Gramming & Marbles (F1): Valeu, Haas! Vettel vence com golpe de sorte em Melbourne

A sorte ganha corrida também: Vettel contou com um golpe de sorte da filial para roubar de Hamilton a vitória em Melbourne numa corrida tranquila (Getty Images)

Aleluia! Enfim, a F1 abriu o expediente em 2018, e a agonia de escrever aos amigos já era incontrolável! Desde o GP do México do ano passado não relatávamos mais aqui em A BOINA os detalhes das corridas, seja da F1, Indy ou MotoGP. As correrias de adaptação a nova vida profissional em Timbó dificultaram um pouco a continuidade das matérias. Doeu não narrar o fim da temporada em todos os seus lances, mas o importante é estar de volta, e falando muito do que se gosta: VELOCIDADE!

E sendo assim, justificativas dadas, hora de abrirmos também nós os trabalhos para 2018, ainda devendo a palavra sobre São Petersburgo, na Indy, mas que deve sair durante a semana. Em Melbourne, todos podiam esperar que seria de Lewis Hamilton, e com uma mão nas costas, a primeira festa de champanhe do ano. Afinal, o inglês cravou bem a pole, sem apertos nem problemas, para preocupação dos adversários.

Mas ai, eis que vem a corrida, com todas as suas imprevisibilidades e nuances. E a Ferrari, que passou quieta e mordida por largar atrás da Mercedes, conseguiu num golpe de sorte sair sorrindo da terra dos cangurus. Sebastian Vettel é o primeiro vencedor do ano, contando com a melhor resistência do carro e muita sorte de estar no lugar certo e na hora certa. Hamilton, contrariado, fechou em segundo com Kimi Raikkonen num bom terceiro posto.

A corrida

A primeira largada do ano, sem grandes incidentes e com Hamilton a frente, como de hábito (TV)

Um imprevisto, direto ou indireto, era a única ficha que Vettel poderia contar desde a largada. Hamilton largou bem e parecia sumir na ponta sem sustos para mais uma vitória, comprovando o favoritismo da Mercedes, com Raikkonen e Vettel seguindo atentamente o inglês. Outra favorita, a Red Bull, vivia seus próprios problemas, com Max Verstappen brigando firme contra as Haas e Daniel Ricciardo partindo para a recuperação saindo do oitavo posto.

Mas a grande surpresa da prova, sem dúvidas, eram as duas Haas. Elogiados nos testes de pré-temporada, os bólidos de Romain Grosjean e Kevin Magnussen vinham muito bem na prova, com o dinamarquês em quarto, aguentando Max no cangote, e Grosjean em sexto sem grandes sustos. Kevin ainda melhorou de posição quando Verstappen viu o mundo de costas ao rodar na saída da reta de largada.

Verstappen ao contrario. Com a rodada, as Haas vinham bem posicionadas na prova… até a hora das paradas (TV)

Era esse o status quo da prova, e poderia ser assim se não fosse um problema curioso que tiraria não só a equipe da prova mas a Mercedes da ponta. As paradas estavam começando e a tática era pular para pneus macios para seguir até o fim, como fizeram os lideres. e tudo ia bem até a Haas fazer seus pits. Primeiro foi Magnussen, e pelas imagens estava tudo tranquilo.

Mal o dinamarquês começou a volta depois da parada e… pimba! Um abandono dolorido numa excelente corrida. E enquanto deduzia-se que o motor tinha traído o time de Gunther Steiner, eis que Grosjean também faz sua parada, volta a pista e mal passa do esse da saída da reta quando… também para! Os mecânicos entram em desespero, chutando paredes e esbravejando. O motor não era o problema, mas sim a porca de fixação da roda traseira esquerda. Na pressa, o martelo pneumático não dava liga e a equipe, sem estar atenta a este problema durante as paradas, soltou os carros à pista com o mesmo pneu frouxo. Batata, triste batata!

