Som n’A BOINA #28: A incrível (e desgraçada) aventura dos Bee Gees em Sgt. Peppers

Uma trilha sonora beatológica que é sucesso imbatível, um cast de músicos que conta com Bee Gees juntos do cabeludo Peter Frampton (acima) e tantos outros… só pode dar um baita filme, certo? Errado! Eis a história do malfadado Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, filme de 1978 que poderia ter afundado a carreira de muita gente boa no auge e que até hoje está na galeria da infâmia do cinema americano (Reprodução)

Este ano é um tanto especial para um famoso trio de irmãos nascido na simpática Ilha de Man que conquistou o mundo com suas canções que vão de baladas românticas e primorosas obras Pop-Rock inesquecíveis e que atravessaram gerações. Em 2018 os fãs do Bee Gees rememoram fatos como, por exemplo, os 60 anos da primeira aparição na TV, os 45 anos de Life in a Tin Can, que iniciou a mudança de rumo na música do trio, além de recordar com saudade Maurice Gibb, que falecia há 15 anos.

Tantas datas que cada uma (ou o conjunto delas) dava uma crônica. No entanto, nem tudo que os irmãos Barry, Robin e Maurice tocavam virou ouro durante os anos 70, quando o trio estava no auge, gozando especialmente o sucesso de discos como Children of the World (1976) e, mais tarde, de Spirits Havin Flown (1979). O poder de Midas da banda teve seus momentos de escorregada, naturalmente, e um deles está completando 40 anos de… desgraça!

Sim, isto mesmo que você ouviu: desgraça, e uma desgraça que poderia te-los afundado se não fosse o faro apurado que, durante o trabalho, percebeu que nem todo o filme musical era um tiro certo. O trio, juntamente com a presença do cabeludo Peter Frampton, caíram numa barca furada que ficou registrada na infâmia do cinema como uma das piores de todos os tempos. Esta é a história do inacreditável (de tão ruim) Sgt Pepper Lonely Hearts Club Band, filme de 1978 que arrancou o fabuloso disco dos Beatles do vinil para as telonas, mas que caiu numa espiral de fracasso sem volta.

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Som n’A BOINA #27: Roberto Carlos, o monarca ausente da Jovem Guarda

Todas as peças da Jovem Guarda se encaixam… menos Roberto Carlos. Em todos os especiais que resgatam as histórias e canções daqueles tempos o Rei sempre é a ausência maior, o elo perdido. E por que este comportamento? Seria ele? A Globo? O SnaB deste fim de semana tenta buscar uma explicação, mesmo sem saber se vai conseguir (Reprodução)

Jovem Guarda…

Ouvir essa expressão puxa todo e qualquer fragmento dourado da história musica brasileira. Era a consolidação do Rock brasileiro, da semente plantada nos anos 50 com os primeiros embalos descidos dos EUA para os mortais da América Latina, tomados de assalto com aquela avalanche de cabeludos, guitarras elétricas, músicas fáceis que embalavam e pregavam amor e humor e tudo mais que viesse a telha.

A Jovem Guarda que nasceu fragmentada e, aos poucos, juntou-se num bolo só para preencher um horário de domingo vazio da grade da Record, em 1965. A Jovem Guarda erroneamente tachada de brega, chata, mas que a ela deve-se respeito por ter consolidado um estilo e dado o start no que viria nos anos seguintes. A Jovem Guarda que, a frente de tantos ousados, tinha três comandantes: um Rei, um tremendão e uma ternurinha.

Já se vão 50 anos desse movimento. Histórias pra contar são tantas que um documentário, um livro, um especial apenas é pouco, muito pouco. Recentemente, entre zapes perdidos na TV, cai de boca num documentário que, segundo a gíria da época, “é uma brasa” em se tratando do movimento: Jovem aos 50: Jovem aos 50 – A História de Meio Século da Jovem Guarda, com direção, produção e roteiro de Sérgio Baldassarini Júnior.

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Som n’A BOINA #26: A incrível história de Jimmy Ellis e a “maldição” de Orion

É Elvis? Não é Elvis? E a voz? Mas é a voz de Elvis! Mas não é Elvis? Uma das lendas mais marcantes da música no mundo vem do Alabama e encontrou na incorporação do personangem de um livro o caminho da fama, mesmo que isso despertasse a curiosidade de uns e a estranheza de outro.

Como bem sabemos – e até o SnaB fez menção – este ano recordamos as quatro décadas da noite fatídica de 16 de agosto de 1977, quando o mundo era despertado com a notícia de que o Rei do Rock ‘n Roll tinha se calado para sempre. Estava morto no banheiro de Graceland, sua majestosa residência em Memphis, Elvis Aaron Presley, e o mundo da música se vestia de luto num cortejo fúnebre embalado pela My Way cantada pelo ilustre filho de Tupelo.

Os meses passaram, os fãs ainda fungavam o choro quando, dentro dos estúdios da Sun Records, onde Elvis nascera para a música, um cidadão do Alabama apareceu. Ex-tratador de cavalos, tinha vindo da pequena cidade de Orrville em busca do sonho de ser cantor. Mas muito além desta porta aberta na lendária gravadora, o rapaz acabava mergulhando numa história no mundo da música que daria origem a uma das lendas pop mais populares de todos os tempos. E o incrível: por um momento, quem o visse podia jurar que a lenda era verdade.

