Gramming & Marbles (F1): Hamilton e Vettel em guerra enquanto Ricciardo fatura em Baku

Atrás deste capacete estão mil dentes sorridentes de surpresa: Daniel Ricciardo venceu o alucinante GP do Azerbaijão, a mais louca prova da F1 em tempos, que teve Stroll no pódio, toques mil e a abertura oficial da guerra Hamilton-Vettel (Getty Images)

Você também foi daquele cidadão que, coçando as costas e com cara de preguiça, ligou a televisão de manhã esperando um trenzinho monótono em Baku?

É? Foi mesmo?

Bom, vou te contar que eu também, e o Douglas idem. Mas não podemos reclamar se agora na tarde ou noite de domingo (quando este texto começou a ser aprontado) a adrenalina foi baixando aos poucos depois do que foi visto nas ruas apertadas da capital azeri. Depois de um ano sonolento como foi em 2016, a corrida deste ano não permitiu nem pescada de sono. Foi uma loucura como não vista na F1 há tempos e que entrou para a história.

Quem perdeu, ainda resta o consolo dos melhores momentos, mas mesmo neles, vai ficar extasiado. Teve esparrama na largada, Felipe Massa brigando por uma inesperada vitória e Lance Stroll subindo ao pódio, Force Indias se estranhando, Fernando Alonso nos pontos e, o melhor: Lewis Hamilton e Sebastian Vettel abrindo mão da amizade num incidente para entrar para a história. Tudo isso na imprevisível vitória de Daniel Ricciardo, que não tinha nada a ver com a novela dos líderes.

E se a coisa saiu assim mexida de Baku… imagine o clima que virá na Áustria. Vamos lá e prepare a água com açúcar. A adrenalina até pra escrever vai ser fogo. E não é exagero o que digo!

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Gramming & Marbles (F1): (Enfim!) Bottas quebra a barreira da primeira vitória no sono de Sochi

Há um novo vencedor entre eles. Quinto vindo da Finlândia a conseguir tal feito, Valtteri Bottas venceu com autoridade na Rússia e deixou seu recado para a Mercedes: Eu não sou apenas o segundo piloto que vocês pensam (Getty Images)

(Andre Bonomini & Douglas Sardo)

Sabe quando você acorda de manhã cedo sabendo que pode voltar a pescar sonolento algum tempo depois? Especialmente num domingo essa sensação lhe toma conta por, naturalmente, ser um dia preguiçoso por natureza…

Agora, imagine um fã de F1 vivendo esta sensação. Muito longe de ser apenas sono é pelo fato de uma corrida praticamente sem emoções fortes se passar diante dos seus olhos. E quando a categoria pisa em Sochi, a simpática cidade dos jogos de inverno de 2014, a sensação é praticamente esta: um sono previsível.

Talvez, para não dizer que foi um sono completo, os fãs da categoria viram um novo vencedor surgir. Quinto finlandês vencedor na história da F1, Valtteri Bottas teve aquele fim de semana de sonho naquele quadrado de terra russo que tanto ama correr. Fora a vitória maiúscula e com autoridade, aproveitou para dar um recado aos superiores na Mercedes e, em especial, ao companheiro laureado Lewis Hamilton: Não sou apenas um número dois.

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Gramming & Marbles (F1): Hamilton fatura a primeira de 2017 em domingo empolgante na China

A Mercedes venceu, Hamilton venceu, mas nada de prova monótona. A corrida da China foi totalmente na contramão da procissão australiana e apresentou uma prova cheia de diversão, alternativas e momentos emocionantes. No fim, o inglês da flecha prateada aproveitou os contratempos de Vettel para carimbar a primeira vitória no ano (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Vou dizer com sinceridade: quem acordou de madrugada e resistiu as 56 voltas fez um excelente negócio. Pode contar aos amigos que viu uma corrida empolgante ao vivo (mesmo aguentando as histerias de Luiz Roberto), com pegas fabulosos e um passão monumental. O fim de semana de F1 no GP da China foi assim mesmo, fora a diversão da turma em Xangai, Lewis Hamilton confirmou o favoritismo mas não venceu só por ele, contando com um fator crucial para correr a sós e faturar o galardão.

Com a corrida desta noite, muitos que vociferaram contra o que viram nas ruas de Albert Park, em Melbourne, vieram com discursos de a F1 voltou, corrida emocionante, corrida divertida. Talvez o que vimos nas curvas de Xangai foi um tremendo cala a boca a quem já estava tirando conclusões precipitadas sobre o ano de 2017. Temos um campeonato, e não é porque a Mercedes está errando ou algo assim. Tudo está a plena, e, agora, os bons samaritanos começam a mudar de opinião.

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Gramming & Marbles (F1): Novidades, Mercedes e barbatanas, o que esperar do circo em 2017?