Dupla despedida: depois das paradas, as Haas de Magnussen e Grosjean abandonam a disputa. Um lance que mudaria por completo a história da prova, quando Vettel beneficiou-se do safety-car virtual e pulou a frente depois da parada dos boxes  (Getty Images)

Então, neste ínterim, Hamilton tinha feito sua parada e Vettel vinha andando tudo que podia para tentar, num golpe arriscado, passado o inglês na volta dos boxes. Quando o problema das Haas surgiu, não deu outra: agora é a hora de parar, e a tática deu muito certo. Vettel aproveitou-se do safety-car virtual para a retirada do carro de Grosjean e saiu do box como o novo líder da prova, com um Hamilton traído pela dama da sorte em segundo.

Era evidente que Lewis iria arregaçar as mangas em busca da liderança perdida, o que até o fez. No entanto, problemas nos pneus e um princípio de superaquecimento o tiraram da briga, deixando-o muito ameaçado por Kimi Raikkonen, Daniel Ricciardo (em boa recuperação) e um Fernando Alonso surgido da discreteza dos meados do top-10 para um ótimo quinto lugar, mesmo com o garoto Verstappen fustigando-o em sexto. E tudo assim ficou até o final, carimbando a primeira vitória do ano para o moleque alemão e para a casa de Maranello.

Ricciardo bem que tentou, mas nada de australiano no pódio do GP caseiro por mais um ano. Um bom quarto lugar depois de largar em oitavo (Getty Images)

Completaram ainda o top-10 dos pontos Nico Hulkenberg (Renault), um discreto Valtteri Bottas vindo de uma prova de recuperação com sua Mercedes depois da carimbada nos treinos, Stoffel Vandoorne (McLaren) e Carlos Sainz Jr., aguentando um estômago baleado e o vômito na garganta para fechar em décimo.

Os 10 mais – Corrida:

1 – Sebastian Vettel (Ferrari)
2 – Lewis Hamilton (Mercedes)
3 – Kimi Raikkonen (Ferrari)
4 – Daniel Ricciardo (Red Bull-TAG)
5 – Fernando Alonso (McLaren-Renault)
6 – Max Verstappen (Red Bull-TAG)
7 – Nico Hulkenberg (Renault)
8 – Valtteri Bottas (Mercedes)
9 – Stoffel Vandoorne (McLaren-Renault)
10 – Carlos Sainz Jr. (Renault)

MENINO DE MUZAMBINHO: Fernando Alonso (McLaren)

Ainda falta tutano a McLaren, mas Alonso tem culhões de sobra e fez grande prova, do décimo ao quinto posto segurando gente de carro melhor a unha (Getty Images)

Só mesmo quem sabe do riscado pra fazer milagre com um carro ainda instável. Seguindo a palavra da Globo (por incrível que pareça), tenho que dar a mão a palmatória ao cravar o príncipe das Astúrias como o melhor na pista. Não é de se pedir que o bólido laranja da casa de Woking seja perfeito na primeira corrida, é verdade, mas grande parte do bom desempenho se deve ao espanhol, e o quinto lugar de hoje foi um prêmio ao esforço.

Ainda faltam algumas bossas para que a McLaren acerte a mão este ano, quando conta com os bons serviços da Renault para empurrar a laranjinha na pista, mas da parte de Alonso, talento é o complemento necessário. partiu apenas de décimo e foi subindo bem, chegando a segurar um pelotão dos grandes nas suas costas. É verdade que beneficiado foi com as saídas da Haas, mas cá pra nós, chegar até aonde chegou e aguentando o atrevido Verstappen nas costas no fim da prova tem seu mérito.

Bom domingo para Woking: Além de Alonso, Vandoorne (atrás) também pisou nos pontos, com o nono lugar.  (Getty Images)

A esperança é que a McLaren melhore, mesmo que muitos ainda coçam a cabeça, mas estão no caminho certo, ao que tudo indica, para a alegria de Alonso e Vandoorne.

Rapidinhas:

– Um tanto discreta foi a atuação da Renault. Prometida como um carro de ameaçar os ponteiros este ano, Sainz e Hulkenberg andaram de forma escondida durante a prova, cumprindo o dever trazer a casa francesa bons pontos para o plantel. Sainz mesmo pode-se dizer que ganhou mais do que os pontos mas a sua prova pessoal. O filho da lenda do Rally passou grande parte da prova aguentando um estômago embrulhado, pronto pra mandar os bofes pra fora a qualquer momento.

