Stephen Hawking: Das estrelas da vida para a vida entre as estrelas

Uma quarta-feira triste na terra e alegre no campo das estrelas, onde outra delas surgiu. Desafiador de limites, gênio, tradutor das grandes teorias acerca do universo, Stephen Hawking morreu pela manhã em sua casa em Cambridge, deixando uma lacuna imensa entre os grandes gênios contemporâneos (Reprodução)

Poucas vezes a ciência foi a primeira palavra em rodas de conversa mundo afora, ainda mais quando o assunto rondava a física, o espaço, os corpos celestes, aqueles tais pontos brancos que fascinavam o ser humano cada vez que olhávamos para cima em noite enluarada. Afinal qual é o ser humano que não se fascina com eles? Qual que não aguça a curiosidade especialmente quando um estudioso fala em buracos-negros, galáxias distantes e planetas longínquos que guardam semelhanças com a nossa pequena Terra.

Um destes seres viventes na terra talvez foi o maior destes curiosos. Um cidadão de óculos protuberantes, aparencia esquálida que dava impressão de fragilidade mas que, dentro de sua mente e de suas percepções, residia uma curiosidade sem fim sobre que segredos escondiam o firmamento, o que os olhos não podiam ver acima do simples visto todas as noite.

Stephen Hawking, ingles de Oxford, inquieto em suas ações e curiosidades acerca do instigante espaço que nos cerca, não se convenceu apenas em olhar as estrelas e não os seus pés, como ele mesmo dizia aos outros. Ainda um jovem estudante, começou a decifrar segredos e construir o que seriam suas hipóteses até hoje admiradas por muitos, estudiosos ou não.

O jovem Stephen, um gênio em construção que surpreendia os mestres, até o momento que a devastadora Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) o fez paralisar. Apenas o corpo, claro, pois a mente e o conhecimento estavam mais vivos do que nunca. Vivos demais para apenas mais dois anos de vida (Reprodução)

Era uma mente brilhante em desenvolvimento até que, aos jovens 21 anos de idade, seu corpo começou a demonstrar que paralisaria a qualquer momento. Eram os efeitos nefastos da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neuromotora devastadora que, segundo os médicos, lhe dariam reles dois anos de vida apenas, nada mais.

Em dois anos, outro promissor gênio viraria apenas uma citação em algum trabalho acadêmico escrito nos anos 1960. Mas dois anos para aquele jovem não eram seu limite de vida. Dois anos viraram outros tantos, uma sucessão de aventuras, descobertas e quebra de barreiras a cada recrudescimento de sua saúde. O fisico dominava seu físico mesmo que seu físico não pudesse mais ser dominado, fazendo das sensações que sentia, nos estudos e na vida, a força que restava para não deixar-se vencer pela paralisia.

A doença avançou muito mais lentamente do que se pensava, até o ponto que lhe deixou apenas com o moimento de dois dedos e alguns músculos faciais. Sua voz natural fora substituída por um sintetizador e um sistema que montava as palavras para serem reproduzidas por uma voz eletrônica. Mas nada, absolutamente nada que pudesse impedi-lo de pensar, estudar, descobrir e, o mais incrível, tornar fácil e entendível algo que qualquer um dobraria-se para compreender.

Diante do velho sistema de comunicação, atualizado de tempos em tempos, onde o mundo aprendeu a ouvi-lo e deslumbrar-se com os conhecimentos que por ali eram ditos (Reprodução)

Sua forma de compreender e destrinchar os mais complexos cálculos, muitos deles executados totalmente – e apenas -com a mente, o fizeram ser um físico que todos gostavam de ouvir. Os buracos-negros, a origem e o fim do universo, a física quântica que nos fazia lembrar mais de filmes de ficção científica do que da ciência pura diante dos nossos olhos, tudo isso ao alcance de todos, das academias e do mundo ao nosso redor, fascinando ainda mais quem era movido pelas curiosidades que as estrelas nos escondiam.

Mas Hawking transcendeu esse universo acadêmico, esse mundo de livros, cálculos e mapas frios, sem vida. Suas teorias e hipóteses eram apenas parte da figura humana, simples e extrovertida que era por trás da tela do sintetizador que operava para dizer ao mundo sobre suas sensações e ensinamentos. O físico saiu da academia para ser pop, parte de um universo feito, não de estrelas, mas de admiradores, fãs confessos da sua forma de ser e superar aquilo que para o mero mortal seria o fim da vida.

Depois de Albert Einstein, o mundo jamais tinha visto uma mente tão brilhante e, ao mesmo tempo, tão próxima do mundo além das janelas dos estudos. Stephen não queria suas teorias só para si ou para seus pares, mas para todos que dela mostrassem interesse, seja nas suas palestras incríveis como nos parágrafos de seus vários livros, como o incrível “Uma Breve História do Tempo”, uma verdadeira tradução de seus pensamentos e pesquisas ao alcance de tantos e que o elevou ainda mais a categoria de astro cult da ciência contemporânea.

Sua grande obra: Uma Breve História do Tempo, que explicou vários temas de Cosmologia, incluindo a Teoria do Big Bang, os buracos negros, os cones de luz e outros aspectos, foi um grande sucesso. Já nestes tempos, Hawking era uma figura altamente pop pelo mundo. Presente na cultura popular de várias formas, como em suas visitas a Springfield, n’Os Simpsons (Reprodução)

(Reprodução)

Aproximar o mundo dos segredos do universo que o cercava era um de seus objetivos, mesmo que para isso fosse necessário recorrer ao humor, o que não lhe era nenhum problema. Hawking estava próximo do mundo e os que o admiravam sentiam-se igualmente próximos, familiarizados com as palavras eletronizadas que saíram daquele emaranhado de fios e sistemas. E foi assim até a manhã desta quarta-feira, dia de aniversário de Einstein, o “dia do Pi” nos EUA, quando Hawking partiu da vida para a história, aos 76 anos.

O amigo Daniel Castelani foi certeiro ao dizer que perdemos o maior gênio de nossa geração. Stephen deixou o mundo discretamente, sem alardes nem estardalhaços, mas não passou incólume das lembranças da imprensa que acompanhou seus passos, do mundo da física que lhe negou um Nobel mas deixou uma legião de discípulos e, claro, do mundo que aprendeu a olhar para o céu com deslumbre maior do que tempos atrás.

Sem dúvida, por toda a existência humana na terra, a vida e pensamentos de Stephen Hawking continuarão vagando como poeira cósmica na memória do mundo. O físico que venceu a paralisia e as limitações, agora, está no universo e em meio as estrelas, junto de outros imortais do conhecimento humano. O mesmo universo que, segundo Stephen, não seria muito um universo se não fosse o lar das pessoas que você ama.

Thanks, Stephen! (1942-2018)

(Reprodução)

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