Liceu d’A BOINA (Literatura): Os Estrangeiros (parte 1)

(Reprodução)

(Camila Klitzke & André Bonomini)

Capitulo 1

(Corte p/sonho…)

Passou os dedos nos seus lábios carnudos e por esse momento sentiu a delicadeza do tocar de uma rosa. Ela fechou os olhos e roubou um beijo, que o fez deseja-la mais e mais. Ela tinha cheiro de felicidade. Intensidade era a sensação que os dominavam e ele levantou a camiseta dela fervorosamente. Sua pele era branca como o sul.

Ele a segurou pela nuca deslizando seus beijos até a parte abaixo do umbigo, assim que terminou de beija-la, ela introduziu os dedos dele em sua boca e lançou um olhar, que já não era mais da menina moleca e sim, um brilho de chama, algo selvagem no ímpeto. Nesse momento, seus corpos estremeceram em uma dança frenética ao mesmo tempo que lançavam suspiros poéticos à cada batida.

Alí… naquela tenda era um mundo que se distanciava do mundo de fora…

(…fim do sonho)

Acordou na metade do quinto ato e gritou um grito sem som. Mais uma vez havia sonhado com ela… Mais uma vez a procurava em seu subconsciente e isso deixava-o fora do controle. Esgueirou-se até perto do bidê e abriu a gaveta. Pegou sua agenda onde anotava seus sonhos e guardava o poema…

Sou ninfa da floresta;
Minha essência aclama por viver intensidades com as flores…
Foram as flores que anunciaram
A chegada de um Estrangeiro.

Oh! Estrangeiro…
Criei um personagem nos meus pensamentos mais profundos da alma
Me perdi em um oceano de lembranças
Querendo brincar de máquina do tempo.

Oh! Estrangeiro…
O futuro teima em ser roleta russa, comigo?
É o vento do Norte que trás
O cheiro do nosso acaso.

Emano boas velas para
Sua volta para casa
E as fantasias mais coloridas
De uma noite intensa.

Fechou os olhos, e pouco a pouco, não estava mais no seu quarto em Niterói…


Capitulo 2

(Susana Lima)

A chuva vinha com toda sua força, depois de um dia magnifico de sol… Muitas pessoas acabaram se prejudicando por conta da entrada de água nas tendas. Mesmo assim, ele tinha se desligado do mar de responsabilidades que a rotina do dia-a-dia lhe conduzia.

Lá, no festival em Santa Catarina, era sua ilha, onde ele podia sentir sensações que não era acostumado a demonstrar para sí mesmo. Pegou o último par de roupas secas e seguiu em direção ao bar para pegar mais uma latinha de cerveja. Mika apareceu ao seu lado, quando observava a banda tocar…

O tempo passa… E não volta? – Ela olhava fixamente a árvore das velas.

Sei de uma teoria… – Pensativo, bagunçou com as mãos o cabelo e continuou a conversa. – É como se a nossa existência fosse reiniciada… Um looping, sabe?…

Haviam entrado em uma conversa muito profunda sobre ser… viver… Eles não sabiam, mas um se refletia no outro. Seus caminhos paralelos se cruzaram naquela noite bruxólica. As músicas agitavam a criança de cada um e assim um se conectou no coração do outro, mesmo sabendo que não havia garantia do depois.

Dançavam na pista do grupo dos amigos de Mika até que, com aquele jeito moleca, pegou-o pelo braço e o conduziu para um lugar afastado do palco. Era um lugar extremamente calmo, havia uma árvore e dois bancos de praça. Ventava muito, mas era magnifico de se ver. Mika estava com os olhos fechados e amava a sensação do vento bagunçar os seus cabelos rebeldes. Enquanto isso ele a observava, observava toda aquela cena, como se quisesse captura-la numa fotografia.

Estou tremendo de frio – Reclamou, um tanto encolhida. Era a senha para ele, num movimento simples, rodeá-la com seus braços e cobri-la com o próprio calor.

A noite era colorida, os vaga-lumes piscavam por sobre o riacho corrente. O único som audível era o da água correndo por sobre as pedras, sensações cósmicas que misturavam-se ao momento, tão único quanto uma cena literária das páginas fantásticas de Lewis Carroll.

Mika o contemplava, desenhava o trajeto que faria para conquistar os lábios dele. Num súbito movimento, partiu ao encontro de seu rosto para selar suas conexões com quem lhe abraçava ternamente. Ele ficou com medo, confuso sentia a jovem aproximar-se e, numa atitude de choque, ladeou a cabeça para o lado oposto, gentil e negativamente.

Tudo o que estava vivendo revelava pensamentos e ações que não permitia realizar naquelas circunstâncias. Então esquivou-se do beijo dela.

(Continua…)

Aqui termina o primeiro trabalho exposto no LdaB. Um conto de romance e viagem entre sons e sensações naturais com a marca da criatividade da professora Camila Klitzke.

Nas próximas semanas, novos trabalhos literários, criticas literárias, arte, musica e dança estarão batendo ponto  aqui no espaço cultural d’A BOINA.

Até breve!

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