Som n’A BOINA #25: 15 recordações de Ray Conniff

Ele começou a desvendar a música com um curso por correspondência com um mísero dólar. E nisso, virou um dos maiores de todos os tempos do mundo das orquestras do easy listering mundial. Já se vão 15 anos sem Ray Conniff, e o SnaB recorda-o em um especial de 15 melodias inesquecíveis (Reprodução)

Joseph Raymond Conniff. Americano de Altteboro, no estado do Massachusets, nascido no meio da Primeira Guerra, filho de um trombonista e de uma pianista. Fez um curso de música por correspondência com um mísero dólar e, ainda na adolescência, montou seu primeiro grupo musical.

Foi dessa forma simples e meio romântica que, aos poucos, Joseph Raymond virou, simplesmente, Ray. Ray Conniff, um garoto-prodígio que, anos mais tarde, ostentaria uma indefectível franja esbranquiçada, uma barba a lá Papai Noel e que traria na bagagem uma coleção de sucessos e reproduções de clássicos da música internacional inseridos no seu estilo musical marcante e que atravessou gerações.

Neste fim de semana, o SnaB presta a reverencia justa a este grande nome do easy listering que ia muito além do termo pejorativo de música de elevador. Do maestro que, com seu estilo e carisma, encantou um mundo inteiro e viveu encantado pelo Brasil, um dos países que mais visitou na vida. Isto tudo regado a uma viagem musical em 15 clássicos entre seus mais de 100 discos lançados em quase 50 anos de carreira.

Segure-se na cadeira e vamos juntos ao mundo S’Wonderful do inesquecível Ray Conniff.

O ainda jovem Conniff nos seus tempos primeiros de banda solo. Antes de partir sozinho como maestro teve trabalhos em grandes Big Bands do período áureo americano, como nas de Harry James e de Arthie Shaw (Reprodução)

Pois bem, o jovem garoto do primeiro parágrafo, que na adolescência já queria pintar como o cara de uma grande banda não iria parar por ai. Conniff seria, poucos anos mais tarde, inserido no seleto hall de alunos da prestigiada Juilliard School, em Nova York, onde aperfeiçoaria seus dons. Dali para a carreira profissional na música foi um pulo, e que pulo para aqueles tempos, quando os EUA ainda viviam sob a febre do que era o estilo mandante no mundo musical: o das Big Bands.

Virtuoso no trombone de vara, instrumento que ostentava sempre nas apresentações com sua orquestra, Ray emprestou seu talento ao trombone a várias Big Bands daqueles idos, tendo destaque em duas das mais famosas dos EUA: a do trompetista Harry James e a do clarinetista Artie Shaw, sendo que nesta última também trabalhou como arranjador.

No entanto, quem notava o talento musical no mundo das Big Bands podia notar que aquele cidadão não era um simples músico, daqueles de ficar preso em simples fileiras da profissão. Na sua técnica musical cada vez mais crescente havia uma capacidade única de combinar vozes masculinas e femininas com metais mas graves e mais agudos, colorindo ainda mais as melodias compostas. Os característicos da-das e du-dus eram incorporados as notas musicais sendo os metais agudos preenchidos pelas mulheres e os graves pela voz masculina. Um fato que descobriu durante viagens nos campos de batalha da Segunda Guerra, quando tocava em bandas para animar os soldados, ainda antes de partir para a vida a sós.

E seria este estilo musical que, em 1956, Conniff levaria para sua carreira solo, montando a sua banda e lançando seu primeiro disco: S’Wondeful. Mas não foi fácil para Ray emplacar, o mundo vivia a mudança musical para o novo estilo – o Rock – e as Big Bands entravam em franca decadência, o que resultava em uma aceitação de sua obra por pessoas de um gosto mais conservador para a música. Quem não suportava mais este som já tachado de música de elevador (pejoração que Ray detestava) soltava os cachorros contra o maestro.

Foi ali que Conniff se viu forçado a dar uma guinada no que originalmente produzia. Passou ainda grande parte da década seguinte no mesmo estilo, fazendo admiradores de um lado e difamadores do outro mas não perdendo mão das suas combinações vocais-instrumentais. Nos anos 70, já consagrado como grande maestro ao lado de tantos nomes nos EUA e no mundo, Ray muda sua composição sem alterar o estilo: dá mais força aos instrumentos elétricos (órgãos elétricos, guitarras e baixos) e diminui seu coral, passando de 16 para oito cantores. E tudo isso sem perder seu estilo e qualidade.

A mudança veio num momento em que o mundo inteiro descobria seu som. Em 1969, veio ao Brasil pela primeira vez a convite do colega maestro e criador do tema da Pantera-Cor-de-Rosa, Henry Mancini, para o Festival Internacional da Canção daquele ano. Para suas apresentações em solo tupiniquim, montou um coral de cantores brasileiros e levou as cerca de 30 mil pessoas presentes no Maracanazinho ao delírio com sua apresentação. Foi amor a primeira vista, vindo todos os anos, daquele 1969 até sua morte, sendo recebido calorosamente pela plateia nacional.