Quase com os bofes pra fora: Carlos Sainz Jr. fechou os 10 dos pontos segurando o estômago para não regurgitar no capacete (Getty Images)

– Escondidas, para não dizer discretas, estavam Force India e Williams. Contendoras na briga dos construtores, ambas equipes passaram quase despercebidas por Melbourne. Sergio Perez ainda brigou por um ponto, mas nada além disso tanto para ele como um discretíssimo Esteban Ocon. Na casa de Grove, o previsível: o fundo do grid e a companhia das nanicas, com Lance Stroll em penúltimo (atrás até da pesada Sauber de Charles Leclerc) e Sergey Sirotkin fora da prova depois de quatro voltas, com problemas nos freios.

– E quem tachava que a pipoqueira parecia ter achado o casamento certo, talvez possa ter se enganado. A Toro Rosso passou apagada na Austrália, largando na rabeira e ainda vendo Pierre Gasly abandonar por problemas, óbvio, de motor. Coube a Brendon Hartley fechar a prova dignamente, mesmo em último no fim das contas.

Os discretos: Stroll foi o penúltimo, atrás até mesmo da lenta Sauber de Leclerc. Abaixo, Hartley levou a única Toro Rosso ao fim da prova, em último, já sem Gasly na prova,desistente por problemas no motor. Mau começo para a Honda (Getty Images)

Para Recordar (1991): A porca da discórdia

O incidente com a Haas nos boxes, que gerou até uma multa de US$ 10 mil dólares (US$ 5 mil para cada carro) acabou com um fim de semana de sonho da filial americana da Ferrari. Mas, ao menos, não foi a tragédia, é coisa que se recupera na próxima prova. Quem não poderia dizer isso com toda a certeza é Nigel Mansell. Em 1991, a mesma traíra da porca da roda traseira o traiu durante o GP de Portugal, minando ainda mais suas chances de titulo naquele ano.

Porca traíra: Nigel Mansell sabe muito bem o que é isto. Em 1991, um serviço de box catastrófico acabou com as chances de vitória – e até de briga no campeonato – em Portugal Reprodução)

Era uma prova importante para os planos de virada da Williams, que ainda sonhava em tirar da McLaren de Ayrton Senna o título da temporada. Motivos não faltavam já que o time havia faturado as últimas quatro corridas e uma vitória no Estoril, contando ainda com o escudeiro Ricardo Patrese ticando pontos de Senna, daria a ele a chance de ser campeão sem a necessidade de uma combinação de resultados.

Mas seria num pit-stop que todo esse sonho inglês iria pelos ares como um fado de Amália: na volta 29, Mansell foi aos boxes para trocar pneus, mas na pressa em solta-lo a pista, um dos mecânicos atrapalhou-se com o pneu traseiro direito e sem ninguém poder reparar o enrosco, deram sinal para Mansell sair. O resultado? Mal Mansell andou um metro e a roda traseira direita pediu demissão, saiu rolando enquanto a Williams do leão ficou parada esperando outro pneu.

Clássica trapalhada do inglês e da casa de Grove nos boxes naqueles tempos. A equipe ainda arrastou o carro de volta aos boxes para recolocar o pneu. Mansell voltou em 17º e, contando com a superioridade que não era deste mundo da Williams, já estava em sexto depois de 16 voltas. Mas de nada adiantou, a direção da prova desclassificou o red five da prova por conta do incidente. A vitória de Patrese, a quinta na carreira e a segunda dele naquele ano, de nada adiantou para apartar a amargura de Grove, que viu Senna abrir vantagem e ficar ainda mais perto do título.

Enfim, hora de guardarmos as ferramentas e aguardarmos até o dia 8 de abril para a segunda prova da categoria, desta vez no deserto de Sahkir, no Barhein. E o G&M volta ainda esta semana com o melhor da Indy em São Petersburgo, afiando as armas para o GP de Phoenix, no próximo dia 7 de abril (dia do jornalista!)… e vale lembrar, em maio tem INDY 500!

A turma de 2018, e o GM está de volta também. F1 e Indy no destaque (Getty Images)

Vamos com tudo! Até o próximo G&M!!!

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