Gramming & Marbles (F1): Vela trai Vettel e Hamilton põe mão na taça em Suzuka

O maior vencedor de Suzuka. Mesmo apertado por Verstappen, Hamilton teve sangue frio e fechou o fim de semana com a 71ª vitória no bolso e assistiu o rival Vettel sair mais cedo por conta de uma vela. O tetra está próximo (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Sabe, vamos começar a falar do GP em Suzuka começando com uma dica preciosa para os motoristas: nunca deixe de revisar o sistema de velas do seu carro. Responsável por criar a fagulha elétrica que causa a explosão propriamente dita junto da gasolina, uma falha neste sistema pode prejudicar o desempenho do veículo, fazendo-o consumir muito combustível e prejudicando outros componentes. A troca de velas deve ser feita ao mínimo sinal de desgaste para manter a saúde e economia do motor.

Bom, e por que comecei dessa forma? Simples, porque em qualquer lugar onde houver um carro, as velas são necessárias para a explosão do combustível mesmo que o carro seja hibrido e elas tenham outra função. Velas sem manutenção prejudicam o desempenho da máquina e causam problemas maiores se não trocadas. Essa dica preciosa para qualquer motorista foi literalmente esquecida pela Ferrari em Suzuka, e por conta de uma peça tão insignificante porém tão importante, Sebastian Vettel viu-se no pesadelo e assistiu de fora o triunfo de Lewis Hamilton diante dos japoneses.

Vitória categórica para um virtual campeão. E não é exagero, é fato que deixa faltar apenas um misero detalhe para ser verdade.

Seb chora, Lewis ri, Max vibra… assim caminha o fim de 2017

Largada em Suzuka: Vettel parte na ofensiva, mas não duraria cinco voltas. Depois do passão de Verstappen, foi uma verdadeira escala descendente, no inferno astral da Ferrari no Japão (Getty Images)

(Getty Images)

Para começo de conversa, a casa de Maranello já pisou em solo nipônico sabendo que a tarefa estava bem mais difícil. Vettel precisava da vitória a todo custo, fazer milagre e arrancar pontos de onde não tinha para descontar os 34 de frente do inglês. Mas a pista japonesa tinha lá seus complicadores, diretos ou indiretos: traçado favorável a Mercedes, a ascensão da Red Bull neste fim de temporada e, para completar, uma ameaça de chuva que, felizmente, caiu apenas nos treinos livres.

Na largada, Vettel tratou de partir para cima, fazer a sua parte, mas mal deram quatro voltas e o bólido vermelho passou a se arrastar na pista sem potência. Foi sendo sucessivamente ultrapassado até ser chamado para o abandono inesperado. Uma vela, uma pecinha daquelas pequenas que fazem uma diferença gigante, foi capaz de tirar de Seb um resultado em Suzuka. Pontos preciosos que voaram com parar do motor Ferrari avariado em apenas quatro voltas.

Com Kimi Raikkonen um tanto apagado (algo costumeiro) e se debatendo com carros inferiores, a Ferrari sumiu na prova, restando apenas as Mercedes e as Red Bull na briga pela ponta. Foi outro grande dia para os touros austríacos, que mais uma vez deram sinais de melhora do carro, além de um Max Verstappen determinado, mostrando que os demônios de corridas passadas ficaram para trás. Manteve-se no primeiro pelotão e na briga com autoridade, escapando das bolas divididas e aguardando o final para tentar alguma coisa.

Max apertou no final, contando com um problema de vibração no carro. Foi o momento mais agoniante da prova, mas o inglês resistiu a pressão do moleque holandês (Getty Images)

Alias, foi na metade final da prova que as coisas começaram a acontecer para valer. Com estratégias diferentes para cada lado, cada um foi tentando garantir o seu movimento no tabuleiro para galgar posições. Nesta, a Red Bull levou a melhor novamente com um carro mais inteiro no fim da prova. Max não hesitou em se apresentar a batalhar pela ponta, garantindo os pontos de IBOPE a mais nas voltas derradeiras. Faltou pouco, e faltou um certo Fernando Alonso se por na posição de retardatário. Atrás deles, Daniel Ricciardo segurava bravamente um apagado Bottas, derrotado pela estratégia dos austríacos.

No fim, confirmou-se o que, talvez, fosse o óbvio ululante. Lewis saiu com uma mão na taça e segue para Austin com a possibilidade de faturar o título nos EUA. Um final de temporada esquecível para a Ferrari, mesmo que Maranello ainda acredite em um milagre nesta reta final de ano.

