Som n’A BOINA #24: A genialidade e extravagancias de Liberace

Por trás de toda a extravagancia e riqueza, residia um gênio dos pianos, capaz de mil arranjos e uma técnica única que permitia leveza na condução musical. Com vocês, a reverencia ao talento e sorriso de Liberace (Reprodução)

É notável no mundo da música que domar um piano é coisa de um cidadão perto da genialidade musical. O grandioso instrumento de cordas oriundo do século XVIII está presente em praticamente todos os estilos musicais, dos mais populares aos mais clássicos. O piano deu vida a outros instrumentos, como o órgão. O piano teve seu som feito eletrônico. O piano é a realização musical de muitos astros da música. O piano pode ser vertical ou de cauda, teclado ou de tubos. O piano é, simplesmente, o piano.

E como vários instrumentos musicais, o piano também tem seus gênios. Gênios da composição como Beethoven e Chopin; gênios que reviveram clássicos, como Vladmir Horowitz e Arthur Rubinstein; gênios que o domaram e fizeram (e fazem) suas canções, como Elton John e Ray Charles, até mesmo aqueles que o tocam e nem parecem que sabem tanto, como você que está lendo este texto agora e dedilha as teclas brancas e pretas, sendo muito bem ou ainda aprendendo.

Mas, no mundo da música só pode existir uma única pessoa que transforma a arte de tocar piano numa verdadeira alegoria extravagante e, ainda assim, gostosa de se ouvir. Ao clássico, ele adicionou um marcante candelabro e muito talento empregado, quase que desfilando os dedos por sobre o teclado. Ele partiu desta para melhor há 30 anos, mas ainda assim é lembrado pela técnica, bom humor, pelas polêmicas e pela extravagancia.

Senhoras e senhores: Liberace no SnaB!

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Som n’A BOINA #23: Elvis em 10 momentos

Foi na manhã de 16 de agosto de 1977 que o mundo do Rock tomou um tranco violento, talvez ao qual jamais poderia ter tomado igual em tanto tempo. Encontrado pela sua então namorada naqueles idos, Ginger Alden, no banheiro da majestosa Graceland, em Memphis, estava desfalecido no banheiro aquele que, há cerca de 20 anos atrás, escandalizava e embalava o mundo com a música energética e o rebolado hipnotizador de brotos. O filho de Gladys e Vernon estava morto: Elvis Aaron Presley.

A música não queria ter acordado na manhã seguinte com esta notícia que, tão logo surgiu, fez surgir do nada uma multidão de fãs desolados nos portões da magnífica mansão cartão-postal do Tennessee. Artistas, empresários do mundo fonográfico, parentes, amigos, de tudo um pouco aparecia naquela calçada que ficou pequena diante do que havia acontecido naquela grande casa.

Passaram-se 40 anos, os reflexos do que Elvis era e representou continuam vagando pelo mundo da música e pela cultura pop. A vasta cabeleira, a dança contagiante, a voz ora melodiosa ora energética, o senso de humor e a rebeldia, o pacote completo de um roqueiro pioneiro que vinha junto do jovem de Tupelo, Mississipi, que mal tinha deixado um coral da igreja que frequentava para conquistar outros corações: os de fãs desesperadas que faziam de tudo para levar uma nasca das vestimentas do ídolo para seus lares e corações.

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Som n’A BOINA #22: George Harrison e a epopéia dos Traveling Wilburys

A reunião mais respeitavel de Gibsons que pode haver. Foi num por acaso da vida que George Harrison, sem querer, montou o Traveling Wilburys, um dos grandes encontros do Rock que, infelizmente, durou tão pouco mas rendeu muito (Reprodução)

O Rock é aquele estilo que, muito além das músicas, registra aventuras e encontros que são dignos de livros, novelas, filmes e o escambau. Esses encontros já foram responsáveis por tornar lendas ainda mais lendas, por reviver nomes do passado para uma atualidade ou para, simplesmente, juntar muita gente boa num lugar apenas.

