Fusca, 1993: Itamar e a “reinvenção da roda”

Uma receita conhecida para dinamizar a economia. Há 25 anos atrás, atendendo ao pedido do presidente-fanático Itamar Franco, a Volkswagen retornava com a produção do Fusca. No discurso do acesso ao carro popular, o pedido de um fã do besouro oculto e uma série de atravancos de um veículo que não estava mais de acordo com seu tempo (Reprodução)

Num país onde a economia parece não dar sinais de vida quando internada na UTI, qualquer ideia mirabolante pode até funcionar quando se quer dinamiza-la e faze-la girar ao seu favor. Em qualquer país em crise, se não há algo mais inteligente, é uma via de regra de qualquer manual de recuperação econômica, e muitas vezes ou são simplesmente mirabolantes ou complicam ainda mais uma situação vigente.

No Brasil de 1993, qualquer boa ideia era bem-vinda para fazer o brasileiro comprar, depositar divisas na economia e fazer a roda girar em um momento delicado de recuperação política e econômica. Depois do golpe econômico dado por Fernando Collor, o bastão estava nas mãos do mineiro Itamar Franco, seu vice, que tinha nas mãos o dever de conduzir o processo até o fim do mandato vigente – em 1995 – prosseguindo com a recuperação econômica.

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Stephen Hawking: Das estrelas da vida para a vida entre as estrelas

Uma quarta-feira triste na terra e alegre no campo das estrelas, onde outra delas surgiu. Desafiador de limites, gênio, tradutor das grandes teorias acerca do universo, Stephen Hawking morreu pela manhã em sua casa em Cambridge, deixando uma lacuna imensa entre os grandes gênios contemporâneos (Reprodução)

Poucas vezes a ciência foi a primeira palavra em rodas de conversa mundo afora, ainda mais quando o assunto rondava a física, o espaço, os corpos celestes, aqueles tais pontos brancos que fascinavam o ser humano cada vez que olhávamos para cima em noite enluarada. Afinal qual é o ser humano que não se fascina com eles? Qual que não aguça a curiosidade especialmente quando um estudioso fala em buracos-negros, galáxias distantes e planetas longínquos que guardam semelhanças com a nossa pequena Terra.

Um destes seres viventes na terra talvez foi o maior destes curiosos. Um cidadão de óculos protuberantes, aparencia esquálida que dava impressão de fragilidade mas que, dentro de sua mente e de suas percepções, residia uma curiosidade sem fim sobre que segredos escondiam o firmamento, o que os olhos não podiam ver acima do simples visto todas as noite.

Stephen Hawking, ingles de Oxford, inquieto em suas ações e curiosidades acerca do instigante espaço que nos cerca, não se convenceu apenas em olhar as estrelas e não os seus pés, como ele mesmo dizia aos outros. Ainda um jovem estudante, começou a decifrar segredos e construir o que seriam suas hipóteses até hoje admiradas por muitos, estudiosos ou não.

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Oscar 2018: Na edição 90, a consagração de Del Toro e a calma noite das lógicas

Um exultante Guilhermo Del Toro e sua conquista como Melhor Diretor por A Forma da Água. Foi uma noite especial tanto para ele quanto para os realizadores da grande película consagrada da noite, que teve momentos marcantes mas onde reinou uma certa calmaria, registrada para a história na edição 90 do Oscar (Reprodução)

(Laly Siegel)

Domingo, 4 de março de 2018. Uma noite para a história do Academy Awards em todos os tempos. Foi a noite da 90º cerimônia de entrega do Oscar, reunindo como de costume a nata da nata do cinema para a consagração dos melhores da indústria cinematográfica americana (e, em partes, internacional). Tem sido assim desde 1929, sempre movendo os olhos do mundo para Los Angeles, sede da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e, desde 2001, para o belíssimo Teatro Dolby, local da cerimônia desde então.

Mas se alguém esperava algumas surpresas e momentos indelevelmente marcantes na entrega da estatueta nesta 90ª edição, pelo menos ficou com uma cerimônia tranquila, sem erros em nenhum envelope e sem grandes e marcantes protestos. Apenas um discurso marcante, algumas cutucadas a Donald Trump e lembranças ao movimento Time’s Up, contra os abusos na indústria cinematográfica, foram os momentos mais fora da premiação em si, que teve um filme e seu diretor os grandes vencedores da noite: o incrível A Forma da Água e seu diretor, Guilhermo Del Toro, com os louros da cerimônia.

Venha com A BOINA na viagem especial sobre a cerimônia que mexeu com a noite da história do cinema, mesmo cercada das lógicas certeiras.

