano em particular, residindo em Timbó a maior parte do tempo, resolvi explorar em crônica uma celebração que, mesmo sem o mesmo tamanho da festa da cidade-jardim, guarda história e importância tão grande quanto (ainda que com pouco material). Presente no calendário da Pérola do Vale há 26 primaveras, a Festa do Imigrante não desonra o slogan que ostenta de a verdadeira festa da família ao promover este clima tão aconchegante como os colonos em suas modestas residências familiares há tantos anos.

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610 cervejarias: Mercado das artesanais em marcha acelerada no Brasil

Em pleno avanço: Mercado das cervejarias artesanais recebeu 91 novos registros no primeiro semestre de 2017. Das 610 cervejarias no total, o sul é onde está a maior concentração (Daniel Zimmermann)

(Marina Melz / Melz Assessoria de Imprensa)

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou recentemente novos e importantes números do mercado das cervejarias artesanais no Brasil. De acordo com a entidade, até junho de 2017 eram 610 cervejarias nesta categoria no país responsáveis pela produção de 7,5 mil produtos diferentes. Só no primeiro semestre, 91 novos registros foram concedidos.

Geograficamente, as produtoras da bebida estão concentradas no Sul (42%) e no Sudeste (41%) do país. O menor índice está no Norte (3%). Entre os estados, o maior número de cervejarias está em São Paulo (122), seguido de Rio Grande do Sul (119) e Santa Catarina (72).

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Gramming & Marbles (F1): Verstappen surpreende e fatura na despedida de Sepang

E eis que, senão quando, Max Verstappen esquece dos seus demônios. Corrida com autoridade, com manobra fabulosa em Hamilton e, felizmente, sem problemas no engenho TAG (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Quem é o piloto que não gosta de ter como presente de aniversário o doce sabor da vitória? Jean Alesi sabe bem disso desde 1995, quando faturou sua insólita vitória na categoria, nas curvas de Montreal, bem no dia de seu natalício. Essas coincidências felizes são raríssimas, contadas nos dedos até, mas acontecem no mundo da F1.

Só que neste caso, mesmo sendo um dia depois do níver, o tento valeu e muito especialmente num momento da temporada onde o acumulo de erros e abandonos estava colocando a crítica contra si. Este foi o momento de campeonato em que Max Verstappen entrou na pista de Sepang no último domingo, e com a qual saiu dela sorrindo levando consigo o troféu de vencedor do último GP da Malásia da história, já que a pista oriental está de despedida da categoria. Um tento inesperado numa corrida curiosa que teve de tudo, digna de um fim de festa em um dos salões mais recentes dos calendários da categoria.

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