Quem não conhecia, hoje vai começar a saber quem era Jimmy Ellis. Ou melhor, quem era o misterioso Orion, o Elvis por trás da máscara e que, acredite, não queria ser Elvis, mesmo tendo feições e o timbre de voz quase clonados do Rei.

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Som n’A BOINA #25: 15 recordações de Ray Conniff

Ele começou a desvendar a música com um curso por correspondência com um mísero dólar. E nisso, virou um dos maiores de todos os tempos do mundo das orquestras do easy listering mundial. Já se vão 15 anos sem Ray Conniff, e o SnaB recorda-o em um especial de 15 melodias inesquecíveis (Reprodução)

Joseph Raymond Conniff. Americano de Altteboro, no estado do Massachusets, nascido no meio da Primeira Guerra, filho de um trombonista e de uma pianista. Fez um curso de música por correspondência com um mísero dólar e, ainda na adolescência, montou seu primeiro grupo musical.

Foi dessa forma simples e meio romântica que, aos poucos, Joseph Raymond virou, simplesmente, Ray. Ray Conniff, um garoto-prodígio que, anos mais tarde, ostentaria uma indefectível franja esbranquiçada, uma barba a lá Papai Noel e que traria na bagagem uma coleção de sucessos e reproduções de clássicos da música internacional inseridos no seu estilo musical marcante e que atravessou gerações.

Neste fim de semana, o SnaB presta a reverencia justa a este grande nome do easy listering que ia muito além do termo pejorativo de música de elevador. Do maestro que, com seu estilo e carisma, encantou um mundo inteiro e viveu encantado pelo Brasil, um dos países que mais visitou na vida. Isto tudo regado a uma viagem musical em 15 clássicos entre seus mais de 100 discos lançados em quase 50 anos de carreira.

Segure-se na cadeira e vamos juntos ao mundo S’Wonderful do inesquecível Ray Conniff.

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Som n’A BOINA #24: A genialidade e extravagancias de Liberace

Por trás de toda a extravagancia e riqueza, residia um gênio dos pianos, capaz de mil arranjos e uma técnica única que permitia leveza na condução musical. Com vocês, a reverencia ao talento e sorriso de Liberace (Reprodução)

É notável no mundo da música que domar um piano é coisa de um cidadão perto da genialidade musical. O grandioso instrumento de cordas oriundo do século XVIII está presente em praticamente todos os estilos musicais, dos mais populares aos mais clássicos. O piano deu vida a outros instrumentos, como o órgão. O piano teve seu som feito eletrônico. O piano é a realização musical de muitos astros da música. O piano pode ser vertical ou de cauda, teclado ou de tubos. O piano é, simplesmente, o piano.

E como vários instrumentos musicais, o piano também tem seus gênios. Gênios da composição como Beethoven e Chopin; gênios que reviveram clássicos, como Vladmir Horowitz e Arthur Rubinstein; gênios que o domaram e fizeram (e fazem) suas canções, como Elton John e Ray Charles, até mesmo aqueles que o tocam e nem parecem que sabem tanto, como você que está lendo este texto agora e dedilha as teclas brancas e pretas, sendo muito bem ou ainda aprendendo.

Mas, no mundo da música só pode existir uma única pessoa que transforma a arte de tocar piano numa verdadeira alegoria extravagante e, ainda assim, gostosa de se ouvir. Ao clássico, ele adicionou um marcante candelabro e muito talento empregado, quase que desfilando os dedos por sobre o teclado. Ele partiu desta para melhor há 30 anos, mas ainda assim é lembrado pela técnica, bom humor, pelas polêmicas e pela extravagancia.

Senhoras e senhores: Liberace no SnaB!

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Som n’A BOINA #23: Elvis em 10 momentos

Foi na manhã de 16 de agosto de 1977 que o mundo do Rock tomou um tranco violento, talvez ao qual jamais poderia ter tomado igual em tanto tempo. Encontrado pela sua então namorada naqueles idos, Ginger Alden, no banheiro da majestosa Graceland, em Memphis, estava desfalecido no banheiro aquele que, há cerca de 20 anos atrás, escandalizava e embalava o mundo com a música energética e o rebolado hipnotizador de brotos. O filho de Gladys e Vernon estava morto: Elvis Aaron Presley.

A música não queria ter acordado na manhã seguinte com esta notícia que, tão logo surgiu, fez surgir do nada uma multidão de fãs desolados nos portões da magnífica mansão cartão-postal do Tennessee. Artistas, empresários do mundo fonográfico, parentes, amigos, de tudo um pouco aparecia naquela calçada que ficou pequena diante do que havia acontecido naquela grande casa.

Passaram-se 40 anos, os reflexos do que Elvis era e representou continuam vagando pelo mundo da música e pela cultura pop. A vasta cabeleira, a dança contagiante, a voz ora melodiosa ora energética, o senso de humor e a rebeldia, o pacote completo de um roqueiro pioneiro que vinha junto do jovem de Tupelo, Mississipi, que mal tinha deixado um coral da igreja que frequentava para conquistar outros corações: os de fãs desesperadas que faziam de tudo para levar uma nasca das vestimentas do ídolo para seus lares e corações.

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