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FAB e OVNIs: Dois incríveis encontrões nos céus brasileiros

Forças Armadas e OVNIs sempre tiveram uma relação de atritos e verdadeiros encontros curiosos. A FAB sabe muito bem disso, e A BOINA recorda dois destes encontrões entre extraterrestres e militares da Força Aérea Nacional. Vamos de volta a 1977, na Operação Prato e, em 1986, a insana Noite Oficial dos OVNIs (Reprodução)

A ufologia é um dos assuntos que mais chamam atenção de seguidores em todo o mundo. Desde que o planeta é redondo, o ser humano continua se perguntando se realmente está sozinho no vasto universo, se é a única vida inteligente na imensidão de estrelas e astros que, noite após noite, pairam sob nossas cabeças. Há quem se arrepie até a base da espinha com histórias deste tipo, outros que dão de ombros a estes fatos, e outros que fazem destas evidências verdadeiros estudos do tamanho de uma tese acadêmica.

Pelo mundo, a aparição dos OVNIs (para os leigos, Objetos Voadores Não Identificados) tem grandes marcas que movem, vez em quando, o pensamento dos estudiosos da área, especialmente quando novidades aparecem. E muitas vezes, os olhos dos ufólogos se voltam esbugalhados para o Brasil, um país que não é apenas conturbado na sua realidade e história, como também na visita destes seres extraterrenos em nosso território. E posso garantir, não foram poucos e todos eles chamam a atenção, sejam de interessados ou de céticos.

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Ídolos com pés de barro

Eis Richard Rasmussen, o aventureiro radical que leva a família brasileira alguns dos segredos e curiosidades mais interessantes de nossa fauna. No entanto, será que Richard é mesmo o que as câmeras tanto mostram? (Reprodução)

(Ricardo Hedler)

Domingo, março de 2005. Uma família brasileira comum se reúne na sala para assistir ao Domingo Espetacular na Rede Record. Seu apresentador, o icônico Paulo Henrique Amorim, anuncia com sua voz característica o que se tornaria um dos quadros de maior sucesso do programa: o quadro Selvagem ao Extremo, criado e apresentado por Richard Rasmussen, mostrava o aventureiro animal interagindo de maneira irreverente com os mais diversos animais da nossa fauna: cobras, lagartos, por ai…

O que aparecesse no caminho desse amante da natureza, era logo capturado e manipulado sem medo algum pelo apresentador em frente às câmeras. Ao contrário do pobre animal que era apanhado de surpresa e levado à situações de extremo stress. Tudo com o máximo de sensacionalismo para manter a família brasileira presa no sofá esperando mais confrontos perigosos do queridíssimo caçador de aventuras.

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Beto e eu

Um garoto sonhador que tornou-se um empresário que convidava a todos para viver a sua fantasia. A história de Beto Carrero é grandiosa demais,. No entando, em um dia de dezembro de 2003, ela acabou cruzando-se comigo (Reprodução)

Exemplos de empreendedores diferentes são raros hoje em dia, e quando aparecem são celebrados por um longo tempo como prova de que, quando se sonha e se quer tornar real, é possível. E isso fica ainda mais forte quando o que move este sonho é uma brincadeira de criança, um hobby, uma fascinação, uma fantasia.

Fantasia, esse era o mundo que permeava a cabeça encaracolada de um velho cowboy paulista, movido pelos contos de bang-bang de John Carradine, John Wayne, Bud Spencer e Terence Hill. Seu pai, conhecido condutor de carro de boi na fazenda que trabalhava, a natureza sempre próxima e aquele ar de campo do interior de São Paulo, na bela São José do Rio Preto, coisas que o inspirariam a transformar-se de menino irrequieto e publicitário dedicado num legítimo herói brasileiro do western, defensor dos animais e dos oprimidos, amado pelas crianças, admirado por empresários, lembrado sempre sobretudo na sua obra máxima na simpática Penha: Beto Carrero.

Mas, contar a história de Beto seria piegas demais para o momento. Há 10 anos atrás, o Brasil era tolhido de surpresa com uma notícia chocante: na busca de tratar um problema cardíaco, o bom justiceiro era levado ao chão do velho oeste da vida naquela manhã de 1º de fevereiro de 2008. Faísca estava a sós no mundo, as crianças que bem o conheciam e mergulhavam nas suas histórias estavam a sós. E eu também, senti que tinha perdido um amigo, e próximo, tão próximo que é difícil para qualquer leigo acreditar.

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