(André Bonomini & Douglas Sardo)

O silêncio sepulcral nos arredores da pista de Montmeló foi, enfim, quebrado pelo bem da velocidade. A unidades de força (eita nominho feio!) dos bólidos da F1 já estão urrando a plena nos primeiros testes da pré-temporada de 2017, o 68º mundial da história da mais alta classe do automobilismo. Depois das semanas de lançamentos, novidades e confirmações, agora equipes e pilotos se reúnem pela primeira vez para os últimos ajustes antes da primeira largada do ano: Dia 26, na sempre simpática Melbourne, Austrália.

Para um ano onde a F1 busca se reencontrar com o espetáculo perdido há muito tempo, os primeiros experimentos dos novos carros na pista mostraram algo mais do que as novas máquinas, enquadradas no novo regulamento para a temporada: Mas sim o quão feias são as benditas barbatanas, que voltaram em 18 dos 20 bólidos de 2017. E quando falo assim, digo que menos dois seguem esta tendência um tanto maldosa com a beleza dos bólidos: A Mercedes, a única que não utilizou o aparato e que é a força a ser batida neste ano, mas que também entra na pista com a mesma incerteza sobre se manterá seu domínio ou será ameaçada.

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Gramming & Marbles (F1): O dia que Sonic perdeu para Senna

11 de abril de 1993. Um dia épico para a F1, para os games, para uma reflexão poética da corrida entre Ayrton Senna e Sonic, aquele que é o ouriço mais rápido do mundo (Reprodução)

11 de abril de 1993. Um dia épico para a F1, para os games, para uma reflexão poética da corrida entre Ayrton Senna e Sonic, aquele que é o ouriço mais rápido do mundo (Reprodução)

(André Bonomini)

Todo mundo que curte, segue e come F1 diariamente jamais esquece (mesmo que tendo névoas na lembrança) da sua primeira experiência diante da categoria máxima do automobilismo mundial. A primeira corrida, os primeiros nomes, as primeiras sensações nas brigas, momentos tensos, rodadas e acidentes. Alguns gravam quase tudo detalhe por detalhe, e quando volta a assistir esta passagem única na vida não deixa de recordar também a inocência de ver a F1 com imaginação de criança.

Talvez eu seja meio privilegiado. Mesmo com espasmos memoriais, minha primeira experiência com F1 foi, simplesmente, um sonho para qualquer fã e um motivo de emoção para nós que seguimos o circo onde quer que vá. Eu era um garoto de reles dois para três anos de idade quando meu pais me cativava a ver corridas nos sonolentos domingos pela manhã. Era dia da terceira etapa do mundial de 1993, e de uma conjunção de fatos que ficou na história e marcou uma geração: O dia que Sonic, o ouriço mais veloz do mundo, foi vencido por um sujeito que usava vermelho como Eggman, mas que queria apenas ser o mais rápido e nada mais.

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Gramming & Marbles (F1): Cinco dias depois do título, Rosberg anuncia a aposentadoria

Cinco dias campeão e... ponto final na F1. Aos 31 anos de idade e com números para um digno piloto da F1, Nico Rosberg encerra a trajetória na F1 depois de exatos 10 anos. Uma notícia que surpreendeu o mundo do esporte a motor (Getty Images)

Cinco dias campeão e… ponto final na F1. Aos 31 anos de idade e com números para um digno piloto da F1, Nico Rosberg encerra a trajetória na F1 depois de exatos 10 anos. Uma notícia que surpreendeu o mundo do esporte a motor (Getty Images)

(André Bonomini & Douglas Sardo)

Se no todo, a semana passada foi de tristeza pelo ocorrido na Colômbia, no mundo do automobilismo outra notícia chocante pegaria qualquer jornalista e fã do automobilismo de calças curtas. Apenas cinco dias após faturar o cobiçado e sonhado título da F1 em 2016, Nico Rosberg surpreende aos fotógrafos e até aos amigos que o ladeavam na cerimônia de premiação da FIA em Viena, na Áustria, ao anunciar que estava se aposentando da categoria. Quem fez desta uma aposta solitária em uma casa de apostas de Londres provavelmente está rindo a toa, assim como o grid da F1 inteiro e as demais equipes, exceto a Mercedes.

Nico Erik Rosberg, 31 anos, 206 GPs disputados, 23 vitórias, 57 pódios, 30 poles, 20 voltas mais rápidas e tudo isso resumido em um título em seis temporadas de F1. Pode-se dizer, seguramente, que são números de um bom piloto, daqueles que merecem estar nas estatísticas sem serem, verdadeiramente, lendas da categoria. Uma carreira sólida, sem exageros e talvez ainda devendo algo a quem esperava que Nico, uma jovem promessa nos tempos de Michael Schumacher que derrapou, bateu cabeça, mas se concentrou e venceu. Agora, o momento é de aproveitar a família e outros prazeres da vida de pai, marido e piloto por diversão. Talvez os motivos para esta parada repentina.

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