Os 10 mais – Corrida:

1 – Lewis Hamilton (Mercedes)
2 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
3 – Daniel Ricciardo (Red Bull-TAG)
4 – Valtteri Bottas (Mercedes)
5 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
6 – Esteban Ocon (Force India-Mercedes)
7 – Sergio Perez (Force India-Mercedes)
8 – Kevin Magnussen (Haas-Ferrari)
9 – Romain Grosjean (Haas-Ferrari)
10 – Felipe Massa (Williams-Mercedes)

A festa no pódio nipônico: Lewis com a mão no campeonato, Verstappen e Ricciardo gozando da boa fase da Red Bull com grandes atuações (Getty Images)

Os 6 mais – Campeonato:

1 – Lewis Hamilton (306)
2 – Sebastian Vettel (247)
3 – Valtteri Bottas (234)
4 – Daniel Ricciardo (192)
5 – Kimi Raikkonen (148)
6 – Max Verstappen (111)
11 – Felipe Massa (34)

MENINO DE MUZAMBINHO: Max Verstappen (Red Bull)

Sem mais, posso estar errado neste detalhe, mas quem mais se arriscou na prova, com um ritmo forte e pensando a estratégia, o jovem holandês segue torcendo o nariz dos críticos com manobras desconcertantes. Depois de um período no inferno, Verstappen acertou a mão nas últimas corridas, contando também com o trabalho de acerto da equipe com um carro que já estourou a cota de problemas, para alcançar a vitória na Malásia e se permitir ir a briga de igual para igual com Hamilton na parte final da prova.

Adeus, demônios! Verstappen largou com vontade, não tomou conhecimento de um postulante ao título e terminou a prova no cangote de Hamilton. A boa fase está ai para quem quer ver (Getty Images)

O que me espanta por um lado é esta atitude bipolar da imprensa para com Max. Não é uma defesa ao holandês, mas a postura oito ou oitenta chega a ser estranha, até para se acompanhar uma onda de comentários, ora pró ora contra, diante do garoto. Ainda assim, nada que grandes talentos também não tenham passado em algum momento da carreira, e Verstappen é apenas mais um a tomar as bordoadas que incomodam, mas no fundo ajudam a edificar.

Vale o detalhe: por conta do automobilismo, Max escapou da universidade. Faz sentido até. Afinal, se a vocação da família é volante, por que pensar em trancar-se em uma sala acadêmica para ser um advogado ou administrador? Segue em frente, Max!

Adeuses, despedidas e chegadas

Despedida com acidente, foi assim que Sainz Jr. deixou a Toro Rosso depois de rodar no carrossel e bater na barreira de pneus. A Renault é a nova casa do promissor espanhol, que agora terá estrutura para provar o que sabe (Getty Images)

Suzuka marcou também o fim de uma trajetória que, na moral, precisava acabar: Carlos Sainz Jr. fez as malas e partiu da casa caixa de Bis da Toro Rosso para assumir, em Austin, o bólido amarelo-ovo da Renault. Ele ocupa a vaga do inoperante Joylon Palmer, o que já era previsível com as atuações medíocres do pior piloto do certame dos últimos três anos (tem quem diga que é um dos piores desde o início dos anos 2000. Não duvido).

Era necessário. Faz tempo que eu e Douglas batíamos o martelo de uma oportunidade melhor na categoria. A Toro Rosso é limitada, feita para ser ou uma reveladora de talentos ou uma tosadeira de pilotos. Revelou Vettel e Verstappen, mas queimou Daniil Kvyat e outros trocentos nos últimos tempos. Como Sainz aguentou tanto tempo na equipe, é um verdadeiro mistério, mas a ida para a Renault é justa, embora agora Carlos terá a sua frente a pressão de ter de provar que não é só promissor, mas que tem capacidade de liderar.

Gasly em mais uma prova no carro que era de Kvyat. Francês tem compromissos na Super Fórmula na mesma Suzuka neste dia 22. Sendo assim, o russo volta para cobrir a vaga. Idas e vindas nos lados do ítalo-austriacos (Getty Images)

Já nos lados austro-italianos, a história fica bem estranha. Sai Sainz, Pierre Gasly volta a Super Fórmula brevemente para seus compromissos, Kvyat regressa a equipe para preencher o buraco de Sainz e, no lugar de Gasly, entra o desconhecidíssmo Brendon Hartley. O jovem de longas madeixas louras (que parecem uma estopa) vem de provas de endurance e foi uma verdadeira surpresa entre tantos nomes cotados e esperados para assumir o bólido do francês.

Hartley é efetivo da Porsche no mundial de endurance e, se não fizer nada de útil na pista, ao menos fica na história como o primeiro piloto neozelandês na categoria desde as intentonas do quase-adolescente Mike Thackwell, que passou por Tyrrell e RAM entre 1980 e 1984. Além do mais, o que não falta entre os dois é cabelo, e cabelo louro, para aumentar ainda mais a coincidência.

Brendon Hartley (acima), a novidade surpreendente da Toro Rosso para a vaga de Sainz Jr. Em comum com Mike Thackwell (abaixo), o último neozelandês na categoria, só a quantidade de cabelo… e louro, diga-se
(Getty Images)

Se Hartley vai fazer alguma coisa? Ninguém sabe. Confesso que é a primeira vez que ouvi falar da existência desse cidadão. Mas se aprontar alguma coisa de relevante, que seja melhor do que as pixotadas de Kvyat, já que nem o russo e nem Gasly estão na lista de intenções da Toro Rosso. Aguardemos.