Na volta do SnaB, depois de um breve período de ausência, resolvi revisitar um dos maiores encontros que o Rock pode presenciar em milênios. E o que mais chama a atenção é que este encontro em especial foi algo totalmente por acaso mas que marcou indelevelmente o mundo da música, mesmo que por meros três anos. Tudo isso graças aos encontrões do caçula de Liverpool durante suas atividades profissionais.

Eis a incrível história de George Harrison e das lendas que, juntas, deram vida ao fantástico Traveling Wilburys, talvez a maior reunião de rockers em uma banda na história.

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Som n’A BOINA #21: Mario Zan, o imortal da festa junina

Um rei entre nós. Da infancia humilde de filho de imigrantes do interior para um virtuoso do acordeon. Eis Mario Zan, não apenas o Rei da Sanfona, mas também o Rei da Festa Junina (Reprodução)

Você conhece Mário Giovanni Zandomeneghi? Se você nunca ouviu este nome na vida (ou está fingindo que não ouviu pra ver até onde esse nariz-de-cera vai chegar) saiba que ele manda e desmanda na quadrilha de São João desde o tempo que seu avô era o garanhão da madrugada.

No Brasil de ontem a hoje (e no futuro, naturalmente), não existe festa junina onde os acordes da sanfona deste sujeito estejam presentes. No carro de som anunciando um arraial, no ambiente da festa, na marcação da quadrilha, no bailão, na paquera. É musica para derrubar sertanejo universitário que ousa transformar a quermesse numa balada estúpida.

Então, hoje não tem como ser diferente. É Dia de São João em A BOINA, e o SnaB presta reverencia ao legítimo rei da sanfona: Mario Zan, o mito de todas as festas juninas, de ontem, de hoje e de sempre.

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Som n’A BOINA #20: Jimi Hendrix, muito mais que o “showman da guitarra”

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Hendrix by Linda McCartney. O músico sempre admirou o trabalho fotográfico da esposa do Beatle e chegou a pedir que uma das fotos dela fosse usada na capa de Electric Ladyland (Linda McCartney)

(Douglas Sardo)

Seria possível um cara ser considerado por muitos como o maior guitarrista da história e ainda assim ser subestimado? Com o lendário Are You Experienced?, recentemente alcançando 50 anos de vida, o SnaB faz uma reflexão sobre o legado de Jimi Hendrix, um músico que de várias formas foi refém do próprio sucesso apesar de sempre tentar se desvincilhar do rótulo de cara que tocava guitarra com os dentes.

Não se espante se você se surpreender. Afinal, Hendrix não era apenas um ás das guitarras. Ele tinha algo mais. Você sabia? Então vai ficar sabendo…

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Som n’A BOINA #19: O romance e mensagem musical nos tempos da declamação

Um tempo onde música era aquele som de fundo. O importante era a recitação de uma história, uma mensagem, um coração partido. Era a declamação, febre entre vários intérpretes nos anos 70 e que conquistou ouvintes Brasil a fora, num destacamento da música brega/romântica ou como momento de inspiração de radialistas, atores ou apresentadores (Reprodução)

Esta semana, a música e o rádio brasileiro despediram-se de uma voz perdida nas paradas dos anos 70. O cantor, compositor e radialista Barros de Alencar faleceu na última segunda-feira (05/06) depois de um período de internação em um hospital na Mooca, em São Paulo. As causas da morte não foram reveladas. Ele tinha 84 anos.

Cristóvão Barros de Alencar, paraibano de Uiraúna, ficou marcado na história do cancioneiro nacional por um período de composições pitorescas daquilo que, hoje, costumamos chamar de Brega/Romântico, uma das estradas que a música brasileira seguiu depois do fim da Jovem Guarda e do Tropicalismo. Era o tempo do romance, das músicas melosas e populares que já comentamos sutilmente no último SnaB sobre Odair José, mas de outra maneira: em vez de cantar, a regra era declamar.

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