Nas suas vindas ao Brasil sempre trouxe consigo novos trabalhos com músicas do repertório nacional, sendo um dos músicos estrangeiros que mais reproduziu musicas brasileiras. De fato, a sua versão de Aquarela do Brasil é uma das mais famosas no mundo e uma de suas preferidas, bem como outras canções brasileiras retrabalhadas pela orquestra de Ray e que mostraremos mais adiante.

Alias, diz a lenda que Ray já esteve até em Blumenau, pelos anos 80, mas não há fotos nem registros desta passagem. No entanto, fica uma amostrinha do que Ray aprontava quando vinha ao Brasil: É a apresentação da orquestra durante o concerto de aniversário de 45 anos da Rede Record, em 1998, incluindo a execução apaixonada de Somewhere, My Love (o Tema de Lara, do filme Dr. Jivago). Sempre que executada, Ray oferecia a canção a esposa, Vera Conniff, sua mulher praticamente por uma vida inteira.

Os anos passavam, e a coleção de glorias e países visitados só aumentava. Dentre seus mais de 100 discos produzidos, sempre com belas mulheres e, quando raro, com ele mesmo na capa, 25 deles estiveram entre os 40 mais vendidos nos EUA. Destes discos, dez deles foram de ouro, outros dois de platina, isto fora a coleção de Grammys e outras premiações do mercado que empilhou sob a lareira de seu chalé, em San Diego.

Album The Happy Sound of Ray Conniff, de 1974. O maestro posa com sua esposa, Vera, e a pequena filha e herdeira musical, Tamara. Eram um tanto raras as vezes que Ray posava para a capa de seus discos, muitas vezes adornadas por belas mulheres (Reprodução)

No entanto, registros fotográficos e em vídeo de suas apresentações podem ser considerados verdadeiras relíquias, ainda que prolificas pela internet. Diz outra lenda que eram estritamente proibidas imagens e gravações caseiras das apresentações da orquestra. Tudo era muito bem controlado, sendo bem restrito as apresentações pela TV e nos shows pelo mundo. DVDs com as apresentações de Conniff contam-se nos dedos, sendo que exista algum DVD além do show da orquestra no Japão, em 1991, o único de que se tem notícia.

Ao menos, algumas escapam, até mesmo sessões de ensaio e gravação, como estas de All The Way,  I’ve Got You Under My Skin e da brasileiríssima Pense em Mim, de Leandro & Leonardo (acredite!), feitas em 1999. Olha ai:

Foi perto de 50 anos que Ray Conniff viajou pelo mundo com sua orquestra e coral, colecionando fãs e amigos por onde passava. Em 2002, no entanto, depois de uma noite familiar em Escondido, na Califórnia, Ray sofreu uma queda em uma banheira onde estava e que converteu-se em um AVC fatal. Era o fim da história aos 85 anos, silenciando assim um dos grupos mais famosos do tão pejorado estilo easy listering, sempre chamado de musica de elevador mas tão rico em som e qualidade.

Um trabalho que reinventou o conceito de Big Band, fadado ao esquecimento com o fim da fase áurea, e que proporcionou a aproximação de uma grande orquestra do público. Foi assim que Ray Conniff escreveu seu nome para sempre na história da música mundial. Não como compositor de um qualquer coisa sobre uma canção de sucesso, mas sim reinventando trabalhos consagrados e clássicos, dando a eles uma cara toda especial de orquestra, de clássico eterno.

Não seria o caso de publicar a lápide de um músico morto, mas a de Conniff merece distinção, por ter nela as notas incidentais da canção que sempre dedicava a esposa nos shows: Somewhere, My Love, ou o Tema de Lara para os mais velhinhos (Reprodução / Billion Graves)

E uma reverencia como esta não podia acabar de outra forma: nos 15 anos sem Ray, 15 canções preferidas do SnaB, das mais marcantes a outras que merecem o ouvido amigo.

Vamos a elas e boa audição!

– Besame Mucho

– La Mer

– Smoke Gets in Your Eyes

– Phantom of The Opera

– In The Mood

– Happy Together

– Yesterday

– She Believes in Me

– I Will Surrive

– Paloma Blanca

– I’ve Got You Under My Skin (versão de 1998)

– Unchained Melody (versão de 1998)

– All The Way

– Blowin in The Wind

– Jesus Christ Superstar

E, para terminar, o baita tributo prestado a Ray Conniff produzido em 2006 pela Globo News, com imagens inéditas, especialmente das visitas no Brasil.

Valeu, gente! E até o próximo SnaB!

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