E o velhinho Massa fica em 2018? 

Em outro extremo, quem está na evidência neste jogo de cadeiras clássico de fim de temporada é a Williams. Seguem as especulações sobre o futuro de Felipe Massa, que visivelmente não tem mais pique para aguentar na F1. Na última semana, Robert Kubica fez testes particulares com um carro de 2015 em Silverstone e é o mais cotado da fila para o lugar do brasileiro.

A experiência (em idade) cobra seu preço. Felipe Massa segue com a vaga ameaçada na Williams e pretendentes não faltam, mesmo Felipe sendo o mais cotado (Getty Images)

Tem quem diga que Massa está bem cotado nas fileiras de Grove e tem seu valor. Mas, sendo honesto, muitos veículos especializados dizem é verdade: foi errado sair da aposentadoria. Não é apenas o carro da Williams que não corresponde (e que a Williams já largou de mão), mas o tempo de Felipe já se foi, o pique de outrora se foi, e cair na realidade é difícil para qualquer fã ou ufanista.

Não temos mais um piloto na categoria, a não ser que algo estale na cabeça de Massa e na mente dos engenheiros da Williams que faça 2018 com o brasileiro seja melhor. Enquanto isso, a possibilidade de não vermos mais o Brasil no grid do ano que vem parece mais próxima do que no ano passado. E, desta vez, até é melhor. Afinal, antes presença brigando do que apenas fazendo número.

Para Recordar: Denny, 50

Um neozelandês para a história da F1: Campeão há exatas cinco décadas, Denny Hulme passou de mecânico a ícone dos tempos românticos da F1 (Reprodução)

A queda de paraquedas de Brendon Hartley na F1 não podia ter sido em mês melhor. Justo em outubro, a Nova Zelândia recorda os 50 anos do seu maior feito na F1, protagonizado pelo seu maior nome na categoria: Denis Clive Denny Hulme, um dos grandes de todos os tempos da categoria e que viveu como poucos os tempos áureos da velocidade nos anos 60 e 70.

Foi uma carreira de nove anos nos grids da categoria, emprestando seu talento para duas equipes apenas. A primeira, a Brabham (1965 a 1967), foi onde conquistou sua maior glória: o título de 1967. Ex-mecanico do time, Hulme apostou na regularidade em detrimento as vitórias. Das 11 corridas do ano foram apenas duas vitórias (Mônaco e Alemanha), mas a presença nos pontos e pódios em nove provas do plantel foi o suficiente para bater o companheiro de time e patrão, Jack Brabham, por meros cinco pontos.

De mecânico a piloto, Hulme teve em Brabham um grande amigo e um grande rival, ao qual derrotaria em 1967 com louvor, pilotando o excepcional Brabham-Repco e abusando da regularidade para somar o máximo de pontos (Bernard Cahier | Reprodução)

Hulme nunca foi de grande números, tendo apenas oito vitórias nos nove anos que participou da categoria. Em 1968, pulou de Chessington para Woking, colocando-se a serviço de Bruce McLaren, onde conquistou mais seis vitórias mas não voltou mais a brigar por um título. Sua última temporada foi em 1974, guiando ao lado de Emerson Fittipaldi no ano do bicampeonato. Conquistou na Argentina sua última vitória e emprestou sua experiência para ajudar no desenvolvimento do ainda jovem M23, e saiu da F1 com o mesmo respeito de um veterano e campeão.

Um apaixonado pela velocidade onde fosse ou corresse. De bólidos aos protótipos, da F1 as 500 Milhas e até aviões, muito passou pelas mãos hábeis deste mecânico de outros tempos. Infelizmente, foi na velocidade que Hulme morreu, e sem acidente. Denny sofreu uma parada cardíaca enquanto participava dos tradicionais 1000 Km de Bathurst, em outubro de 1992, aos tão vigorosos 56 anos, mas deixou escrita uma grande história na categoria entre os grandes dos tempos áureos e românticos que sentimos tanta falta.

Hulme na McLaren em 1974, sua última temporada na F1. Venceu o GP da Argentina, sua última vitória na categoria, aproveitando-se de um problema com Carlos Reutemann na última volta. Denny emprestou sua experiência para desenvolver o M23, que seria campeão com Emerson Fittipaldi naquele ano (Reprodução)

Tendo dito, e com o fim de semana de Austin próximo, vamos aguardando os desdobramentos do que será a prova americana neste próximo domingo, 22/10, quando a F1 dá a largada para o que pode ser a prova decisiva. Tem quem aposte na decisão no Brasil, mas se o inferno astral da Ferrari continuar… não espere muita coisa além de Lewis deixando o Texas como tetracampeão do mundo.

Um abraço e até lá!

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